Andreia Lourenço casou no dia 11 de Outubro e foi eleita presidente de Junta da União de Freguesias de Arga (Baixo, Cima e São João) no dia 12. Natural de Arga de Baixo, Andreia tem 36 anos e é bordadeira desde 2023. Optou por candidatar-se a estas autárquicas de 2025 de forma independente, formando a JPPA (Juntos Pelo Progresso das Argas), para garantir representatividade plural e evitar condicionamentos partidários, uma vez que os membros da sua equipa são de vários partidos. A sua candidatura venceu ao Partido Socialista por 4 votos no passado dia 12 de Outubro. Recorde-se que desde 2017 apenas uma lista, a JPA – Juntos pela Arga (independente com o apoio do PS) concorria à Assembleia de Freguesia das Argas. Só em 2025 é que essa candidatura deixou de ser independente, passando a ser do Partido Socialista, e sendo apenas uma lista, “não era muito democrático”, afirmou a eleita, que diz representar pessoas de vários partidos.
Andreia Lourenço destaca como principais necessidades das freguesias da Arga a implementação da toponímia, o transporte para idosos, as melhorias em acessos e iluminação, além da limpeza florestal para prevenção de incêndios. Valoriza o turismo e a cultura local, ressaltando a importância de equilibrar o desenvolvimento turístico com a preservação da identidade rural. Aponta a necessidade de melhorar a infraestrutura de telecomunicações para fixar jovens e famílias na região, reconhece a responsabilidade da sua lista independente na Assembleia Municipal e espera manter uma relação cordial com a Câmara e outras Juntas de Freguesia. A eleita demonstra otimismo quanto ao futuro das Argas, com projetos para melhorar a qualidade de vida e reduzir a sensação de isolamento da comunidade.

Em entrevista exclusiva ao Jornal C – O Caminhense, noa passado dia 23 de Outubro, Andreia Lourenço começou por explicar que a candidatura surgiu por necessidade, uma vez que “apenas uma lista numas eleições não é muito democrático e nem toda a gente se identificava com ela”, até porque nestas eleições essa lista era do Partido Socialista e não independente (com o o apoio do PS) como nas últimas duas autárquicas, de 2017 e 2021.
O facto da sua candidatura ser totalmente independente é também uma forma de evitar condicionamentos políticos. “Não estamos unidos por sermos daquele partido, estamos unidos porque temos a mesma visão para as Argas”, disse.
Para a eleita, a grande vantagem da independência é poder olhar para os projetos que são melhores para o concelho e votar em consciência, sem amarras partidárias.
Esta foi uma vitória inédita para Andreia Lourenço e para a comunidade das Argas, não só por ser a primeira mulher eleita presidente daquela Junta, mas também por ser uma equipa maioritariamente jovem, algo que não acontecia há bastante tempo.
Para Andreia Lourenço, as necessidades das Argas são claras: transporte de e para a sede do concelho, especialmente para os mais idosos, melhores acessos e iluminação, alargamento das limpezas de estrada e organização de mais eventos. Mas a grande prioridade é a toponímia, porque segundo a eleita, nas Argas há casas sem número e ruas sem nome, algo que é “impensável nos dias de hoje”.

Andreia Lourenço vai tentar apressar a questão da toponímia, um projeto que “teima” em não sair do papel mas que faz muita falta. Até ao fim de 2025, a eleita espera ter isso resolvido.
Mais do que o transporte para a sede do concelho para os idosos poderem fazer as suas compras, ir ao médico ou à farmácia ou mesmo só para visitar Caminha, também a criação de locais de convívio abrigados e o aumento da regularidade da Unidade Móvel de Saúde naquelas freguesias são algumas das medidas que, segundo a nova presidente de Junta, poderiam melhorar muito a qualidade de vida nas Argas.
Andreia Lourenço regressou da capital para a Serra D’Arga em 2021, no entanto reconhece que fixar jovens nas Argas com as condições atuais não é fácil. Por isso, a seguir à toponímia é preciso começar já a trabalhar na melhoria do sinal de rede das principais operadoras de telecomunicações, algumas sem qualquer cobertura naquelas freguesias, pois “quem se fixe cá e queira por exemplo trabalhar remotamente, neste momento não o consegue fazer, porque às vezes estamos dias sem conexão à internet”.
As Argas são conhecidas pela paisagem, pelo santuário e pela identidade das suas tradições, que atrai muitos turistas. Mas Andreia Lourenço não quer turismo a qualquer preço, até porque iria contra o estilo de vida da região.

Ter um projeto para promover os produtos locais, como o mel e os enchidos, seria para a eleita uma mais valia e algo que poderiam apoiar, “mas nas Argas produz-se muito para consumo próprio ou para dar a amigos e familiares, não propriamente para vender.”
Andreia Lourenço acredita que a relação com a Câmara Municipal vai ser boa precisamente por não ter amarras políticas.
Apesar de representar poucos eleitores, a presidente de Junta da União de Freguesias das Argas vai ser, juntamente com o deputado do Chega, o fiel da balança na Assembleia Municipal nos próximos 4 anos. Mas isso não é algo que assuste Andreia Lourenço, que vê precisamente na sua independência a possibilidade de decidir, sem constrangimentos, o que é melhor para as suas freguesias e também para o concelho.
Esse papel importante na Assembleia Municipal poderá trazer mais visibilidade à Serra D’Arga, o que Andreia Lourenço irá aproveitar para trazer mais projetos para a região, uma vez que grande parte do orçamento é gasto, e bem, em limpeza florestal.

Daqui a 4 anos, implementadas todas as suas ideias, a nova presidente de Junta da União de Freguesias das Argas espera que já ninguém se lembre que estiveram tanto tempo sem nomes de ruas nem números de portas e que os quilómetros que separam as Argas de Caminha não voltem a ser assunto.
Andreia Lourenço, a primeira mulher presidente de Junta da União de Freguesias de Arga (Baixo, Cima e São João), em entrevista exclusiva ao Jornal C – O Caminhense.



