Entre reboques, varadas e prolongamentos de varadas, a Câmara de Caminha já gastou 67.840,00 € com o Ferryboat Santa Rita de Cássia. O último contrato assinado com os estaleiros galegos, celebrado a 12 de Maio de 2026, para prolongamento da varada, ascende a 13.800,00 € e estende a estadia do ferryboat por mais 184 dias, ou seja, até 13 de Novembro. Desde que tomou posse, o novo executivo liderado por Liliana Silva, garantiu como prioridade resolver o problema do ferryboat, “desmantelá-lo”, já que a sua recuperação ascende a 1.2 milhões de euros, valor que considera incomportável para o seu arranjo. A promessa de uma nova embarcação mais pequena para assegurar as travessias entre as duas margens foi prometida já para este verão, o que ainda não aconteceu, continuando a outra margem a não passar de uma miragem.

Tudo começou em julho de 2025. Depois de anos a discutir com a oposição em Reuniões e Assembleias Municipais sobre a viabilidade da embarcação (que se encontrava parada desde 2022), o anterior executivo da Câmara de Caminha, liderado por Rui Lages, decidiu rebocar o ferryboat para “nova avaliação técnica”. Isto depois de admitir, dois anos antes, em Assembleia Municipal que a vida útil do barco “já foi”.
Só o reboque, realizado pela TINITA, empresa especializada neste tipo de operações, custou ao município 36.000,00 €.
O encalhe/varada da embarcação nos estaleiros galegos foi outra despesa e custou então 11.365,00 € aos cofres do município. No referido contrato com a Astilleros Guardamar, SLU, pode ler-se que a prestação de serviços teria início no dia a seguir à outorga do contrato (24 de Julho) e fim a 31 de Outubro de 2025.

Já o novo executivo da Câmara de Caminha, agora liderado por Liliana Silva, afirmou em Dezembro de 2025 que a reparação do Ferryboat custaria ao município 1.2 Milhões de Euros, valor que a presidente considerava demasiado elevado e portanto inviável. A confirmação foi dada ao Jornal C – O Caminhense pela própria presidente, que já estaria também a estudar, juntamente com o seu homólogo de A Guarda, Roberto Carrero, outra solução para retomar as travessias já em Março de 2026, com uma outra embarcação.
Contudo, a 13 de Fevereiro de 2026, a Câmara procede ao primeiro prolongamento da varada do Ferryboat, no valor de 6.675,00 €, cujo contrato não é possível aceder na plataforma Base Gov pois o seu valor é inferior a 10 mil euros.

Ainda sem outra embarcação e sem ser conhecida qualquer explicação justificativa, é celebrado, a 12 de Maio, mais um contrato com os estaleiros para um novo prolongamento da varada do ferryboat, no valor de 13.800,00 €, pelo período de 184 dias, ou seja, até sexta-feira, 13 de novembro de 2026.

Recorde-se que em Janeiro deste ano, a presidente da Câmara de Caminha disse estar a preparar dois procedimentos, um para desmantelar o Ferryboat Santa Rita de Cássia, e um outro para contratar um operador que pudesse, através de uma embarcação de baixo calado, restabelecer a ligação entre as duas margens mas apenas para passageiros. Isto seria decidido em Fevereiro e em princípio, até ao verão, teríamos uma nova embarcação com capacidade para 50 pessoas. Acontece que já estamos a meados de Julho e continuamos a gastar dinheiro público a manter o ferryboat nos estaleiros, sem a embarcação prometida e sem qualquer ligação a La Guardia.
O Jornal C – O Caminhense já questionou a presidente da autarquia para saber qual a razão que levou ao prolongamento da varada do ferryboat nos estaleiros galegos e acerca da nova embarcação prometida no início do ano. Até ao momento não obtivemos resposta.
“Sonhos” de Caminha são realidade nos municípios vizinhos
Aquilo que em Caminha é considerado um sonho ou impossível de realizar, noutros municípios é uma realidade. Enquanto a vila da foz do Minho ficou refém do Ferryboat (1995) e da má gestão do assoreamento do rio e do território, os municípios vizinhos foram, ao longo do tempo, abandonando as embarcações e criando ligações efetivas com Espanha, à excepção de Valença que já tinha ligação através de uma ponte desde 1886, que curiosamente teve os seus custos de construção divididos entre os governos Português e Espanhol.
Valença
– Ponte Rodo-Ferroviária
A ponte que liga Valença a Tuy começou a ser construída em 1882, tendo sido inaugurada em 25 de Março de 1886, como parte do Ramal Internacional de Valença. Foi projetada pelo arquiteto espanhol Pelayo Mancebo.
– Ponte Nova (Autoestrada A3)
Inaugurada em 1993, fica localizada a montante e é exclusiva para o trânsito rodoviário rápido.


Monção
– Ponte Internacional sobre o Rio Minho
Inaugurada em 1995, liga Monção à vila galega de Salvaterra de Miño, sendo o principal canal rodoviário de ligação a Espanha.

Melgaço
– Ponte Internacional Melgaço-Arbo
Inaugurada em 1998, permite a travessia de veículos e liga a estrada portuguesa (EN202) à rede rodoviária galega (PO-405) sobre o rio Minho.
– Ponte Pedonal de Cevide
Fica localizada na emblemática aldeia de Cevide (Cristoval), o ponto mais a norte de Portugal continental. É uma pequena ponte pedonal sobre o rio Trancoso, inserida nos Passadiços de Cevide que liga Portugal a Espanha, mais especificamente a localidade de Cevide à povoação de Acivido, na Galiza. Foi inaugurada no final de 2021, no âmbito de um projeto de requalificação da Câmara Municipal de Melgaço.


Vila Nova de Cerveira
– Ponte da Amizade
Com a construção da Ponte Internacional sobre o Rio Minho, entre Vila Nova de Cerveira (Portugal) e Tomiño/Goián (Espanha), concluída em junho de 2004, complementou-se o circuito viário entre o Minho e a Galiza, anteriormente estabelecido pelas pontes Valença – Tuy, Monção – Salvaterra e Peso – Arbo.

Caminha continua assim a ser o único concelho da ribeira do Minho sem uma travessia rodoviária direta para Espanha. A ligação à Galiza continua a depender exclusivamente do transporte fluvial, parado desde 2022.



