Com o apoio: Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Âncora Mar Restaurante, Taberna do Nelson, Restaurante Napoli e Restaurante Vitória Mar


Oiça a primeira parte em Podcast:
ECOS DO PASSADO À BEIRA-MAR
Gontinhães é o nome histórico da atual Vila Praia de Âncora, situada no concelho de Caminha, no Alto Minho. Durante séculos, esta localidade foi conhecida por Gontinhães, uma designação antiga que remonta à Idade Média e que está ligada à organização rural e paroquial da região. A povoação desenvolveu-se entre o mar e a serra, beneficiando da fertilidade dos campos e da riqueza do Atlântico. A pesca, a agricultura e o pequeno comércio foram, desde cedo, as principais atividades económicas. A sua posição estratégica na foz do rio Âncora favoreceu também a navegação e as trocas comerciais com outras localidades do litoral minhoto. Ao longo do século XIX e início do século XX, com o crescimento da atividade piscatória e a chegada do caminho-de-ferro, Gontinhães ganhou maior dinamismo e projeção regional. Em 1924, a povoação foi elevada à categoria de vila e passou a designar-se oficialmente Vila Praia de Âncora, nome que destaca a sua forte ligação ao mar e à praia, hoje um dos seus maiores atrativos. Apesar da mudança de nome, Gontinhães permanece na memória coletiva como a designação histórica da terra, refletindo as suas raízes rurais e comunitárias. Atualmente, Vila Praia de Âncora é conhecida pela sua tradição piscatória, pelas festas religiosas e pela beleza natural que combina praia, rio e montanha, mantendo viva a herança histórica de Gontinhães.

Vila Praia de Âncora é uma vila de forte identidade histórica e cultural que combina o encanto da natureza com um património rico e diversificado. A presença humana na região remonta a tempos muito antigos, como se testemunha no Dólmen da Barrosa, um monumento megalítico datado do Neolítico e classificado como Monumento Nacional de Portugal, que evidencia as primeiras ocupações pré-históricas no Vale do Âncora. Outro marco importante é o Forte da Lagarteira, também conhecido por Forte de Âncora, uma fortificação do século XVII construída durante a Restauração da Independência para defender a costa atlântica e hoje classificada como Imóvel de Interesse Público. Este forte tem sido objeto de reabilitação e recebe o Espaço de Memórias do Mar, um núcleo dedicado à história marítima local e à ligação ancestral entre a comunidade e o oceano. O património religioso e etnográfico também se destaca, com igrejas e capelas centenárias espalhadas pelo território, além de um museu paroquial que preserva arte sacra e objetos arqueológicos que narram a história da vida quotidiana e da fé das gentes locais. Este conjunto de elementos — monumentos megalíticos, fortificações militares, edifícios religiosos e memoriais culturais — faz de Vila Praia de Âncora um lugar onde o passado e o presente se entrelaçam, refletindo a memória coletiva da comunidade.

“HERÓIS E TALENTOS QUE FIZERAM E FAZEM A HISTÓRIA DA VILA”
Vila Praia de Âncora preserva a memória de figuras que deixaram marcas profundas na cultura, no desporto e na vida comunitária local. Entre os nomes mais reconhecidos está Quim Barreiros, cantor e compositor nascido em 1947, cuja música popular conquistou Portugal e continua a ecoar pelas festas populares de norte a sul do país.

A sua carreira, recheada de humor e irreverência, é um orgulho para a comunidade local e uma referência cultural da região. No âmbito da política e serviço público, destaca-se a figura do Dr. Luís Inocêncio Ramos Pereira, médico e político, que trabalhou ativamente pelo desenvolvimento da vila no início do século XX, promovendo melhorias na infraestrutura local e apoiando serviços essenciais ligados à atividade marítima. O seu filho, Contra Almirante Ramos Pereira, seguiu o caminho da Marinha Portuguesa e é homenageado em monumentos da vila, sendo lembrado como uma das figuras mais ilustres da história local.
O desporto também deixou a sua marca em Vila Praia de Âncora. Romeu Silva, nascido em 1954, brilhou nos relvados portugueses, jogando em clubes de topo como Sporting CP, SL Benfica e FC Porto, e representando a seleção nacional. A sua trajetória inspira jovens desportistas da vila e reforça a ligação da comunidade ao futebol.
Outras personalidades, como Rodrigo Lourenço da Rocha e Francisco José Torres Sampaio, contribuíram significativamente para a vida social, cultural e turística da região, fortalecendo tradições e promovendo o desenvolvimento económico local. Vila Praia de Âncora não é apenas um destino turístico: é uma vila que guarda a memória de quem a fez crescer. Entre músicos, políticos, militares e desportistas, a história da vila é contada através das vidas daqueles que nela nasceram ou nela deixaram uma marca indelével.

ENTRE A TRADIÇÃO MARÍTIMA E O DINAMISMO TURÍSTICO DO ALTO MINHO
Esta é hoje uma das freguesias mais dinâmicas do Alto Minho, afirmando-se como um
importante polo residencial, turístico e económico da região. Com uma população que ronda os 4.600 habitantes, é a freguesia mais populosa do concelho e desempenha um papel central na sua vida social e económica.
A ligação ao mar marca profundamente a sua história. Inicialmente um pequeno núcleo de pescadores e agricultores, a freguesia desenvolveu-se em torno da atividade piscatória, que durante séculos sustentou a economia local e moldou as tradições da comunidade. A construção do porto de mar, já no século XX, veio reforçar essa ligação, proporcionando melhores condições de trabalho aos pescadores e contribuindo para a modernização da vila.
Ao longo do século XX, Vila Praia de Âncora conheceu um crescimento significativo, impulsionado pela melhoria das acessibilidades, pela expansão do comércio e pela crescente procura turística. A extensa praia de areia, uma das mais conhecidas do Norte do país, tornou-se um dos principais atrativos da freguesia, atraindo veraneantes de várias regiões e também do estrangeiro. A prática de desportos náuticos, como o surf e o kitesurf, ajudou a projetar o nome da vila para além das fronteiras locais. Paralelamente, o setor dos serviços ganhou peso, com o aparecimento de unidades de alojamento, restauração e comércio, tornando a vila um importante centro económico dentro do concelho de Caminha. Apesar dessa transformação, mantém uma forte identidade cultural, visível nas festas religiosas, nas tradições ligadas ao mar e no quotidiano da comunidade piscatória.
Nos últimos anos, a freguesia tem enfrentado desafios comuns a muitas zonas costeiras, como a pressão urbanística, a sazonalidade do turismo e as alterações demográficas. Ainda assim, continua a afirmar-se como um espaço de equilíbrio entre qualidade de vida e desenvolvimento económico, beneficiando da proximidade ao mar, da envolvente natural e da sua posição estratégica no litoral minhoto.
Hoje, Vila Praia de Âncora representa um exemplo de adaptação às mudanças económicas e sociais, preservando a sua memória coletiva enquanto se projeta como um dos principais destinos turísticos e residenciais do concelho de Caminha.

