Valença: Câmara espera por financiamento do Governo para prejuízos de mau tempo

Data:

O presidente da Câmara de Valença manifestou-se esta quarta-feira “preocupado” com a demora no financiamento que o Governo prometeu para a recuperação dos estragos causados pelo mau tempo de 1 de janeiro no distrito de Viana do Castelo.

“Sei que são trabalhos morosos porque o temporal não atingiu apenas o concelho de Valença (…), mas é um pouco preocupante termos infraestruturas, umas que já foram reparadas e não recebemos o dinheiro e, outras que ainda estão por executar e não sabemos se vão ser aprovadas ou não”, afirmou o socialista José Manuel Carpinteira, em declarações à agência Lusa.

O autarca adiantou que o arranque da empreitada de reconstrução da muralha da fortaleza, que ruiu parcialmente na sequência do temporal de 01 de janeiro, e que estava inicialmente prevista para começar em setembro, orçada em cerca de dois milhões de euros, só deverá avançar antes do final do ano.

“Atrasou um pouco a aprovação do projeto. Temos ainda de lançar o concurso público. Até final do ano [começará a obra], garantidamente. (…) São precisos cerca de dois milhões de euros que o Governo disse que ia pagar a 100%”, referiu.

O monumento, classificado como Património Nacional desde 1928, está sob a tutela do Ministério das Finanças, mas cabe à Direção-geral de Tesouro e Finanças, Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) acompanhar o município na reabilitação do pano de muralha que ruiu, na zona da Coroada.

A fortaleza encontra-se em processo de classificação como Património da Humanidade, pela UNESCO. A candidatura conjunta com as fortalezas abaluartadas de Almeida e Marvão foi apresentada, em dezembro de 2022, à Comissão Nacional da UNESCO.

Além da reconstrução da fortaleza, José Manuel Carpinteira destacou a recuperação da ecopista do rio Minho, ainda por executar e que implica um investimento de mais de 400 mil euros, bem como a reabilitação do edifício da Escola Superior de Ciências Empresariais, estimada em mais de 100 mil euros”.

“São as obras que mais me preocupam. Não vamos iniciar a sua recuperação se não tivermos a certeza do financiamento”, assegurou.

O autarca socialista referiu que “a listagem dos prejuízos” elaborada pela autarquia foi confirmada “no terreno” pelos técnicos da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), mas até agora não há informação sobre o financiamento.

“Vão adiando. Era para ser em junho, depois julho. Estamos em agosto e não sabemos nada (…). O que nos dizem é que estão à espera do despacho do Governo para assumirem esses prejuízos. Já fizemos a recuperação de alguns estragos, sobretudo de vias municipais que estavam interrompidas, embora saibamos que só vão pagar 60% do que foi executado. Até agora não recebemos nada.

Em Valença, a segunda cidade do distrito de Viana do Castelo, o levantamento dos estragos causados pelo mau tempo ronda os 3,8 milhões de euros, sem IVA. No Alto Minho, os prejuízos estimam-se em 20 milhões de euros.

Caminha lidera a lista dos municípios com mais prejuízos provocados pelo mau tempo, com mais de 13 milhões de euros. Segue-se Valença com 3,8 milhões de euros, valor que não integra a recuperação da muralha que desabou.

Ponte da Barca somou danos no valor de 1,9 milhões de euros, Viana do Castelo 1,8 milhões de euros e Vila Nova de Cerveira 1,5 milhões de euros. Melgaço está em último lugar, com 108 mil euros de prejuízos.

A Lusa contactou a CCDR-N e o ministério da Coesão Territorial, mas até ao momento não recebeu resposta

Lusa

Partilhar Artigo:

spot_img
spot_imgspot_img

Populares

Outros Artigos
Relacionados

Ministério do Ambiente estuda financiamento de 6 ME a ecovia e ETAR em Melgaço

O ministério do Ambiente vai estudar o financiamento de...

Melgaço e Ponte de Lima perdem dois autocarros expresso para o Porto

A empresa de transportes Auto Viação do Minho (AV...

Investimento de 3,5 ME para explorar marinas de Viana do Castelo cria 16 empregos

Um grupo de investidores de Viana do Castelo vai...