Carnaval em Caminha: Quando o poder apaga a memória

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As atividades promovidas pela Câmara de Caminha relacionadas com o Carnaval foram o mote para uma intervenção da deputada da Coligação OCP, Beatriz Novo, no período antes da ordem do dia da última Assembleia Municipal que teve lugar na sexta-feira dia 27 de fevereiro.

Beatriz novo 27 fev

Segundo a deputada, as referidas atividades “deram vida ao concelho” e “dinamizaram o comércio local durante 3 dias”, “projetaram o concelho de Caminha e promoveram o território em época baixa”, algo que, como sublinhou, “merece ser reconhecido e valorizado”.

Beatriz Novo elogiou o programa de Carnaval promovido pelo executivo, referindo que o mesmo foi “capaz de atrair famílias e associações locais”, o que na sua opinião demonstrou por parte da Câmara “visão e compromisso com o desenvolvimento económico e social do concelho”.

Liliana silva 27 fev 2026

Liliana Silva, presidente da Câmara de Caminha, ouviu e gostou das palavras da eleita da sua bancada a quem agradeceu o rol de elogios.

Mas será que a chefe do executivo pensou sempre desta forma?

Vejamos: enquanto esteve na oposição foram muitas as vezes que Liliana Silva se insurgiu contra este modelo de Carnaval, nomeadamente contra a realização do desfile na segunda-feira à noite, o que, para além de obrigar ao encerramento ao trânsito da Rua de São João e do Terreiro, prejudicando os comerciantes daquela zona da vila, também a passagem dos carros alegóricos de grandes dimensões causa danos no piso. Outra das críticas prendia-se com os avisos municipais de condicionamento de trânsito e estacionamento tardios durante esta quadra carnavalesca, entregues a munícipes e comerciantes em cima da hora. Isso mesmo foi dito pela então vereadora da oposição numa reunião de câmara realizada a 19 de Fevereiro do ano passado.

Liliana Silva criticava ainda a falta de alternativas de estacionamento e a ausência de diálogo com os comerciantes locais.

Era de esperar que alguma coisa mudasse quando Liliana Silva chegou ao poder, mas a verdade é que nada disso aconteceu. Aliás, aconteceu sim, mas foi apenas a alteração do nome da iniciativa, que passou de “A Famosa Cegada é o Carnaval em Caminha” para “Le Gran Finale – Corso Noturno”.

Folia para uns, prejuízo para outros

Quanto ao resto, nada mudou. A rua voltou a ser encerrada logo a seguir ao almoço – apesar de estar anunciado o seu encerramento a partir das 19 horas – causando prejuízo aos comerciantes que durante a tarde ficaram com os seus estabelecimentos às moscas.

À semelhança de anos anteriores, o aviso de corte não foi feito com a devida antecedência e o horário que o mesmo estabelecia (19h00 – 04h00) não foi cumprido.

Os carros alegóricos voltaram a passar sem que houvesse preocupação pela preservação do espaço público, que quando danificado tem de ser o executivo a assumir as despesas da sua reparação.

Desfile noturno le gran finale

À noite os restaurantes pouco faturaram porque a hora do desfile coincide com a hora de jantar, algo que no passado também mereceu duras críticas de Liliana Silva, que chegou mesmo a sugerir a alteração do horário e dia do desfile.

Mas a verdade é que o modelo continua exatamente o mesmo porque a autarca diz que este ano não houve tempo para fazer as mudanças necessárias.

Será que para o ano isso vai acontecer? Teremos de esperar para ver. Uma coisa é certa, com tantas repetições do que “de mau” se realizava no passado, não seria expectável um discurso mais contido em relação ao “The Carmival” na Assembleia Municipal? Fica a pergunta.

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