UM POLO DE CULTURA, DESPORTO E LAZER
A vila distingue-se pelo forte dinamismo associativo que reforça a identidade local através do desporto, da cultura e do lazer. As diversas instituições têm desempenhado um papel central na promoção de atividades que envolvem todas as faixas etárias, consolidando a comunidade como um verdadeiro polo de vivência coletiva.
No desporto, destacam-se clubes como o Âncora Praia Futebol Clube, que incentiva a prática do futebol desde cedo entre crianças e jovens, e a Associação Desportiva Juventude Vila Praia, focada no hóquei em patins e em atividades desportivas para todas as idades. A Associação de Cicloturismo do Vale do Âncora (ACVA) promove passeios de bicicleta e eventos ligados ao cicloturismo, enquanto o Clube de Praticantes de Karaté de Caminha – Dojo de Vila Praia de Âncora oferece treino e formação em artes marciais. Na natação, destaque para o recém-formado Clube Atlânticos do Âncora que embora jovem, já se destaca na modalidade ao vencer importantes torneios. O Clube Ancorense de Caça e Pesca é outro dos exemplos.
No plano cultural, instituições como o Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora dinamizam tertúlias temáticas, eventos comunitários e estudos sobre a memória e património local, através do seu Centro de Memória. O Orfeão de Vila Praia de Âncora, com mais de meio século de história, mantém viva a tradição musical e teatral da vila, participando em festivais e celebrações locais. Já a Academia de Música Fernandes Fão dedica-se ao ensino e promoção da música, organizando aulas e concertos que enriquecem a vida cultural da comunidade. O Etnográfico de Vila Praia de Âncora, que este ano comemora o 50º aniversário, é um dos melhores ranchos folclóricos do concelho, com inúmeras atuações nacionais e no estrangeiro. O NUCEARTES – Núcleo de Estudos e Artes do Vale do Âncora é uma associação cultural e ambiental com sede na vila que merece destaque pela sua atividade ligada à arte, cultura, ambiente e património do Vale do Âncora.
Estas e muitas outras associações sediadas na vila, constituem o coração pulsante de Vila Praia de Âncora, tornando-a num espaço onde tradição, desporto e cultura se cruzam, oferecendo experiências diversificadas e enriquecedoras a residentes e visitantes.

VIDAS DE SAL E MAR
Muito antes de Vila Praia de Âncora se afirmar como destino balnear, já as suas gentes viviam do que o Atlântico lhes oferecia. A atividade piscatória, que remonta pelo menos ao século XVIII, foi o alicerce económico e social que permitiu o crescimento da comunidade e moldou a sua identidade coletiva. Os primeiros registos históricos apontam para a utilização do chamado “Porto de Âncora” como abrigo
sazonal de embarcações, sobretudo durante os meses de verão. Pescadores oriundos da Galiza e de localidades vizinhas encontravam ali condições relativamente favoráveis para a faina, aproveitando a enseada natural junto à foz do rio Âncora.

Foi, contudo, no século XIX que a pesca ganhou um caráter permanente. Famílias fixaram-se junto à costa, formando um núcleo piscatório estruturado. O contributo de pescadores galegos revelou-se decisivo, quer na introdução de técnicas de captura, quer na utilização de embarcações tradicionais adaptadas às características do litoral rochoso e de mar agitado. Com o passar das décadas, o número de embarcações aumentou e a pesca deixou de ser apenas um meio de subsistência para se tornar numa atividade com expressão comercial. A melhoria das vias de comunicação, nomeadamente a chegada do caminho-de-ferro no final do século XIX, facilitou o escoamento do pescado para mercados mais amplos, reforçando a importância económica da atividade.
Durante grande parte do século XX, a pesca foi uma das principais fontes de rendimento da vila. À volta da faina desenvolveu-se uma economia paralela: venda de peixe nas feiras, pequenas conserveiras artesanais, comércio local e restauração. O mar sustentava famílias inteiras e organizava o quotidiano da comunidade. Mais do que uma atividade económica, a pesca tornou-se um elemento central da identidade de Vila Praia de Âncora. A divisão de tarefas era clara: enquanto os homens enfrentavam o mar, muitas mulheres asseguravam a venda do pescado e a gestão doméstica. As histórias de naufrágios, tempestades e dias de abundância fazem parte da memória coletiva. As tradições marítimas continuam presentes na cultura local, refletindo-se na gastronomia — com destaque para pratos de peixe fresco e caldeiradas — e nas festividades ligadas ao mar. O antigo portinho, apesar das limitações estruturais, permanece símbolo dessa herança. Atualmente, a pesca aqui mantém-se ativa, ainda que enfrentando desafios como a instabilidade das capturas, as condições do porto e as exigências do mercado. Apesar disso, continua a envolver dezenas de profissionais e a representar um importante complemento económico, coexistindo com o crescimento do turismo. Num tempo em que muitas comunidades costeiras perderam a ligação às suas raízes marítimas, Vila Praia de Âncora preserva a memória de gerações que fizeram do mar sustento e destino.

