Produtores dizem que ataques do lobo ibérico ameaçam raças autóctones

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Associações de produtores de gado queixaram-se hoje do aumento dos ataques do lobo ibérico e da burocracia que dificulta as indemnizações do Estado, alertando que aquela espécie protegida está a destruir a pecuária e a ameaçar raças autóctones.

“Os ataques de lobo estão a destruir a pecuária tradicional do Norte de Portugal e a empurrar produtores para o abandono da atividade. Falamos de perdas que não são apenas monetárias, mas de património genético preservado ao longo de gerações, de raças autóctones que fazem parte do património nacional”, denunciou Rafael Azevedo, da UPGALL – União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos.

A associação foi ouvida na Assembleia da República, numa audição da Comissão de Agricultura e Pescas em que estiveram também presentes a ACOB – Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana, a ACERG – Associação de Criadores de Equinos da Raça Garrana, a Associação de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Mirandesa / Ovinos Mirandeses e o GRUPO LOBO – Associação para a Conservação do Lobo e do seu Ecossistema.

As associações sustentaram que a proteção do lobo ibérico não pode ser feita em prejuízo dos produtores, assinalaram dificuldades com as indemnizações do Estado e pediram para ser ouvidas.

Pelo PSD, o deputado Fernando Queiroga sustentou que “o lobo tem de ser preservado, mas não à custa do produtor”, acrescentando que o grupo parlamentar vai trabalhar para agilizar o processo.

O deputado do PS Pedro do Carmo observou que “não é solução que a proteção do lobo seja feita pelo esmagamento dos produtores de raças autóctones”, prometendo avançar com iniciativas para “defender o mundo rural”.

Pedro Frazão, do Chega, defendeu a necessidade de encontrar uma forma para que “o peso da conservação do lobo ibérico não caia sempre sobre os mesmos, senão os produtores vão capitular”, assinalando que o Estado “não está a funcionar bem”.

Jorge Pinto, do Livre, considerou que a questão burocrática é fundamental para aliar produtores e a proteção da espécie e Alfredo Maia, do PCP, questionou sobre os mecanismos que acelerem a averiguação dos ataques e a indemnização, reduzindo a burocracia.

Para Jorge Manuel Laranjinha, da ACOB, “nunca houve tantos problemas como há agora com o lobo”.

“Os ataques têm-se sucedido e, quando matam, não é um animal, é à dúzia”, vincou, referindo uma situação em que “morreram 30 e tal animais e só 15 foram pagos”.

Andrea Curtinhas, da Associação de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Mirandesa / Ovinos Mirandeses, afirmou que os produtores “não conseguem continuar a suportar o peso da proteção do lobo ibérico”.

“Estamos aos poucos a destruir a produção animal. Não podemos estar a preservar animais selvagens sem proteger a produção pecuária”, avisou.

José Antonio Leite, da ACERG, referiu-se aos ataques do lobo como “um problema crescente que ameaça a preservação da raça garrana”.

“A ACERG não defende qualquer posição contra o lobo. Mas salvar o lobo não pode significar condenar raças autóctones”, indicou, criticando a “teia burocrática” em torno das indemnizações.

O presidente do Grupo Lobo recusou que a associação receba subsídios do Estado e assegurou que não concorda “com a ideia de que o lobo tem de ser protegido por todas as formas”, sublinhando estar “do lado da resolução dos problemas”, defendendo “a prevenção e o apoio aos criadores e associações”.

A ministra do Ambiente disse a 05 de dezembro de 2025 que o Governo ia duplicar o valor das indemnizações pagas aos produtores, enumerando, naquele ano, o registo da morte de 435 animais por alegados ataques de lobos de 670 em 2024.

O Programa Alcateia 2025-2035, lançado pelo Governo, tem em 2026 um orçamento de 3,3 milhões de euros para proteger o lobo e indemnizar produtores. Identificou no país quatro núcleos populacionais: Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Sul do Douro, num total de 58 alcateias (56 confirmadas, 2 prováveis) e cerca de 300 animais.

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