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Sexta-feira, 14 Junho, 2024
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InícioOpiniãoMar de Caminha, Reserva da Biodiversidade ou Deserto Piscatório?

Mar de Caminha, Reserva da Biodiversidade ou Deserto Piscatório?

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Jorge Palma

 

É, dos nossos irmãos Galegos que como muitas vezes no passado, nos chegam as más notícias ou informações preocupantes. Perante a ameaça de uma zona de exploração eólica offshore em frente A Guarda, os Pescadores e as forças vivas da Guarda informam-se, formam-se e mobilizam-se.

eolica insua

Enquanto isso Caminha, do que estás à espera?

O mar territorial de Caminha, da Ínsua ao Forte do Cão, vai ficar enclausurado entre duas áreas de exploração eólica. Caminha terá os prejuízos ambientais e na fauna marítima, mas não terá nenhum benefício económico de dita atividade.

Vários estudos realizados na área das 3 pequenas eólicas piloto, instaladas há alguns anos, mostram que~, pelo menos num diâmetro de cerca de 1 milha náutica em redor das mesmas a fauna marítima desapareceu.

Será fácil perceber o enorme impacto que terão as mais de 100 turbinas a ser instaladas, nos bancos de pesca, circulação dos cardumes e espécies migratórias como a Lampreia ou o Salmão. Estes devem ser avaliados com rigor, antes de qualquer autorização. Todos os relatórios científicos são claros: “Podem surgir efeitos negativos durante todo o ciclo de vida de uma turbina eólica marítima. O impacto dos campos eletromagnéticos contínuos e permanentes pode alterar o comportamento das espécies eletrossensíveis e das espécies sensíveis aos campos magnéticos. Criar-se-iam assim barreiras artificiais no fundo do mar.”

eolicas insua 1

Haverá impacto, só não se sabe bem quantificá-lo ainda, e por isso, os promotores do projeto e as autarquias diretamente envolvidas, já prometem compensações económico-financeiras, iniciativas ambientais e outras. Basta ler o relatório da Comissão europeia: https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/A-9-2021-0184_PT.html

Mas Caminha, fica fora mais uma vez desta mesa. Pelo menos nas Eólicas terrestres, as Juntas de Freguesia ou os Baldios tem uma renda a reforçar os seus orçamentos e a câmara recebe, direta ou indiretamente, várias taxas e impostos.

O atual Secretário de Estado do Mar, enquanto Presidente de Câmara de Viana, garantiu para o seu Concelho todas as vantagens possíveis associadas a estes projetos. Viana terá os benefícios económicos e as compensações pelos danos.

Não há coincidências, a área definida acaba exatamente na linha que separa o Concelho de Caminha do de Viana (Forte do Cão). E o Presidente da Câmara de Caminha fez o quê?

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Já do lado Galego, o limite da área é exatamente na fronteira com as Águas Territoriais Portuguesas. E com uma área que é 6 vezes menor que a de Viana, os Pescadores e Ambientalistas Guardeses, estão a demonstrar o seu repúdio e a preparar-se para a luta.

No meio, Caminha, nem tida nem achada, com a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal em silêncio. Terá apenas os impactos negativos e sem nenhumas contrapartidas económicas para as suas populações.

Mas o que se pode esperar? Que apareçam nas manifestações como no caso do Lítio para sair nas fotografias, quando sentirem que o povo vai vencer?

A COREMA, as Associações de Pescadores, as Escolas, o que é que estão à espera?

A Consulta Pública, nada divulgada para não gerar alarido, foi no mês passado. Os Ambientalistas do regime só viram problemas nas zonas de Sintra-Cascais e Ericeira, Matosinhos e Sines, nem devem saber que a Ínsua é Portuguesa.

Fez a Câmara de Caminha algum documento no âmbito da Consulta Pública? Remeteu algum tipo de reserva ou preocupação ao Governo?

Fará um ano a 22 de Maio que publicamos o artigo https://jornalc.pt/caminha-e-rio-e-mar-no-mes-de-maio-da-mae-agua/ , lamentamos que tudo infelizmente continue na mesma. Os políticos que governam Caminha não assumem a Água, os Rios e o Mar como centro da sua visão e das suas políticas. Sem rumo e sem estratégia.

Podem os 11.000 Caminhenses que não votaram em quem os (des)governa mostrar que, ao contrário daqueles, conhecem bem a importância da Água, para o Concelho. Nas serras como no âncora, no coura, no minho ou no Mar.

As centenas de famílias de pescadores, do mar alto, como do corrico na foz, são a Alma do nosso Concelho, assim os Caminhenses livres e independentes, porque não dependem do emprego na câmara ou nas juntas, nas escolas ou nas IPSS que a Câmara subsidia, saibam honrar essa Alma e estar com eles na luta contra mais este crime que para Caminha se anuncia.

Figueira da Foz, 13/04/2023
in Memoriam Isabel Maria Verde

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