Na sequência da notícia publicada pelo Jornal C – O Caminhense no passado dia 10 de julho sobre o impasse de uma solução para o problema do Ferryboat Santa Rita de Cássia, varado há um ano nos estaleiros de A Guarda, em Espanha, a presidente da Câmara Municipal de Caminha, Liliana Silva, revelou finalmente o que está a bloquear o processo de desmantelamento da embarcação, já considerada inoperacional e sem viabilidade de recuperação.
As explicações foram dadas no decorrer da reunião de Câmara realizada ontem à tarde no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Segundo afirmou a autarca, o executivo municipal enfrenta atualmente inúmeras dificuldades para resolver o problema da embarcação. Desde logo, o facto de o barco se encontrar varado em Espanha, onde as regras para o seu desmantelamento são significativamente mais exigentes do que em Portugal. Para agravar a situação, a presidente da Câmara explica que, neste momento, não é possível obter uma licença que permita retirar a embarcação dos estaleiros de A Guarda e transportá-la para a margem portuguesa, face ao estado grave em que a mesma se encontra. Assim sendo, o seu desmantelamento terá de ser feito no próprio estaleiro onde se encontra desde 25 de julho de 2025.

Liliana Silva iniciou a explicação com muitas críticas a anteriores executivos por terem votado a embarcação ao abandono durante anos a fio sem qualquer manutenção.
A edil fala em inúmeras dificuldades para resolver o problema da embarcação. Desde logo, o facto de o barco se encontrar varado em Espanha, onde as regras para o seu desmantelamento são significativamente mais exigentes do que em Portugal. Por outro lado, o abate em Espanha obriga à elaboração de um estudo de impacto ambiental, diversos licenciamentos e custos elevadíssimos.
Liliana Silva lembrou que a reparação do barco está orçada em 1.2 milhões de euros, algo que diz ser incomportável para o município. Trazê-lo para o lado português também está fora de questão uma vez que a Câmara não consegue uma licença para o retirar do estaleiro devido ao estado de degradação em que a embarcação se encontra.






“Abater (o barco) só nos estaleiros onde está varado, e só depois de todas as licenças pendentes de chegar há meses”, disse.
Neste momento, a Câmara tem a decorrer um procedimento internacional para abate do ferryboat. Para a autarca, a decisão tomada no ano passado pelo anterior executivo de levar para o estaleiro espanhol a embarcação revelou-se “imprudente e ruinosa para o concelho de Caminha”. Liliana Silva fala em falta de estratégia, planeamento, avaliação de custos e procedimentos não acautelados.
Apesar das muitas dificuldades identificadas, a Câmara diz que o mais brevemente possível irá lançar um concurso internacional para abate da embarcação, “e não vão chegar 200 mil euros”, afirmou.

Em resposta à intervenção da presidente em relação ao ferryboat e “expurgando” a questão política, o atual líder da oposição na Câmara de Caminha, Rui Lages, explicou porque decidiu levar a embarcação para o estaleiro situado na outra margem.
Mas apesar de considerar que a decisão de rebocar o ferryboat para o estaleiro espanhol foi “ruinosa e imprudente”, a verdade é que no passado recente, a atual Presidente da Câmara, então vereadora da oposição, defendeu a necessidade de retirar a embarcação do banco de areia onde se encontrava para ser reparada. Em diversas reuniões camarárias defendeu isso mesmo e até chegou a sugerir ao então presidente da Câmara, Rui Lages, que falasse com o seu homólogo de A Guarda, Roberto Carrero, uma vez que este lhe tinha manifestado (a Liliana) disponibilidade para ajudar a retirar a embarcação do local onde se encontrava encalhada.
Tendo em conta a disponibilidade manifestada no passado pelo alcaide guardês em ajudar a resolver o problema do ferryboat, no final da reunião de ontem o Jornal C questionou a autarca caminhense sobre a possibilidade de o município de A Guarda ajudar o de Caminha a desbloquear esta situação. Liliana Silva disse não ser possível uma vez que a embarcação é propriedade do município de Caminha, duvidando mesmo da legalidade de uma possível ajuda.
Ao longo de quase três décadas de operação da travessia fluvial entre Caminha e A Guarda, as intervenções necessárias para resolver problemas relacionados com a embarcação foram quase sempre asseguradas pelo Município de Caminha. Agora, após o fim da vida útil do ferry e sem possibilidade de regressar ao serviço, o município caminhense continua a suportar encargos associados à permanência da embarcação em Espanha, país que beneficiou igualmente da ligação ao longo dos anos.
Recorde-se que o Ferryboat Sta. Rita de Cássia fez a sua última viagem em Julho do ano passado, 30 anos depois da sua chegada a Caminha.
Desde que tomou posse, o novo executivo liderado por Liliana Silva, garantiu como prioridade resolver o problema do ferryboat. A promessa de uma nova embarcação mais pequena para assegurar as travessias entre as duas margens foi prometida já para este verão, o que ainda não aconteceu, continuando assim o concelho de Caminha sem uma ligação à outra margem.



