Porque hoje é sexta: CINISMO

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Amnésia e Bipolaridade são dois transtornos do foro mental que muitos portugueses sofrem e uns quantos, aproveitam. Hoje o autor reflete sobre o Cinismo, a propósito dos Caretos em Conluio e, das Crenças da (má) Consciência dos Covardes (In)Coerentes.

Na Grécia Antiga, Cinismo foi uma doutrina filosófica que se caracterizava pelo desprezo total pelas convenções sociais e opiniões geralmente aceites, defendendo as vantagens de uma vida reta, simples e virtuosa, que era sinónimo de felicidade.

Na aceção moderna do termo, Cinismo equivale a Descaramento, Imprudência, Atrevimento, Sarcasmo e/ou Hipocrisia. Ora, esta interpretação tem muito pouco ou nada a ver com a original definição do termo. Ou terá?

Em boa verdade, quando hoje em dia apelidamos alguém de Cínico, porque despreza as convenções sociais e aqueles que definem as “opiniões geralmente aceites”, estaremos ou não a fazer-lhe um elogio?

Quando um ser humano, sem Amnésia nem Transtorno Bipolar, defende as vantagens de uma vida reta, simples e virtuosa em busca da felicidade, sendo – quiçá até sem Consciência disso mesmo- um Cínico, logo os guardiões das convenções sociais que mais convém aos próprios, definidas pelas suas próprias crenças, o catalogam como tal, mas adicionando à crença alguma das novas aceções do termo, Imprudente, Atrevido ou Hipócrita.

O que os Caretos “não sabem nem sonham” é que o Cínico olha com desprezo para esses adjetivos, porque são somente um reflexo de quem sente a necessidade de os usar, porque esses Covardes, na sua InCoerência e para não sucumbir à sua má-Consciência, só por imprudência ou hipocrisia seriam capazes de ser Cínicos, no sentido filosófico do termo.

Só em Conluio por detrás dos Caretos, são esses Guardiões das Convenções Sociais, capazes de questionar -mas sem nunca desprezar realmente- as convenções sociais que as opiniões geralmente aceites lhes inculcam.

Com a demonização do Capital versus o endeusamento do Trabalho, substituíram a Nobreza detentora das terras e do poder militar e o Clero doutrinador dos rebanhos, por um conjunto de “eleitos” que em Conluio, detém nas suas mãos o poder económico sobre metade do rebanho, que depende direta ou indiretamente do estado; e o poder legal, policial e militar sobre a outra metade.

Com a comunicação social direta ou indiretamente dependente, detém esses guardiões eleitos, o poder de definir as opiniões geralmente aceites e em Coerência as convenções sociais, que mais lhes Convém.

Arregimentam as Hordas classificando como Descarado, Imprudente, Atrevido, Sarcástico e Hipócrita todo aquele que despreze os seus ditames.

Cínicos de todo o mundo, Uni-vos!” escreveriam hoje Marx e Engels ao olhar para as opiniões geralmente aceites e para as convenções sociais que os seus discípulos e apaniguados construíram, Covardemente e em Conluio Hipócrita.

Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2024

Carlos Araújo
Carlos Araújo
Economista

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