A equipa vencedora do concurso de ideias para a construção da futura ponte pedonal e ciclável sobre o rio Lima, Viana do Castelo, disse que o “principal desafio” foi “conciliar a sua coexistência com a Eiffel”.
“Um dos principais desafios da conceção de uma nova ponte no local proposto no programa de concurso lançado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo é a sua coexistência com a Ponte Eiffel, inaugurada em 1878. É indubitavelmente uma infraestrutura de grande valor histórico e patrimonial, símbolo da cidade, com uma identidade visual muito marcada devido ao seu tabuleiro duplo, à estrutura de treliça metálica de altura constante e à sua característica cor verde”, destacam o engenheiro Pedro Cabral e o arquiteto espanhol Hector Beade.
Os dois especialistas participaram ontem na inauguração, no Passeio das Mordomas da Romaria, da exposição das quatro propostas que concorreram ao concurso de ideias lançado pela autarquia em 2022.
O projeto vencedor propõe “uma diretriz em ‘S’, afastando-se, ao longo de uma grande parte do seu desenvolvimento, da Ponte Eiffel”.
O “traçado em ‘S’ é uma mais-valia da solução, não só pelo afastamento à ponte existente, mas também pelo efeito que provoca na circulação pedonal. Em causa estão vãos com cerca de 60 metros e a superestrutura é do tipo de uma ponte de tirantes multissuspensão, com um único plano de tirantes e um único tirante por vão”,
Segundo a ideia, “a ponte sobre o rio Lima tem um desenvolvimento de 570 metros, em curva e em ‘S’, prologando-se para os acessos por rampas com 60 metros e 225 metros, respetivamente, no lado norte e sul, sendo que o comprimento total da ponte é de cerca de 855 metros”.
Esta “nova travessia pedonal e ciclável vem ao encontro da política de sustentabilidade ambiental e de utilização dos chamados modos suaves para circulação e junta-se a outras ações do Município, como a utilização de veículos elétricos para os transportes urbanos – TUViana, e ainda para a frota do município, a que se juntam as ecovias e ciclovias que atravessam todo o concelho”.
A nova estrutura vai igualmente “aumentar a segurança rodoviária no tabuleiro da Ponte Eiffel, retirando peões e bicicletas, que passarão a utilizar a nova via, e irá ainda fomentar o já muito concorrido movimento turístico dos peregrinos do Caminho Português da Costa”.
Presente na inauguração da exposição, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, disse que projeto de execução da obra ainda não vai ser iniciado, o que impede um cálculo do investimento previsto e de quando está concluída.
A decisão política está tomada e escolheu a ponte designada Regada, realçou o autarca socialista.
Segundo os autores do projeto, “a nova infraestrutura deve integrar-se harmoniosamente no tecido urbano existente, tornando-se um catalisador eficiente para um uso mais inclusivo das zonas a serem interligadas”.
“Tem tantos apoios no rio quanto a Ponte Eiffel, mantendo o alinhamento dos seus pilares para promover uma coexistência positiva entre ambas as estruturas e cumprir os requisitos hidráulicos e de navegação do rio Lima naquela zona, sendo que os apoios têm uma forma em V assimétrica, um dos elementos do V constitui o mastro do qual é suspenso um dos lados do tabuleiro enquanto o outro serve de suporte direto o lado oposto”.
“Como gesto de respeito pela ponte histórica, o ponto mais alto dos mastros, com uma altura máxima de 9,1 metros acima do tabuleiro, coincide com o nível superior do tabuleiro da Ponte Eiffel”, sustentam.
Há ainda “um mastro e um único plano de cabos de atirantamento por mastro, alcança-se uma clareza e limpeza estrutural que permitem uma relação harmoniosa entre as duas pontes”.
As formas do tabuleiro “também fazem referência a elementos representativos do artesanato tradicional Vianense e, portanto, da identidade de Viana do Castelo, tais como os corações e os bordados de Viana”.
“A planta curvilínea do tabuleiro, a inclinação dos mastros e a alternância da sua posição em relação ao tabuleiro, para além de proporcionarem uma experiência de travessia atraente e dinâmica, evocam a imagem de uma formação de veleiros no mar”, reforçam.



