Insultos sexuais, ameaças à integridade física, passando por ameaças de morte com arma de fogo e agressões a peregrinos, Andreia Rebouço garante que desde que iniciou a sua atividade como operadora marítimo turística no rio Minho em Caminha, nunca mais teve um dia de sossego. A denúncia foi feita no período destinado à intervenção do público da última Assembleia Municipal (AM) que teve lugar na passada semana no Teatro Valadares.

Proprietária de uma embarcação que transporta peregrinos de Santiago até à margem galega, Andreia queixa-se dos muitos problemas que é obrigada a enfrentar diariamente apesar de ter feito várias queixas junto das autoridades que, como revelou, nada fazem para acabar com as agressões de que é alvo. Isso mesmo relatou na Assembleia Municipal do passado dia 29 de abril.
Andreia Rebouço diz ter pedido há um ano uma licença para publicitar oficialmente a sua operadora, licença essa que até ao momento ainda não foi emitida apesar de garantir já a ter pago. A munícipe perguntou ainda ao executivo o porquê de não existir no local de embarque, na marginal de Caminha, um espaço físico para poder vender bilhetes e carimbar os passaportes às centenas de peregrinos que chegam diariamente a Caminha.
Segundo Andreia Rebouço a falta de condições que os peregrinos de todo o mundo encontram quando chegam a Caminha é um péssimo cartão de visita para o concelho e dá uma má imagem.
A falta de apoio à sua empresa e a promoção de outras operadoras “sem condições”, por parte das funcionárias do Posto de Turismo de Caminha, foi outra das queixas apresentadas pela proprietária da embarcação.
Por fim questionou o executivo sobre a plataforma que se prevê instalar para que as operadoras possam laborar em conjunto, e alertou uma vez mais para as ameaças que sofre diariamente.

Com a presidente da Câmara impedida pelo regimento da AM de dar respostas às questões levantadas pela munícipe, coube aos deputados abordar este assunto. A deputada socialista Paula Aldeia aconselhou a munícipe a dirigir-se a uma reunião de Câmara para obter respostas diretas às suas questões. A eleita mostrou-se preocupada, lamentou a situação relatada e apelou ao entendimento dos operadores.

Ao contrário dos restantes deputados, Ricardo Cunha da OCP foi para a reunião munido de informação acerca deste problema até porque, como referiu, teve o cuidado de previamente andar de gabinete em gabinete a recolher informações para poder responder à munícipe substituindo-se desta forma à presidente da Câmara de Caminha.

Esta informação privilegiada detida por um deputado municipal que exerce também um cargo de confiança política na Câmara de Caminha, com funções no Gabinete de Apoio à Vereação, não agradou ao deputado socialista Miguel Gonçalves que questionou se os restantes eleitos da AM também tinham acesso a essa informação privilegiada.

Por fim, o deputado João Ramos do Chega agradeceu à munícipe a coragem de ter ido até à AM denunciar a situação e mostrou-se chocado com as situações relatadas, “algumas de índole criminal”, como sublinhou.
“Guerra” entre Marítimo turísticas de Caminha denunciada na última Assembleia Municipal, no passado dia 29 de Abril.
Sem ponte e com o ferry inoperacional, Caminha, que para muitos peregrinos é o último ponto de paragem em Portugal no Caminho de Santiago, tem nas operadoras turísticas a única possibilidade de assegurar a passagem para a outra margem. No entanto, e a julgar pelos relatos feitos pela empresária na AM, o serviço apresenta muitas falhas e sentimento de insegurança, algo que prejudica a imagem de Caminha no mundo, tendo em conta a rapidez com que circula a informação hoje em dia.
O Jornal C questionou a GNR de Caminha acerca das queixas relatadas pela munícipe. Até ao momento ainda não obtivemos resposta.



