Cerveira recebe encerramento do ‘Soam as Guitarras’ com dois concertos históricos

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Tim & Pedro Jóia e Pedro Caldeira Cabral encerram a estreia do festival no Alto Minho

Depois de uma estreia em grande no Palco das Artes – com o concerto de Diogo Piçarra a esgotar a sala e a noite de Manel Cruz & Peixe a confirmar que Vila Nova de Cerveira é já uma nova paragem incontornável na geografia musical portuguesa -, o ‘Soam as Guitarras’ 2026 fecha o ciclo no Alto Minho com dois concertos que o festival guarda para o fim: a Antologia da Cítara Portuguesa pelo trio de Pedro Caldeira Cabral (30 de maio) e o encontro entre Tim e Pedro Jóia (29 de maio), dois nomes que raramente partilham um palco – e que quando o fazem, acontece qualquer coisa de especial.

TIM & PEDRO JÓIA — QUANDO O ROCK E O FADO SE ENCONTRAM

Tim não precisa de apresentação. A voz dos Xutos & Pontapés é um dos rostos mais amados da música portuguesa – um artista que atravessou décadas, géneros e gerações sem perder a autenticidade e a ligação visceral ao público. Para além dos Xutos, Tim tem sido um dos mais firmes defensores da canção em língua portuguesa, com a sua atividade nos Resistência e no Rio Grande, e com uma carreira a solo que continua a surpreender.

Pedro Jóia é uma das maiores referências da guitarra clássica e da guitarra ibérica em Portugal. Duas vezes galardoado com o Prémio Carlos Paredes – a mais alta distinção da guitarra portuguesa -, colaborou com artistas como Mariza, integra a Resistência ao lado do próprio Tim, e tem uma obra discográfica que abrange do fado à canção de autor, passando pela guitarra flamenca. O Público descreveu-o como “um guitarrista de rara sensibilidade, capaz de fazer a guitarra falar como poucos em Portugal”.

Este encontro no palco de Cerveira é, portanto, muito mais do que um concerto: é o encontro de dois percursos que se cruzaram repetidamente ao longo de décadas, reunidos agora num formato intimista onde a guitarra de Jóia dialoga com a voz inconfundível de Tim. No alinhamento – que inclui temas como “Jogo do Empurra”, “Voar”, “A Noite”, “Zeca – Cantigas de Maio” e o inevitável ponto de interrogação (uma surpresa que os próprios guardaram para o palco) -, estão alguns dos temas que marcaram a música portuguesa dos últimos trinta anos.

PEDRO CALDEIRA CABRAL — A LENDA VIVA DA GUITARRA PORTUGUESA

Há nomes que definem um instrumento. Pedro Caldeira Cabral é isso para a guitarra portuguesa. Nascido em Lisboa em 1950, é investigador, compositor, intérprete e autor – alguém que dedicou mais de cinquenta anos a resgatar, reconstruir e elevar um instrumento que esteve à beira do esquecimento e que hoje se apresenta nas principais salas de concerto e festivais da Europa, dos EUA ao Brasil, passando pelo Japão, Marrocos e China.

Galardoado com o Prémio Carlos Paredes pela obra “O Labirinto da Guitarra / Antologia”, fundador dos grupos La Batalla (1984) e Concerto Atlântico (1991), responsável pela direção artística do Festival de Guitarra Portuguesa na Expo 98, autor do livro “A Guitarra Portuguesa” e de dezasseis álbuns editados nas principais editoras internacionais – incluindo a EMI, RCA e BMG -, Caldeira Cabral é uma referência incontornável da música portuguesa e da música antiga europeia.

No Palco das Artes de Vila Nova de Cerveira, apresenta a “Antologia da Cítara Portuguesa” – um programa extraordinário que traça uma viagem de cinco séculos de música, dos cancioneiros medievais de Pedro de Escobar até às suas próprias composições. Acompanhado por Joaquim António Silva (guitarra clássica) e Duncan Fox (contrabaixo), integrantes do seu trio desde os anos 80 e 90, este é o concerto mais erudito e mais completo desta edição do festival – e uma oportunidade única para o público do norte do país.

O CCB, o Teatro São Luiz, o Museu do Fado e o Bragança ClassicFest já apresentaram este trio. Vila Nova de Cerveira recebe-o agora pela primeira vez.

VILA NOVA DE CERVEIRA: UMA ESTREIA QUE JÁ É UMA CONFIRMAÇÃO

Na 10.ª edição do Soam as Guitarras, Vila Nova de Cerveira entra pela primeira vez no roteiro do festival, juntando-se a Oeiras, Setúbal, Póvoa de Varzim e Oliveira do Bairro. A escolha do Palco das Artes como palco não foi acidental: a ‘Vila das Artes’, conhecida pelo seu festival de arte contemporânea de referência europeia, tem uma relação íntima com a criação e com o público que sabe escutar.

Os primeiros dois concertos já aconteceram – e a resposta foi inequívoca. Diogo Piçarra abriu o ciclo a 15 de maio com a sala esgotada, numa noite de guitarra e voz que a Rádio Vale do Minho e a Aurora do Lima destacaram como “um concerto que ficará na memória de Cerveira”. Manel Cruz & Peixe encheram o Palco das Artes a 16 de maio com uma noite de cumplicidade e memória que confirmou o apetite do público do Alto Minho para este tipo de proposta.

Ficam agora os dois concertos mais esperados: Tim & Pedro Jóia a 29 de maio e Pedro Caldeira Cabral a 30 de maio. Bilhetes disponíveis na Ticketline e no próprio dia do concerto no Palco das Artes, a partir das 15h00.

Um projeto Câmara Municipal de Oeiras | Ghude. Coprodução: Câmara Municipal Póvoa de Varzim | Câmara Municipal de Setúbal | Câmara Municipal de Oliveira do Bairro e Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira

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