De 18 a 21 de Dezembro, o Museu de Artes Decorativas em Viana do Castelo vai ser palco do 1º Festival de Guitarra Clássica, o Cordas Douradas, que arranca já amanhã. Um encontro que celebra a música, a escuta e a partilha artística, organizado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo e pelo guitarrista João Carvalho, que promove o encontro entre gerações e a valorização da música de câmara e do património guitarrístico ibérico. São quatro dias dedicados à guitarra clássica com quatro oficinas de Ensemble, quatro Masterclasses e quatro Concertos com alguns dos mais conceituados guitarristas da atualidade. Vai também ser possível assistir a quatro recitais com jovens talentos de todo o Minho com especial destaque para os alunos da ARTEAM (Escola Profissional Artística do Alto Minho) da classe de Guitarra do professor João Passos, Eduardo Azevedo, David Gigante e António Vaz, três intérpretes emergentes de Viana do Castelo que têm ganho prémios por onde passam. António Vaz venceu em Abril o 1º prémio no Escalão D no Ilda Moura, no Porto, e em Julho o 2.º Prémio no Escalão B, no XVIII Concurso Internacional Paços Premium.

Em declarações ao Jornal C – O Caminhense, o Diretor Artístico do festival, João Carvalho, explica-nos que o Cordas Douradas, “é de certa forma, o culminar de vários anos de evolução do ensino e da performance da guitarra clássica na cidade de Viana do Castelo. Viana e o Minho sempre tiveram uma forte tradição ligada aos instrumentos de cordas, sobretudo no âmbito da música tradicional portuguesa. No entanto, a guitarra — ou, mais especificamente, a viola dedilhada — foi historicamente mais associada à cultura musical espanhola. Contudo, nas últimas décadas, a valorização e o ensino deste instrumento em Portugal e, em particular, no Minho, permitiram o enraizamento de uma nova cultura de apreciação da guitarra clássica enquanto instrumento solista. É neste contexto que surge o 1º Festival de Guitarra Clássica realizado na cidade de Viana do Castelo – “Cordas Douradas”, integrado na Capital da Cultura do Eixo Atlântico, com o objetivo de celebrar a relação dos vianenses com a guitarra clássica e afirmá-la como um eixo essencial da nossa identidade musical e cultural, que possa continuar em edições futuras.“
Durante 4 dias há muitas atividades para além dos concertos. O festival inclui masterclasses — ou classes magistrais — todas as tardes, das 14h00 às 18h00, “orientadas pelos mesmos músicos que se apresentam nos concertos noturnos. Estas sessões permitem aos jovens guitarristas aprender diretamente com intérpretes de carreiras reconhecidas a nível internacional.
Haverá ainda, todas as manhãs, das 9h00 às 11h00, uma oficina de ensemble, onde os alunos trabalharão em grupo com um mentor, explorando novas técnicas de execução e desenvolvendo competências de trabalho coletivo, num ambiente de aprendizagem e socialização. O trabalho desenvolvido culminará num recital conjunto, no último dia do festival, às 11h00“.
Por fim, João Carvalho destaca os recitais de jovens guitarristas ao final de cada manhã, entre as 11h30 e as 12h30, “onde o público poderá assistir à evolução e ao talento dos nossos jovens intérpretes, no mesmo espaço onde atuam os guitarristas convidados. É uma forma clara de demonstrar que no Minho há talento, cultura e um investimento sério na formação musical. Todas estas atividades decorrem de forma contínua ao longo dos quatro dias do festival.“
Os novos talentos da guitarra de Viana do Castelo



João Carvalho salienta que “são vários os jovens talentos emergentes, não apenas de Viana do Castelo, mas de todo o Minho. Entre eles destacam-se Eduardo Azevedo, David Gigante e António Vaz, alunos da ARTEAM da classe de guitarra do Professor João Passos.
Outros novos talentos que vão atuar no Festival Cordas Douradas são Simão Monteiro, da classe do Professor João Seixo, na Academia de Música Fernandes Fão; Hugo Eira; Tiago Mendes, de Barcelos; e João Coelho, de Ponte de Lima, todos eles a estudar em instituições de ensino superior de referência no estrangeiro, entre outros. Contaremos também com alunos mais jovens, como Abel Cruz, de Vila do Conde, demonstrando que o mais importante não é a idade, mas a dedicação, o trabalho e o amor pela arte. São guitarristas com um futuro muito promissor pela frente — e, acima de tudo, são talentos da nossa região“, disse.
Os melhores guitarristas da atualidade vão atuar em Viana do Castelo





O Diretor artístico do festival, também ele guitarrista – e que também vai atuar na abertura -, não poupa elogios aos ilustres convidados do Cordas Douradas. “Se falasse de cada um deles com o detalhe e o rigor que merecem, estaríamos aqui durante bastante tempo. Posso, no entanto, dizer que se trata de alguns dos mais reconhecidos e exímios guitarristas da atualidade, não apenas na Europa, mas a nível mundial, o que afirma este festival como um evento de dimensão verdadeiramente internacional. O cartaz inclui Petrit Çeku, do Kosovo; Edith Pageaud, de França; Graham Devine e Harold Gordon-Smith, de Inglaterra; e Francisco Gomes, natural de Viana do Castelo. No concerto de abertura, teremos ainda a participação de Rafael Eusébio Campos, um notável virtuoso da guitarra portuguesa. Eu também irei participar no concerto de abertura.“
Todos os concertos e recitais estão abertos à comunidade, “a todos aqueles que apreciam cultura e que desejam ouvir, descobrir e aprender algo novo”, rematou João Carvalho.
O “Cordas Douradas” – Festival Internacional de Guitarra Clássica arranca já amanhã, dia 18 dezembro, no Museu de Artes Decorativas em Viana do Castelo. A bilheteira estará aberta duas horas antes de cada concerto, e está sujeita à lotação do espaço.




