Os vereadores do Partido Socialista na Câmara de Caminha acusam a presidente da Câmara de ter faltado à verdade quando afirma já ter respondido a todas as informações solicitadas pelos eleitos da oposição acerca do Pedido de Informação Prévia (PIP) para a instalação de uma superfície comercial Continente na freguesia de Vilarelho.
Recorde-se que numa reunião do executivo realizada no passado mês de janeiro, os vereadores da oposição solicitaram à presidente da Câmara cópias dos pareceres negativos que a chefe do executivo disse estar a receber por parte das entidades externas responsáveis pelo licenciamento daquela superfície comercial, documentos esses que nunca foram entregues e que fez com que os vereadores socialistas tivessem recorrido ao Tribunal para ter acesso aos mesmos. Apesar do Tribunal ter ordenado a entrega dos documentos, os eleitos socialistas afirmam continuar sem essas informações.

Na última reunião de Câmara, a vereadora Liliana Ribeiro (PS) perguntou à presidente da Câmara porque é que tinha afirmado na reunião de 4 de fevereiro que já tinha respondido às questões colocadas pelo PS, quando isso não correspondia à verdade.

Respondendo à pergunta feita pela vereadora do Partido Socialista, a presidente da Câmara voltou a afirmar que o que tinha sido perguntado tinha sido respondido e que não tinha mais informações para dar sobre o assunto, uma vez que o processo está em fase final de análise em sede própria e só quando essa análise for concluída é que dará mais informações.

A resposta da presidente não convenceu a oposição que voltou à carga com o assunto do Continente, desta vez pela voz do vereador Herculano de Almeida, que mais uma vez acusou a presidente da Câmara de faltar à verdade quando afirma ter prestado as informações solicitadas pelos vereadores socialistas.
Em resposta, Liliana Silva afirmou não ter faltado à verdade e confessou não perceber a insistência dos vereadores da oposição relativamente a este processo. A autarca afirmou desconhecer qualquer condenação da Câmara em Tribunal e disse que até estar concluído este processo é um “não assunto”.

A discussão do tema prosseguiu com a intervenção do vereador Rui Lages que começou por referir que a presidente da Câmara não podia alegar desconhecimento da condenação, uma vez que tinha recorrido da sentença.
O líder da oposição diz não compreender porque é que a Câmara não entrega os documentos e informações solicitadas, e perguntou mesmo o que é que se está a tentar esconder.
Liliana Silva não recuou nas suas afirmações e voltou a reiterar que todos os pareceres solicitados tinham sido entregues. A chefe do executivo garante que, ao contrário do Partido Socialista, não está a esconder nada nem a colocar entraves a nada nem a ninguém. Para a presidente da Câmara a questão do Continente não é um combate político, e garantiu que se o processo estiver legal é para avançar mas se não estiver é para parar.
Longe de terminar, o debate continuou com Rui Lages a lembrar as palavras proferidas por Liliana Silva quando afirmou que a Câmara não é do presidente nem dos vereadores, mas sim de todos e que as portas estão abertas para que todos possam consultar os processos. Para o vereador o que Liliana Silva diz depois não põe em prática e prova disso é a não entrega dos documentos solicitados.
Para rematar o assunto, a presidente do executivo reiterou que a Câmara está aberta a todos e nesse sentido propôs aos vereadores que se dirigissem aos serviços para consultar o processo do Continente e falassem com a chefe de divisão para lhes dar todos os esclarecimentos em vez de irem para Tribunal.
O Jornal C sabe que no final da reunião os vereadores socialistas tentaram falar com a chefe de divisão para que esta lhes disponibilizasse a documentação e informações pretendidas, mas a informação que lhes foi dada foi que a técnica já não se encontrava nos serviços.