A atividade piscatória não é apenas parte do passado — é um legado vivo que continua a marcar o presente e a projetar o futuro da vila. O Portinho mantém-se como peça central da atividade piscatória local, mas continua a enfrentar problemas estruturais que condicionam o trabalho diário dos pescadores. Pequeno em dimensão, mas grande em significado para a comunidade, o porto de abrigo revela sinais de desgaste e limitações que há vários anos motivam pedidos de intervenção. A infraestrutura, essencialmente vocacionada para a pesca artesanal, serve dezenas de embarcações tradicionais. No entanto, o assoreamento frequente da barra dificulta a entrada e saída dos barcos, sobretudo em períodos de mar mais agitado. Durante o inverno, a ondulação forte expõe fragilidades no sistema de proteção, obrigando, em alguns casos, os pescadores a procurar abrigo noutros portos da região. Além das dificuldades de navegação, as condições logísticas para descarga e comercialização do pescado continuam limitadas. A falta de modernização das estruturas compromete a eficiência da atividade e aumenta os custos operacionais, afetando diretamente o rendimento das famílias que dependem da faina. Ao longo dos últimos anos têm sido discutidas propostas de requalificação, incluindo dragagens regulares e o reforço do quebra-mar. A comunidade piscatória defende que uma intervenção estrutural é urgente para garantir maior segurança, estabilidade económica e melhores condições de trabalho.
Apesar dos constrangimentos, o portinho permanece um símbolo da identidade de Vila Praia de Âncora. É ali que, diariamente, se mantém viva uma tradição secular ligada ao mar — uma herança que continua a sustentar a economia local e a marcar o ritmo da vida na vila. Um investimento previsto entre 2026 e 2030, com um custo estimado em pelo menos 15 milhões de euros, pretende melhorar a segurança da navegação através da construção de um anteporto e outras intervenções estruturais, abrindo perspectivas de modernização da atividade local.

Senhora da Bonança – Onde a fé encontra o mar
A Romaria de Nossa Senhora da Bonança que se realiza todos os anos em Vila Praia de Âncora tem lugar no mês de setembro. Esta Romaria, uma das últimas do calendário cultural e religioso do Alto Minho, é um dos momentos mais marcantes da vila e do concelho de Caminha, reunindo anualmente milhares de fiéis e visitantes. A vila transforma-se no cenário da Romaria de Nossa Senhora da Bonança, um evento que combina religiosidade, cultura e lazer. As ruas enchem-se de cor e movimento, com animação musical, feiras de artesanato e exposições que celebram a identidade e o património do Alto Minho. Para além das missas e procissões dedicadas à padroeira, a festa oferece uma experiência única aos visitantes, reunindo tradições, gastronomia local e convívio entre comunidades. Com raízes profundamente ligadas à tradição marítima da região, esta romaria presta homenagem a Nossa Senhora da Bonança, considerada protetora dos pescadores e das gentes do mar. A devoção remonta a séculos passados, quando comunidades piscatórias, frequentemente expostas aos perigos do Atlântico, recorriam à fé como forma de proteção e esperança.


















Segundo registos históricos e tradição oral, a imagem da santa terá sido associada a relatos de salvamentos milagrosos durante tempestades, o que consolidou o seu culto ao longo do tempo. A festa ganhou particular expressão a partir do século XIX, acompanhando o crescimento da atividade piscatória em Vila Praia de Âncora. Desde então, a romaria evoluiu, mantendo o seu carácter religioso, mas incorporando também elementos festivos que atraem visitantes de várias gerações e regiões do país e da vizinha Galiza.







O ponto alto das celebrações é a imponente procissão ao mar, um momento de forte carga simbólica em que a imagem de Nossa Senhora da Ínsua é transportada numa embarcação engalanada, acompanhada por dezenas de barcos de pesca. Este ritual, que combina fé e tradição marítima, constitui uma das manifestações mais singulares do património imaterial português. A romaria inclui concertos, feiras tradicionais, fogo de artifício e diversas iniciativas culturais que dinamizam a economia local e reforçam a identidade comunitária. Mais do que uma festa, a Romaria de Nossa Senhora da Bonança é um testemunho vivo da ligação entre um povo e o mar, onde a fé, a história e a cultura se entrelaçam, perpetuando uma tradição que continua a marcar gerações em Vila Praia de Âncora.

Oiça a segunda parte em Podcast:
AO SABOR DA MARESIA…
Chega-se a Vila Praia de Âncora como quem abre uma janela pela primeira vez numa casa virada para o mar. O comboio abranda, o carro serpenteia pela marginal, a estrada desce suavemente, e de repente o Atlântico revela-se — vasto, azul inquieto, respirando sal e vento. O amanhecer em Vila Praia de Âncora é um convite à tranquilidade. As primeiras luzes do dia surgem lentamente no horizonte, tingindo o céu de tons suaves de rosa, laranja e dourado, enquanto o Atlântico ainda repousa em silêncio. A brisa fresca da manhã traz consigo o cheiro a sal e a maresia, e o som das ondas a bater suavemente na areia cria uma melodia calma que desperta os sentidos.
Caminhar pela marginal ou pela praia nesse instante é sentir a vila ainda adormecida, com os primeiros barcos a mover-se no porto e as esplanadas a prepararem-se para o dia. Cada respiração parece mais pura, e cada momento revela a beleza simples e serena de um novo começo à beira-mar. O visitante pára, não por cansaço, mas por assombro. A luz ali tem qualquer coisa de diferente, não é apenas claridade. É uma luz que parece tocar a pele com dedos frios e luminosos. O cheiro a maresia mistura-se com o aroma doce das padarias e pastelarias que acordam cedo, e o som das ondas chega como um sussurro antigo, repetido há séculos. De volta à marginal, sentimo-nos pequenos diante da imensidão do mar e, ao mesmo tempo, estranhamente acolhidos. O casario, os cafés onde as pessoas se cumprimentam pelo nome, os pescadores que arrumam redes com gestos aprendidos de geração em geração — tudo transmite uma sensação de pertença, mesmo a quem chega de fora. Quando pisamos a areia pela primeira vez, o vento atlântico envolve-nos como um abraço firme. Não é um abraço suave, é vivo, salgado, quase desafiante.

UM MAR QUE NÃO É SÓ PAISAGEM…
O mar ali não é apenas paisagem, é presença, é força, é memória… A paisagem parece não reconhecer limites. E enquanto observamos o encontro entre o céu e o oceano, sentimos algo raro, uma espécie de silêncio interior. Não porque não haja sons, mas porque tudo parece encaixar — o bater das ondas, o chilrear das gaivotas, o riso distante de crianças na praia. A partir do meio-dia, a vila convida a saborear um almoço à beira-mar, com o Atlântico como cenário de fundo. Nas esplanadas da marginal, ou num restaurante ou pequena tasca das vielas do Portinho, o cheiro do peixe fresco grelhado e do marisco recém-cozido mistura-se com a brisa marítima, despertando o apetite. Pratos como robalo, dourada, polvo à lagareiro ou arroz de marisco chegam à mesa, acompanhados de um bom vinho verde da região, tornando cada garfada uma celebração dos sabores locais. O ambiente descontraído, o som suave das ondas e o movimento tranquilo das pessoas completam a experiência, transformando o almoço num momento de prazer que prolonga a magia da costa norte de Portugal.


