O executivo camarário aprovou na passada quarta-feira, com a abstenção dos vereadores da oposição (PS), a delimitação da Área de Reabilitação Urbana (ARU) – Ventura Terra na freguesia de Seixas, um procedimento que, segundo a presidente do executivo, Liliana Silva, vai permitir recuperar a Casa Ventura Terra, um edifício que é propriedade da Câmara e que neste momento se encontra em avançado estado de ruína.
O PS justificou a sua abstenção com o facto das plantas fornecidas pela Câmara estarem a uma escala muito reduzida, o que segundo a oposição não permite saber com exatidão qual a área da freguesia que vai ser abrangida pela ARU. Os vereadores da oposição quiseram ainda saber quais tinham sido os critérios para a escolha da área abrangida e se a Junta tinha sido consultada acerca deste procedimento.

Liliana Silva começou por destacar a importância deste procedimento urbanístico que traduz “uma visão estratégica para Seixas e para o desenvolvimento cultural e urbanístico” daquela freguesia, que considerou ter um enorme potencial cultural.
A ARU Ventura Terra elaborada pela Câmara vai permitir, segundo a presidente, iniciar a requalificação de todo um património e trajeto cultural que importa potenciar.
Mas apesar da ARU ter sido aprovada em reunião de Câmara e posteriormente ter de ir à Assembleia Municipal, Liliana Silva fez questão de esclarecer que isso não significa que as obras na Casa Ventura Terra vão ser todas feitas este ano. Como sublinhou, trata-se de um projeto faseado. A Câmara vai procurar possíveis candidaturas, disse.

Relativamente a este ARU apresentado pela Câmara, o vereador Herculano Almeida (PS) perguntou se o mesmo tinha sido discutido com a junta de freguesia, nomeadamente no que toca à área que vai abranger.


Outra das questões colocadas pelo vereador prendeu-se com o critério definido pela Câmara para fixar a área que está delimitada na proposta, uma vez que através dos desenhos apresentados não é possível determinar.
Em resposta, Liliana Silva garantiu que a junta de freguesia tinha sido contactada e que a delimitação da área tinha sido determinada tendo em conta um estudo feito pela arquiteta Lurdes Carreira que engloba a denominada rota dos 4 artistas.

O vereador Rui Lages (PS) também usou da palavra neste ponto da ordem de trabalhos, para reiterar a dificuldade em interpretar os mapas disponibilizados pela Câmara tanto em formato papel como digital, que não permitem perceber qual a área em concreto que é abrangida pela ARU proposta pela Câmara.
Apesar das dúvidas, Rui Lages considerou ser importante encontrar todos os mecanismos legais possíveis para conseguir reabilitar a Casa Ventura Terra, sublinhado que a reabilitação daquele edifício também foi uma das propostas do Partido Socialista durante a campanha eleitoral.
Em resposta à intervenção de Rui Lages, Liliana Silva referiu que intenções “há muitas” mas que tinha sido o seu executivo que tinha posto “mãos à obra” para avançar com a ARU para Seixas. Relativamente às dúvidas apresentadas pelos vereadores da oposição, nomeadamente no que se refere à área em concreto que a ARU vai ocupar, a edil desvalorizou e disse que não ia estar ali a discutir se as linhas dos mapas iam mais uns centímetros para um lado ou para outro.
Com as dúvidas apresentadas por esclarecer, os vereadores da oposição optaram pela abstenção sendo a proposta aprovada com os votos favoráveis da maioria PSD.



