A presidente da Câmara de Caminha, Liliana Silva, acusou o Partido Socialista (PS) que governou a Câmara nos últimos 12 anos, de ter deixado ao abandono e sem qualquer manutenção, vários edifícios públicos do concelho. A chefe do executivo fala em total “inércia” que resultou em centenas de problemas em vários edifícios, nomeadamente o da Biblioteca Municipal, como o Jornal C noticiou. A garantia da obra já expirou e por isso vai ter de ser a Câmara a assumir as reparações não só na Biblioteca como em muitos outros edifícios, algo que segundo a autarca vai “hipotecar” projetos para o futuro.
A situação já era do conhecimento de Liliana Silva antes de se ter tornado presidente da Câmara de Caminha, no entanto a chefe do executivo caminhense não fazia ideia que era tão grave.
“Sim, tive conhecimento mais aprofundado há dois meses, desde que tomamos posse. Sobre o telhado do museu eu própria já tinha dado conhecimento daquela situação em reunião de câmara no mandato anterior. No entanto, desconhecia na altura o estado lastimoso em que se encontram todos os equipamentos municipais por total inércia e falta de cuidado e intervenções dos últimos 12 anos.
Estiveram 12 anos ao abandono e agora, somos nós que vamos ter que resolver os problemas todos e são centenas. Até em salas do edifício dos serviços municipais chove dentro.
Numa obra nova, como a do Museu do Mar em Vila Praia de Âncora, está a cair água do teto, como se fosse na rua. O Centro coordenador de transportes em Vila Praia de Âncora até tem musgo nas paredes. O Abrigo dos animais não teve manutenção nos últimos 12 anos. O Posto de turismo de Vila Praia de Âncora está caótico. Escolas, pavilhões, paços do concelho, monumentos como a Torre do relógio, em todo o lado o que encontramos foi o caos, porque nunca trataram do bem público. E agora somos nós, que vamos ter que resolver. Mas não o conseguimos fazer em dois meses”, explica.
Liliana Silva diz que é preciso “programar, planear, agendar, arranjar mão de obra, investir para dar dignidade aos equipamentos públicos”. Pra a presidente da Câmara “a situação é grave e muito preocupante e não temos mãos a medir a tantos problemas com que nos temos deparado. A Biblioteca e o Museu são mais uma amostra do estado em que estão todos os equipamentos públicos e que foi a grande herança que nos deixaram- a do desleixo completo”, atira.
Sobre as razões pelas quais se verifica esta degradação numa obra com apenas 10 anos, a edil não em dúvidas que foi por “desleixo total e falta de manutenção”.
“Quando a falta de manutenção chega a estes extremos obriga a que agora os investimentos tenham que ser superiores e avultados.
Isto vai hipotecar projetos de futuro, isso é certo, porque temos de começar por arrumar a casa e o estado dela, entenda-se todos os equipamentos municipais ou outros que são da nossa responsabilidade. Isso vai obrigar-nos a fazer muitas escolhas. Estou chocada com o que encontrei. Sabia que estava mal, mas nunca pensei que estivesse tão mal”.
Quanto à garantia da obra é de apenas 5 anos, o que significa que o prazo já expirou há muito. Assim sendo terá de ser a Câmara a fazer investimento e a verba terá de sair do orçamento municipal, “porque nestes doze anos não fizeram nada, nada, nada para manter o mínimo de dignidade nos equipamentos públicos” reiterou.