ÂNCORA MAR RESTAURANTE, UM ESPAÇO DE VISITA OBRIGATÓRIA
Numa das transversais da Marginal, mais precisamente na rua Cândido dos Reis, encontra-se o Restaurante Âncora Mar, um espaço de referência e de visita obrigatória. Da ementa destacam-se os filetes de pescada com açorda, o arroz de marisco ou tamboril, os peixes grelhados e os mariscos. Mas se preferir carne, pode optar pelo naco de vitela ou a picanha. Para sobremesa não perca o melhor bolo de bolacha do mundo feito pelas mãos da cozinheira Goreti Agostinho.


NAPOLI BY BRUNO PEREIRA – SABORES DE ITÁLIA NA MARGINAL
Mas se preferir uma comida diferente, pode optar pelos sabores de Itália e degustar uma pizza ou uma pasta no Restaurante Napoli By Bruno Pereira situado na marginal, que dispõe de esplanada com vista para o mar. Para sobremesa sugerimos o tiramissu de chocolate do Dubai.
À medida que o dia avança, o visitante descobre que Vila Praia de Âncora não se impõe, revela-se, devagar… No horizonte, o sol começa a pôr-se pintando o céu de laranja e púrpura, refletindo-se na água como se o mundo estivesse momentaneamente em chamas. E então acontece algo subtil: quem vem de outras paragens deixa de se sentir visitante. Há um instante — talvez ao final da tarde, talvez ao caminhar descalço junto à rebentação — em que percebe que aquela vila não é apenas um lugar no mapa. É um estado de espírito.


TABERNA DO NELSON, O SPOT IDEAL PARA CONTEMPLAR O PÔR DO SOL
Com um ambiente descontraído, a esplanada da Taberna do Nelson é o spot de excelência para quem gosta de ambientes informais. O edifício destaca-se pela sua bela fachada e é o local ideal para encontrar amigos e degustar um prato de camarão da costa ou uma navalheira. A sopa de peixe é a especialidade da casa bem como a tortilha caseira. A simpatia e o sorriso contagiante da Aida fazem deste espaço um local de visita obrigatória em Vila Praia de Âncora.
Mas a vila não se visita apenas. Sente-se. E, quase sem dar conta, leva-se consigo um pouco daquele vento, daquela luz e daquele mar — como se o coração tivesse aprendido um novo ritmo, compassado pelas ondas do Atlântico. À noite, a marginal ganha uma aura acolhedora e encantadora. As luzes suaves dos restaurantes refletem-se na água calma do Atlântico, enquanto o aroma do peixe grelhado e do marisco fresco se volta a misturar com a brisa marítima. Sentar-se numa esplanada, ouvir o murmúrio das ondas e observar os últimos reflexos do pôr do sol cria uma experiência gastronómica inesquecível.


UM JANTAR TRANQUILO NO VITÓRIA MAR
Para o jantar deixamos como sugestão uma visita ao Restaurante Vitória Mar, também na avenida marginal. A carta tem várias opções que vão desde o linguado grelhado ao bacalhau gratinado, passando pelo arroz de tamboril ou a posta de vitela barrosã que pode ser degustada à mesa da esplanada climatizada ou na sala de jantar no interior.
Fazer uma refeição em Vila Praia de Âncora é muito mais do que simplesmente comer — é viver um momento onde o mar, a tradição e a hospitalidade se encontram. Aqui, os sabores são genuínos, muitas vezes preparados com receitas que passam de geração em geração, e servidos com a simplicidade e simpatia típicas da região. Seja num espaço moderno ou numa tasca tradicional, cada refeição torna-se uma memória especial, marcada pela qualidade dos ingredientes e pela beleza única da costa minhota.

