Património cultural marítimo e subaquático de Viana do Castelo vai ser estudado

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O património cultural marítimo e subaquático de Viana do Castelo, “uma das áreas com maior sensibilidade arqueológica em Portugal”, vai ser alvo de trabalhos arqueológicos a partir de segunda-feira.

A campanha, que se prolonga até ao dia 30, é promovida pelo Património Cultural, IP. e pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, envolvendo o estudo da sétima piroga monóxila encontrada na Ínsua, entre as freguesias de Mazarefes e Santa Marta de Portuzelo, que “será uma das peças arqueológicas em destaque nos trabalhos previstos nesta missão”.

Construída a partir de um único tronco de árvore, com mais de cinco metros de comprimento, a piroga vai poder ser visitada pela população no dia 22, pelas 17:30.

Nesta visita também “serão dados a conhecer os trabalhos de registo, tratamento e análise que vão ser desenvolvidos”.

A descoberta da primeira piroga remonta a 1985. As seis pirogas já classificadas foram recolhidas do rio Lima entre 1985 e 2008.

A “relevância do conjunto de seis pirogas, enquanto primeiro testemunho arqueológico da navegação em Portugal há mais de 2.500 anos e que se prolongou até à Baixa Idade Média, foi reconhecida em 2021 com a classificação de Tesouro Nacional, pelo seu valor científico e patrimonial, sem paralelo na Península Ibérica e único em Portugal”.

Os trabalhos arqueológicos da paisagem cultural marítima e subaquática de Viana do Castelo vão ser realizados pelo Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) do Património Cultural, Instituto Público e pela Unidade Orgânica de Arqueologia (UOA-CMVC) da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

“O objetivo é aprofundar o conhecimento científico do património arqueológico marítimo e subaquático de Viana do Castelo – uma das áreas com maior sensibilidade arqueológica em Portugal continental –, contribuindo para uma melhor gestão dos bens, o que inclui a sua salvaguarda, divulgação e valorização”, acrescenta a nota hoje enviada às redações.

Os “trabalhos a desenvolver nesta campanha resultam de uma articulação institucional de proximidade, cimentada nos últimos dois anos na sequência de importantes achados fortuitos encontrados no rio Lima e no mar de Viana do Castelo, e também no âmbito da salvaguarda preventiva deste património cultural”.

“No mar e no rio conhecem-se perto de uma centena de sítios arqueológicos, achados isolados e referências documentais para este património, cuja importância está bem patente no forte valor identitário e na intrínseca ligação dos vianenses com o mar”, lê-se no documento.

Outro dos objetivos dos trabalhos arqueológicos do CNANS “é a verificação de achados fortuitos que a comunidade local conhece ou encontra no mar”.

“Há mais de 30 anos que pescadores, mariscadores, caçadores submarinos e mergulhadores reportam vestígios arqueológicos na costa de Viana do Castelo. Pretende-se agora proceder ao inventário, localização, registo arqueológico e caracterização de vestígios como âncoras e ânforas romanas, anforetas, peças de artilharia e âncoras modernas e naufrágios contemporâneos encontrados frente a sítios como Viana do Castelo, Montedor, Amorosa e Castelo de Neiva”, refere a nota.

O CNANS e a UOA-CMVC “apelam à participação da comunidade marítima de Viana do Castelo para partilharem informações sobre peças e vestígios arqueológicos que saibam existir na frente ribeirinha, no rio Lima e no mar de Viana do Castelo”.

O resultado preliminar dos trabalhos de arqueologia marítima e subaquática será apresentado no dia 29 de maio, pelas 17:30, na Biblioteca de Viana do Castelo.

A participação em ambas as atividades é gratuita, mas requer inscrição prévia através do ‘email’ arqueologia@cm-viana-castelo.pt.

Os trabalhos a desenvolver nesta campanha terão a participação da Cátedra da UNESCO “O Património Cultural dos Oceanos”, através do CHAM – Centro de Humanidades, e a colaboração dos Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo, do Centro de Formação Regional de Viana do Castelo (CFRVC- CNE JR), do centro de mergulho Cavaleiros do Mar e do achador Mário Jorge, entre outros elementos.

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