Liberdade de imprensa e cobertura eleitoral em Caminha

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Durante os últimos 12 anos, a Rádio Caminha e o Jornal C – O Caminhense, em edição impressa e online, foram alvo de um boicote político por parte do executivo socialista que liderou a autarquia: ausência de publicidade institucional do município e das empresas intermunicipais, exclusão de informação e tentativas de silenciamento.

Enquanto isso, a publicidade era canalizada para órgãos de fora do concelho, para um jornal nacional e até para um projeto local apenas digital, de menor expressão. Parte destes contratos, na sua maioria ajustes diretos, está registada no portal base.gov e refletida em diversas publicações que difundiram informação municipal sem a devida identificação, em violação da lei.

Não se tratou de uma política de comunicação, mas sim de exclusão, cujo objetivo era enfraquecer os nossos órgãos de comunicação, promovendo concorrência desleal. O resultado foi duplamente negativo: prejudicou os meios que verdadeiramente servem os caminhenses e limitou o direito dos cidadãos a uma informação livre, plural, próxima e fundamentada.

Apesar das dificuldades, nunca deixámos de cumprir a nossa missão. Ainda assim, durante este período, realizámos entrevistas, organizámos debates e acompanhámos campanhas eleitorais, porque acreditamos que a liberdade de imprensa é um direito dos cidadãos. Contudo, esse esforço raramente foi reconhecido pelos partidos e forças políticas concorrentes.

Por isso, nestas eleições autárquicas, a nossa cobertura será diferente. Não realizaremos entrevistas individuais nem debates entre candidatos. Limitaremos o acompanhamento a reportagens sobre ações de campanha, garantindo aos leitores e ouvintes acesso à informação essencial sobre as propostas em disputa.

A edição online do Jornal C – O Caminhense, recentemente renovada, permanecerá gratuita até 12 de outubro. Assim, todos terão livre acesso às nossas reportagens independentes e ao arquivo, que mostra o outro lado da notícia, para lá da simples reprodução de notas de imprensa.

Esta decisão não é contra os candidatos, mas um convite à reflexão. A imprensa independente não pode ser tomada como garantida. Quando o poder político tenta condicionar os meios locais, não são apenas os jornalistas que perdem: é a democracia que se empobrece e os cidadãos que ficam menos informados.

Caminha merece uma democracia consciente, e esta exige imprensa livre. Foi isso que demonstrámos nos últimos 12 anos, mesmo sem o financiamento municipal a que temos direito, e é isso que continuaremos a defender.

Recordamos ainda que o nosso projeto não se resume a este período: soma já 54 anos de jornalismo com sede e redação próprias.

Os desafios que enfrentamos são os mesmos que a imprensa livre enfrenta em todo o mundo. Mantemos a intenção inicial de prestar serviço público com a mesma dedicação de sempre, ao lado da comunidade e da democracia.

Contamos, como até aqui, com o vosso apoio.

A Diretora,
Elsa Cepa

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