“JUNTOS CUIDAMOS DA NOSSA TERRA”
Em entrevista ao Jornal C, Luís Matias define prioridades para Vila Praia de Âncora
Oiça a entrevista em Podcast:
Eleito nas últimas eleições autárquicas presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Luís Matias, que fez parte do anterior executivo como secretário da Junta, promete dar continuidade ao trabalho desenvolvido nos últimos mandatos, mas com uma visão própria e novos projetos para a freguesia. Em entrevista ao Jornal C – O Caminhense, o autarca fala das prioridades para os próximos quatro anos, desde a melhoria de infraestruturas e estacionamento até à valorização da praia, do porto de mar e do apoio às associações locais, sublinhando também a importância de uma relação de cooperação com a Câmara Municipal para concretizar os compromissos assumidos com a população.
Jornal O Caminhense (JC) – Luís Matias, o senhor foi eleito para ficar à frente dos destinos da freguesia de Vila Praia de Âncora nos próximos quatro anos. Uma vez que já fazia parte do anterior executivo, pergunto, o que podemos esperar da sua governação? Uma continuidade ou uma forma diferente de olhar Vila Praia de Âncora?
Luís Matias (LM) – Antes de mais queria agradecer ao Jornal Caminhense o convite para esta entrevista. Respondendo à sua pergunta, eu diria uma continuidade, mas com um modo diferente de trabalhar e de olhar também para Vila Praia de Âncora. A continuidade no que ficou por fazer, pelos motivos que todos sabem, das divergências que havia entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, e agora uma visão mais conhecedora e detalhada dos problemas reais da freguesia e da nossa população. Como dissemos e conversámos com as pessoas quando andámos na rua, na nossa campanha, prometemos acima de tudo
um trabalho sério, respeito e muita vontade de fazer mais pela nossa freguesia. Foi esse o objetivo que também me levou a continuar o trabalho que estava a ser feito. Os compromissos que assumimos no nosso manifesto foram todos trabalhados com a atual Presidente da Câmara, Liliana Silva, e os senhores vereadores. Portanto, neste momento temos a felicidade de estarmos no mesmo patamar que as outras freguesias estavam. Esses compromissos foram trabalhados com eles e portanto tenho a convicção e a firme certeza que serão cumpridos ao longo destes quatro anos, porque essa também foi a certeza que me deram quando me candidatei. Também é uma continuidade porque tenho muito orgulho e honra em ter pertencido aos últimos quatro mandatos, um ainda com o professor Manuel Marques, como membro da Assembleia de Freguesia e nestes três últimos, como secretário do Presidente Carlos Castro e da nossa tesoureira Patrícia Moreira. Portanto, tenho muito orgulho disso. Fizemos muito com muito pouco, e a prova foi a confiança dos ancorenses nos últimos três mandatos e agora na minha eleição com uma vitória expressiva. No fundo acho que o resultado traduz o reconhecimento do trabalho que foi feito.
JC – Esse resultado também foi uma aposta do eleitorado na continuidade?
LM – Acho que sim. No fundo penso que as pessoas apostaram nessa continuidade porque perceberam que o trabalho estava a ser feito e que não fazíamos mais porque não podíamos. Mas como é lógico, eu também quero deixar a minha marca. A marca do anterior Presidente foi a marca dele e ficará eterna, porque eu acho que foi um dos melhores Presidentes que tivemos em Vila Praia de Âncora, não desfazendo os outros, mas também quero deixar a minha marca, portanto também farei coisas diferentes. Eu não pensava tudo igual a ele na altura que estava no executivo. Também tinha a minha opinião e se calhar teria feito algumas coisas diferentes.
JC – Cada homem é um homem, cada cabeça é uma cabeça.
LM – Exatamente, e eu quero deixar a minha marca. É esse o caminho que eu estou a trilhar. Aliás, o slogan que tínhamos na anterior Junta de Freguesia com o Carlos Castro presidente, era “Vila Praia de Âncora sempre a melhorar”, mas eu fiz questão de o alterar precisamente para deixar a minha marca e o slogan que eu escolhi foi “juntos cuidamos da nossa terra”. Tivemos dias maus, momentos de muita agonia e turbulentos. Mas com a cabeça sempre erguida, sempre conseguimos ultrapassar as dificuldades. Nunca nos vergámos porque a nossa dignidade, acima de tudo, e o foco que tínhamos assumido com a população, era aquele e nós estávamos lá para o cumprir, bem ou mal. Aproveito também esta oportunidade, porque ainda não o fiz publicamente, para dar uma palavra de gratidão, consideração, respeito e muita amizade ao anterior Presidente, Carlos Castro, e à minha colega Patrícia Moreira, que continua no executivo, porque juntos fizemos um caminho, acho que bonito, e agora apostamos na continuidade e na mudança, que é isso que é importante.

JC – Luís Matias, na sua opinião, quais são as principais necessidades de Vila Praia de Âncora que é a maior freguesia do Concelho de Caminha? E o que é que vai fazer para que esses projetos que tem e foram promessa eleitoral se concretizem?
LM – Isso está tudo estruturado e foi tudo muito pensado. Confesso que a determinada altura tive dúvidas se devia ou não continuar, porque como eu fiz parte do anterior executivo, senti na pele o que vivemos durante estes três últimos mandatos por causa da relação que existia entre a Junta e a Câmara e eu estava com muito receio que isso continuasse. Foi tudo muito ponderado e muito bem redigido com a esperança que as coisas mudassem. Eu considero que Vila Praia de Ancora tem um potencial enorme e um futuro promissor mas precisamos de uma visão muito competente, e eu acho que a atual Presidente da Câmara tem essa visão, ampla, realista e conhecedora dos nossos costumes e tradições. Em relação ao que quero fazer nos próximos quatro anos é algo que deixei muito claro quando preparei a minha candidatura. Vamos continuar a apostar numa limpeza exaustiva das ruas da nossa vila, não que elas estivessem sujas, porque nós sempre cuidamos desse aspeto. Já fazíamos uma limpeza exaustiva das ruas, caminhos, valetas e caixas de escoamento de águas pluviais. E a verdade é que nós estamos desde novembro, desde que tomámos posse, no 30 de outubro, a fazer esse trabalho. Muitas vezes invisível porque estamos no interior da freguesia, mas é um trabalho importante e que teve relevância agora nestas últimas intempéries. Para ter uma ideia da importância deste trabalho que muitas vezes não é visível aos olhos das pessoas, posso-lhe dizer que Vila Praia de Âncora não teve qualquer problema de cheias ou de inundações nas últimas intempéries. Porquê? Porque nós fizemos esse trabalho desde que assumimos a Junta de Freguesia, em novembro.
JC – Ao contrário de outros anos que tiveram muitos problemas.
LM – Exatamente. Nós fizemos uma limpeza exaustiva das linhas de água, das valetas, limpámos as caixas de escoamento e o resultado foi que não houve qualquer problema nestas últimas intempéries. Portanto, às vezes é um trabalho inglório, mas foi bem feito e o resultado está à vista. Mas temos sinalizadas outras necessidades na freguesia que vamos resolver. Sabemos quais são os problemas prioritários, isso está muito claro para nós. Queremos cumprir com o que nos propusemos fazer e que consta do nosso manifesto. É um manifesto para quatro anos, eu sei que as pessoas agora querem tudo de uma vez, mas isto é um trabalho para quatro anos. Espero que antes das próximas eleições, eu possa picar ponto por ponto e ver o que é que me falhou. Vou assumir o que ficou por fazer, perceber se foi por incompetência, ou se foi por falta de verbas, porque eu estou aqui para trabalhar pela minha freguesia. A cor partidária a mim pouco me interessa, tenho ideologia, mas a mim o que me interessa é a minha freguesia, e é isso que me importa.
JC – Mas tem outros projetos?
LM – Sim, precisamos urgentemente de espaços de estacionamento. É urgente mesmo. Já temos zonas sinalizadas nas Camboas, isto mais para a altura de verão. Precisamos de um porto de mar seguro e funcional para os nossos pescadores. Nós temos tido visitas de Ministros e Secretários de Estado. Ontem mesmo tivemos aqui o grupo parlamentar do PSD, que se mostrou muito preocupado com o que viu. Aliás, todos se têm mostrado preocupados com o estado do nosso Porto de Mar. Neste momento sabemos que o projeto de estudo do Porto está a avançar, coisa que esteve parada durante muitos anos, e portanto temos aqui uma esperança que isto agora arranque. A praia também é uma das nossas preocupações e prioridades. Antigamente só era limpa na altura do verão e nós não queremos isso porque nós vivemos da praia. Vivemos do turismo e a praia é um baluarte de oxigênio para os nossos comerciantes e para a nossa imagem. É por isso que eu quero uma limpeza periódica da praia e, nesse sentido, aproveito para informar que desde outubro já foram feitas duas limpezas. Estamos neste momento à espera que o camião vá recolher o último lixo que foi apanhado e foi muito. Muitos podem dizer que uma limpeza nesta altura é inglória porque podemos limpar hoje e amanhã estar novamente carregada de lixo, mas uma coisa é certa, o que limpamos já não fica, já não enterra. Isso é que é a nossa preocupação, porque a areia está escura do material que fica enterrado e apodrece e isso não é a nossa praia. A minha praia de miúdo é uma praia com areia dourada e é isso que nós queremos que volte a acontecer. Também queremos fazer uma avaliação exaustiva dos sinais de trânsito, porque estão muito gastos e muito danificados. Também temos de olhar para as placas de informação turística, queremos fazer novas informações. Vamos valorizar e melhorar o nosso Monte do Calvário, que é um sítio de excelência que temos em Vila Praia de Ancora. Neste momento está a ser limpo pela junta de freguesia e queremos dar uma especial atenção àquele local que tem um potencial enorme. Estamos a trabalhar para isso. A limpeza dos nossos montes e caminhos florestais está neste momento a acontecer através de uma empresa que está a fazer essa limpeza em colaboração com a Câmara Municipal e com a Junta de Freguesia. Estão a ser limpos os caminhos e as faixas de gestão de combustível de 10 a 20 metros em todos os caminhos. Acho que está a ser um trabalho excelente e muito importante também.

