Em 19 Outubro, 2017 Por Em Opinião

“Halloween” e “Mês das Almas”

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) dedicou a “Todos os Santos” o panteão romano. Com o passar dos séculos passou a celebrar-se a solenidade de “Todos os Santos” no dia 1 de novembro. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een”, até chegar à palavra atual “Halloween”.

A celebração do 31 de Outubro vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos “neo pagãos”, e em alguns casos assume até mesmo o caráter de celebração satânica e ocultista. Hollywood contribui para isso com vários filmes, entre os quais se destaca a série Halloween, na qual a violência plástica e os assassinatos reinam. Muitos desses filmes, apesar das restrições de exibição, acabam sendo vistos por crianças. A ligação dessa festa com o mal e com o ocultismo comprova-se também pelo fato de que na noite do 31 de outubro se realizam em muitos lugares missas negras e outras reuniões deste tipo.

O dia 1 de Novembro inicia o “Mês das Almas”, tão devotamente vivido em tantas Comunidades Paroquiais, com as visitas ao cemitério mais intensas, com a festa das Almas do Purgatório, chamada “Jubileu das Almas”, em que as pessoas em cada Paróquia são chamadas à conversão, através do sacramento da Penitência celebrado em todas as igrejas paroquiais, o ofício solene de laudes ou vésperas cantado pelos sacerdotes, os emotivos sermões das Almas do Purgatório, o despertar cedinho do dia 2, Comemoração dos Fiéis Defuntos, em que as celebrações eucarísticas começam antes do raiar do sol…

Nas Paróquias a que Cristo me chamou a ser Pároco, assim como em tantas e tantas outras, há uma profunda vivência deste mês, com imenso dinamismo promovido pela piedade e devoções católicas e pela solidariedade e comunhão entre os seus habitantes.

Deve haver sempre o cuidado e sensibilidades pastorais para que os actos organizados e apoiados pelos católicos não ofendam algumas sensibilidades: o fantasma que possa “vaguear” pelas ruas pode ser visto como a alma do pai de alguém que já morreu… o morto vivo que anda a pedir “trick or treat”, vivendo uma tradição que não é nossa, pode ser vista como sendo a mãe falecida que vagueia por aí… as “alminhas” são pessoas santas que, após a morte, se preparam para entrarem na vida plena do Céu, pelo que, na minha óptica, não fica bem usar as “alminhas” para os festivais que às vezes se fazem nessa altura!

Noutras alturas do ano, como no carnaval, por exemplo, as mesmas máscaras podem não ter o impacto que têm nesta altura! Sei que interessa ao comércio, pois esta é uma época “baixa” para as trocas comerciais, mas nem tudo está à venda! O que é sagrado para nós não se vende por preço nenhum! Esta é uma quadra de serenidade e paz que as pessoas procuram para si e (para quem professa a fé católica) para os que partiram à nossa frente. Comungo perfeitamente da distinção entre o civil e o religioso, mas os “civis” são “religiosos” e é em nome da sensibilidade católica que me pronuncio.

  1. Paulo Emanuel

Acerca de

Cidália Aldeia

Chefe de Redação