Caminha: Romeiros de São João sobem à Serra d’Arga para mais uma romaria

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A Romaria de São João d’Arga, que se realiza nos dias 28 e 29 de agosto na freguesia de Arga de São João, é considerada uma das romarias mais genuínas do Alto Minho e uma das mais típicas do país.
A festa acontece à volta do antigo mosteiro beneditino que, reza a história, chegou a ser templário. Com festa ou sem ela, o local merece uma visita atenta. Não se sabe a data da fundação do mosteiro. O Padre António Carvalho da Costa diz que foi mandado levantar por S. Frutuoso, bispo de Braga, no reinado de Sisebuto, estando acabado no ano de 661, porquanto esta escrita em uma padieira da igreja.
A primeira referência histórica a este mosteiro, encontramo-la nas Inquirições de 1258, em que se diz que “el Rey nom e padrom”. No entanto, nas igrejas do padroado real diz-se o contrário: “Monasterium de Sancto Johanne d’Arga, est regis” (o mosteiro de S. João d’Arga pertence ao rei).


Mas voltemos à romaria e às muitas tradições que lhe estão associadas. Logo pela manhã do dia 28, começam a chegar os romeiros, a maioria de automóvel, mas alguns a pé, como era costume, fazendo então os romeiros o percurso das “sete serras”.
À chegada, segundo a tradição, dão-se as 3 voltas à igreja e no interior do templo dá-se a esmola ao santo mas também ao “senhor diabo”.

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Cumprida a promessa é hora de escolher um local para descansar e petiscar no farnel. A meio da tarde realiza-se a missa, ao que se segue a procissão, na qual, para além do andor de S. João, segue também o estandarte de santo Ajinha muito venerado na serra.
Finda a procissão e todos os atos religiosos, a animação é em crescendo e de forma espontânea.
No adro da igreja e à volta dos quartéis, juntam-se inúmeros tocadores de concertina em animadas rusgas. As gargantas afinadas soltam versos picantes em resposta às “provocações” do adversário. Soltam-se gargalhadas numa animação desenfreada.


Ao redor, as tasquinhas improvisadas servem diversos petiscos e o famoso “xiripiti”, uma mistura de aguardente com mel que, se não for bem doseada, poderá causar algumas dores de cabeça.
A festa prossegue com os concertos nos coretos onde as bandas tocam em despique. As claques aplaudem, o barulho é infernal, é o caos, ninguém se entende mas isso também não é importante.
Os carros não param de chegar e a fila de estacionamento já conta alguns quilómetros. Grupos de pessoas convergem ao santuário engrossando o “mar de gente” que por ali anda. Naquele espaço exíguo milhares de pessoas dançam, cantam, bebem e riem num entusiasmo indescritível. É assim a romaria de São João d’Arga, única e irrepetível…

Tempos houve em que a festa durava até de manhã mas atualmente o recinto encerra pouco depois das 3, para que no dia seguinte de manhã nada perturbe as cerimónias religiosas.
Diz a tradição que pelo menos uma vez na vida se deve ir a pé à Romaria de São João d’Arga. O caminho faz-se por trilhos antigos pelo meio do monte, velhos empedrados onde ainda hoje são percetíveis as marcas dos rodados dos carros de bois.

O trajeto faz-se sem pressa até porque não convém chegar antes das cerimónias religiosas estarem concluídas. Pelo caminho contam-se histórias, recordam-se alguns que já partiram e explica-se o significado da romaria, os seus mitos e rituais.

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