JC – É uma forma de prevenir possíveis incêndios no verão?
LM – Sim porque nós temos caminhos que estão impenetráveis. Dou um exemplo: quem entra pelo Calvário, não consegue subir a Bolhente onde temos um tanque de abastecimento de helicópteros e dos bombeiros. Neste momento esse tanque está inutilizado porque não se consegue passar, mas vai ser aberto. Há outros caminhos que também vão ser melhorados graças ao trabalho que está a ser muito bem feito. Aproveito para dar os parabéns à Câmara Municipal e também à empresa pelo trabalho que está a ser desenvolvido em colaboração com as Juntas de Freguesia. É assim que as coisas funcionam, quando todos se entendem, quando há diálogo. Queremos também apoiar mais as nossas coletividades e associações porque elas são a nossa identidade, são elas que levam para fora tudo o que temos de bom na nossa freguesia e nós temos de apoiá-las. Mas o mais importante de tudo é criar e dar condições de segurança à nossa população, com serviços públicos dignos e funcionais, ajudar na instalação e criação de novos comércios e também postos de trabalho, que é muito importante também.
JC – Luís Matias, uma das suas promessas foi a criação de um posto de CTT em Vila Praia de Âncora. Era uma necessidade e uma prioridade para o seu executivo?
LM – Sim, sem dúvida. Como sabe, eu sou o coordenador distrital da ANAFRE já no terceiro mandato, vou agora a eleições novamente no dia 28 para um quarto mandato, e, por isso, eu tenho muito conhecimento em relação a instalações de postos CTT e dos problemas que existem, não só em Vila Praia da Âncora mas em todo o país, nas freguesias todas. A própria ANAFRE tem um protocolo com os CTT, apesar do nosso não ter sido feito através da ANAFRE, é diferente. Mas sim, era uma das promessas que se ganhássemos e se as coisas corressem bem para ambos os lados, só tínhamos de arranjar um espaço. Neste momento já está a funcionar desde o dia 6 de fevereiro, diariamente de segunda a sexta, das 9 às 13 horas e das 14 às 16h30. Estamos a falar de um serviço que serve não só Vila Praia de Âncora, mas também as freguesias vizinhas e todo o Vale do Âncora. Tem um movimento louco o que prova a sua necessidade. Estamos muito satisfeitos, e agradeço à Câmara que nos ajudou a ultrapassar o problema. Foi feito um protocolo com a Câmara Municipal de cedência de instalações e de um funcionário, e a Junta de Freguesia fez o protocolo com os CTT. O importante é que está a funcionar, a servir a população porque foi para isso que fomos eleitos.
JC – Este novo posto, no fundo, vai evitar que as pessoas tenham de fazer deslocações à sede do concelho, principalmente pessoas mais idosas, até para receber as suas reformas.
LM – Essa foi a nossa preocupação, com as pessoas de mais idade, com fraca mobilidade, com fracos recursos, que muitas vezes tinham que ir de táxi a Caminha para levantar as suas reformas. Neste momento isso já não é necessário porque podem fazê-lo no posto CTT de Vila Praia de Âncora. Mais uma vez a nossa preocupação foi servir e ajudar as pessoas. Não estamos aqui a pensar nos lucros como sabemos perfeitamente que é uma empresa privada, mas sim para servir as pessoas. Se a única maneira de servir era esta, avançamos, não estamos a cometer ilegalidade nenhuma nem crime nenhum, porque isto acontece em todo o país, nas juntas de freguesia ou em próprios comércios que têm acordos com os CTT. Portanto, nós fizemos o nosso trabalho e estamos satisfeitos com isso.

JC – A Câmara anunciou uma intervenção na Rua 5 de Outubro, aliás, um projeto há muito aguardado pela freguesia de Vila Praia de Âncora. A obra vai colidir com a época balnear, aliás, isso mesmo foi dito pela Presidente da Câmara. Eu pergunto-lhe o que é que vai ser feito para minimizar os efeitos desta obra em plena época alta, já que o turismo é uma das grandes fontes de riqueza da freguesia. Não tem medo que uma obra desta envergadura possa afastar visitantes que escolhem Vila Praia de Âncora para passar as suas férias?
LM – Não, medo não tenho e aplaudo esta obra. Eu vou dividir isto em temas porque é mais fácil de explicar. Portanto, esta era uma obra já muito ansiada pela população e necessária, muito necessária. É uma obra com um preço estimado de 1 milhão e 600 mil euros, tem financiamento, e a Câmara tem uma comparticipação de meio milhão de euros, que já é um valor considerável. Nesta obra eu identifiquei cerca de seis vantagens: a primeira e a mais importante de todas é a segurança junto à Ponte da Cruz Velha. Era uma obra que já tínhamos reclamado ao anterior executivo, pelo menos desde 2020, ou até antes. Falamos do problema em Assembleias Municipais, Reuniões de Câmara, por vários ofícios, mas nunca houve resolução. Neste momento a ponte está a cair aos bocados. Inclusive nós questionámos a própria Proteção Civil no sentido de nos informar se a ponte era segura porque volta e meia caíam pedaços enormes de betão e de ferro, mas nunca ninguém nos soube dar essa resposta. Portanto, o primeiro ponto é a segurança da Ponte da Cruz Velha. O segundo ponto, diz respeito ao coletor das águas pluviais das Camboas, um problema enorme que temos ali naquela rua. Uma coisa que devia ter sido feita na altura da construção do Continente mas não foi. E o que acontece é que quando chove, aqueles comércios ali ficam todos inundados e os danos são muitos. Nunca ninguém se responsabilizou por isso. Neste momento a resolução desse problema está incluída nesta obra da 5 de Outubro. Não estava no projeto que vem do executivo anterior e foi aprovado desde 2024. Portanto, esta obra já podia estar concluída. Não sei se por má vontade ou por não terem dinheiro, a verdade é que não avançou antes. Aplaudo este executivo por ter pegado nela e lhe ter dado andamento, até porque estávamos em risco de perder o financiamento. Mas, como dizia, o coletor não estava previsto neste 1 milhão e 600 mil euros, e portanto a Câmara, para complementar esta obra com o coletor, ainda vai ter de gastar mais 400 mil euros, o que totaliza um investimento de cerca de 900.000 euros da Câmara nesta obra. Mas incluir este coletor foi muito importante e aplaudo por isso, porque vai colmatar um grande problema. Também vai resolver a questão do estacionamento, porque a nova configuração da rua vai permitir ganhar mais lugares, que são escassos. Ainda relacionado com a questão de segurança, a intervenção na 5 de outubro vai permitir a criação de passadeiras sobrelevadas, o que é bom porque aquilo é uma reta comprida e os carros passam ali com velocidade. Tendo as tais passadeiras sobrelevadas vai acalmar um bocadinho os mais aceleras. O piso, que neste momento mais parece o mapa de Portugal, todo rasgado, resultado das várias intervenções que foram feitas também vai ser melhorado. Por tudo isto estamos a falar de uma obra muito importante que vai ser feita de forma faseada o que nos dá alguma tranquilidade no que toca aos constrangimentos e à época balnear. Não me preocupa muito porque primeiro eu quero que ela se faça, seja de verão, seja de inverno. Independentemente da altura em que se faça, uma obra desta envergadura vai causar sempre constrangimentos. Se a fizermos no inverno, vamos ter e a parar várias vezes por causa do mau tempo. Portanto, ou se quer uma coisa ou se quer outra, e eu, entre estar um ano perdido, eu prefiro ter a obra, muito sinceramente. A primeira fase vai ser junto à Ponte da Cruz Velha e o início está previsto para maio ou início de junho e deverá prolongar-se pelo verão. Logo que este troço esteja concluído avançará outro e assim sucessivamente. Haverá cortes de trânsito pontuais à medida que a obra for avançando, mas tudo o resto continuará a fluir. A obra também tem vários meses de execução e se começasse agora também ia calhar na mesma até ao fim do verão. Portanto, isso não me preocupa. Nós queremos é a obra feita. Isso é que importante para os ancorenses que aqui vivem todos os dias. Saudamos muito quem nos visita e que vem cá deixar o seu dinheiro, mas todos compreenderão que em primeiro lugar estão os ancorenses e os que aqui vivem o ano todo que têm de ter as melhores condições.
JC – O seu antecessor queixou-se muitas vezes da má relação que existia entre a Câmara e a Junta de Vila Praia de Âncora, aliás já fomos falando ao longo desta entrevista desse desconforto que existia entre as duas instituições. Acredita que com o atual executivo a sua tarefa enquanto Presidente de Junta vai estar mais facilitada?
LM – Acredito, acredito mesmo que sim, porque a presidente Liliana Silva tem uma maneira muito diferente de ver as freguesias e toda a gente. Ela sabe aceitar as opiniões dos outros, mesmo contrárias, e isso é uma coisa boa. E isto está à vista, porque nós temos tido reuniões na Câmara Municipal com as outras freguesias que não são até do nosso partido. Acho que todos estamos a trabalhar em rede e as coisas estão a funcionar muito bem. Veja-se o que aconteceu com as últimas intempéries. Na última Assembleia Municipal os presidentes das outras cores políticas fizeram questão de agradecer e enaltecer o trabalho da Presidente nas intempéries, porque ela esteve lá presente sempre, nunca nos faltou com nada. Nós pedíamos qualquer coisa e a verdade é que nunca nos faltou com nada. E isso foi evidente nesta última Assembleia Municipal. Mas voltando à sua questão. Sim, a relação do anterior Presidente com o anterior executivo, não foi boa e isso não foi benéfico nem para nós, nem para a população. Nós queríamos fazer as coisas e não conseguíamos e porquê? Porque sempre faltou respeito e diálogo. Portanto, não havendo respeito nem consideração, o diálogo era muito pouco. Tudo que nós falávamos ou dizíamos caía em saco roto. Nós víamos que as coisas não andavam, não sabemos se por não quererem ou não terem vontade de fazer ou se era para nos prejudicar, mas não era a nós que nos prejudicavam, era a população. Também não sei se era para castigar a população de Vila Praia de Âncora por não ter votado neles e ter votado em nós. Não conseguimos perceber isso. Isto já vinha do tempo do anterior Presidente eleito Miguel Alves. No início havia uma relação extraordinária com ele e as coisas faziam-se. Mas a partir do momento em que fomos apunhalados pelas costas começou toda a guerra política que acabou por escalar e haver muita falta de respeito principalmente institucional. Podia não haver uma boa relação entre presidentes, mas institucionalmente também houve muita falta de respeito. Isso não acontece agora porque o executivo já disse que está cá para trabalhar com todos, e que o partido e as guerras políticas acabaram no dia a seguir às eleições. Acredito que todos juntos vamos trabalhar em rede para construir um Concelho de Caminha mais forte, mais unido e com respeito.
JC – Assim sendo, e para terminar, o que é que espera dos próximos quatro anos?
LM – Olhe, espero muito trabalho. Eu quero muito trabalho. Às vezes até fico zangado comigo, porque quero fazer mais e não consigo. Espero muita cooperação da Câmara Municipal, e sei que vou ter. A maneira de trabalhar, de abordar os problemas com a Câmara é completamente diferente. Eu sinto-me bem, vou à Câmara, falo com este, falo com aquele, uma coisa que não acontecia no passado. A relação que existe entre mim e a Presidente ou o Vice-Presidente Carlos Castro, é uma relação de amizade, mas as coisas não se misturam, e mesmo acontece com os outros dois vareadores, a Ana Rocha e o José Leal, pessoas que eu também já conhecia e com quem estamos a trabalhar muito bem. Eu espero essa lealdade da parte deles, porque foi essa a promessa que me fizeram e eu sei que eles vão cumpri-la.

JC – Mas a sua terra estará sempre em primeiro lugar?
LM – Sem dúvida e se eu tiver de ir contra eles pela minha terra, eu vou. Primeiro está Vila Praia de Âncora e as pessoas, porque que foi por isso que eu fui eleito. Não vou trair a minha terra, isso nunca. Mas eu acredito que isso não vai acontecer. Portanto, eu enalteço muito a amizade que tenho por eles e eu acho que isso facilita-me muito. Digo-lhe mais, eu estou aliviado porque o meu grande medo era ganhar as eleições e continuarmos como estávamos. Esse era o meu grande medo. Depois, nós temos muitos projetos. Como disse, nós temos um manifesto que foi feito com eles e as propostas que nós apresentámos à população são para cumprir, porque eu vou-lhes andar a morder os calcanhares. Não têm hipótese. Aliás, até já me dizem quando eu entro na Câmara, olha, lá vem o chato. Porque eu sou mesmo chato. Portanto, eu espero mesmo isso, que eles cumpram comigo o que me prometeram, a mim e à população de Vila Praia de Âncora, porque eles também deram a cara na rua quando lá andaram. E este projeto, este manifesto que nós temos e apresentámos às pessoas é para ser cumprido. Temos a requalificação do Largo da Estação que é uma obra que pode surgir no seguimento da intervenção da Rua 5 de Outubro. Temos ali um potencial enorme de estacionamento. Aquele espaço, depois de bem reordenado e arranjado vai permitir-nos ganhar ali muitos lugares de estacionamento que é uma das grandes lacunas da nossa vila como já referi. Depois temos a antiga estação que está a ser negociada com a CP para que possa passar para a freguesia. Portanto, se esse edifício e toda a zona envolvente passar para a alçada do município, teremos ali uma zona que pode ser nobre. Podemos criar ali uma Casa das Associações através de um projeto bem pensado. Estamos a falar de um edifício nobre que merece ser transformado numa coisa bonita. E depois temos a parte do largo que será transformado em parque de estacionamento. Até já temos nome para o local, vai chamar-se Largo Dr. Francisco Sampaio. É uma homenagem que queremos fazer a um homem que deu muito a Vila Praia de Âncora, ao Concelho de Caminha e também ao distrito de Viana do Castelo. Acho que é uma homenagem mais que merecida. Também queremos avançar com a requalificação da rua do Calvário que é neste momento a pior rua que temos em Vila Praia de Âncora e que vai da Retorta até ao Monte Calvário. Já foi negociado com os proprietários dos terrenos para podermos alargar a via. Está mais ou menos tudo alinhavado, agora falta é haver um financiamento que se possa encaixar e fazer essa requalificação. Mas está programado e é um ponto de honra também. Outra obra que queremos fazer é a ligação da rua António Simão à rua do Rego. A ligação automóvel não é possível, porque há ali uma zona que é um bocado estreita e não é possível alargar porque existem casas, mas uma parte da rua pode ser alargada, aliás, pode ser feito ali um largo e criar alguns lugares de estacionamento por forma a acabar com algumas guerras de vizinhos. Já lá estivemos há 15 dias a preparar isso com os moradores. Em articulação com a Câmara também queremos avançar com um plano de requalificação da Rua 13 de Fevereiro, Rua dos Pescadores, Rua Laureano Brito e Rua João Alves da Devesa, ou seja, toda aquela zona lá de baixo que é uma zona que está toda em paralelo, com muitas irregularidades. Ali vive muita gente idosa e por causa do piso as pessoas caem com muita frequência. Outra obra estruturante que também temos programada, é a retirada da ciclovia da nossa Marginal desde a zona do turismo até à onda, no Portinho. Queremos com esta intervenção devolver o passeio às pessoas, passando a ciclovia para a estrada. A seguir à Páscoa vamos continuar a substituir os candeeiros da avenida. Já temos mais nove para instalar e contamos antes do verão colocar o resto, isto claro se a fábrica conseguir concluir o trabalho. Temos também o alargamento e a colocação de pisos em diversas ruas, também já temos duas ou três ruas já faladas com as pessoas para fazer o alargamento e colocar novos pisos. Queremos colocar pisos em betuminoso em algumas estradas que estão muito danificadas, nomeadamente a rua Suplício da Rocha, também lá em acima, na zona do Calvário, ali na zona envolvente do Vilarinho. Queremos reabilitar a rua Júlio Dinis, a rua Doutor Leite Vasconcelos e a rua Eça de Queirós. Temos de encontrar uma solução para a falta de casas de banho públicas na zona do Skatepark onde param muitos autocarros principalmente no verão. Na área da educação sei que está a ser feito agora o novo projeto da requalificação da Escola Básica 1-2 de Vila Praia de Âncora, onde já vai ter a cobertura que nós tanto pedimos para os pais cá fora, enquanto esperam pelos miúdos, e também no interior na passagem da cantina da Escola Primária para a cantina da Escola Básica. Como disse no início, muito trabalho, muito trabalho. E nós estamos cá para o fazer, foi para isso que fomos eleitos, e estamos com essa vontade e com essa força.







