A análise do recurso hierárquico relativo à instalação de uma superfície comercial na freguesia de Cristelo não foi incluída na ordem de trabalhos da última reunião da Câmara de Caminha, contrariando o que tinha sido anunciado pela presidente Liliana Silva na reunião do executivo de 3 de junho. A Câmara anunciou que vai marcar uma reunião extraordinária para analisar toda a documentação e para explicar o que esteve na base da revogação da decisão tomada pelo executivo anterior que antes de cessar funções licenciou a instalação daquele equipamento.
Ao contrário do que tinha sido anunciado pela presidente da Câmara de Caminha na reunião do executivo realizada no passado dia 3 de junho, o recurso hierárquico apresentado pela empresa que pretende instalar uma superfície comercial na freguesia de Cristelo, não foi analisado na reunião de Câmara de ontem.
Tal como o Jornal C noticiou em abril, o atual executivo liderado pelo PSD revogou o licenciamento aprovado pelo anterior executivo, revogação essa que o requerente contesta.

Na reunião de ontem o vereador Rui Lages (PS) questionou o executivo sobre as razões que levaram à não inclusão da análise e votação do referido recurso hierárquico na ordem de trabalhos tal como tinha sido anunciado pela presidente da Câmara de Caminha.

Em resposta ao vereador da oposição, a presidente da Câmara referiu que o processo está concluído e pronto para ser analisado o que irá acontecer numa reunião extraordinária “só para debater este assunto”, disse.
Rui Lages pediu a palavra para referir que ao contrário do executivo, que teve 3 semanas para analisar os documentos, os vereadores não o conseguiam fazer em apenas 24 horas.
Liliana Silva disse que não tinha problema nenhum em facultar os documentos relacionados com o recurso hierárquico, que tanto interessam à oposição, acrescentando que o executivo também tem “muito interesse” em esclarecer esta situação, nomeadamente as razões que a levaram a revogar a decisão pela anterior câmara socialista.
Rui Lages voltou a pedir a palavra para solicitar uma vez mais a entrega dos documentos no final da reunião e a marcação de uma reunião extraordinária no início da próxima semana. O eleito da oposição congratulou-se com a vontade expressa pela presidente da Câmara de esclarecer todo o processo “até para percebermos o que esteve na base da sua decisão”, disse.
Liliana Silva acusou a oposição de estar a transformar esta questão do Continente “numa arma de arremesso político desnecessária” e uma vez mais não escondeu o desconforto pelo facto do vereador Rui Lages ter tido conhecimento antecipado da entrada deste recurso hierárquico, acusando-o de ter “informações privilegiadas” e de partilhar informações com pessoas externas à Câmara.
Independentemente daquela que for a decisão tomada pelo executivo nesta matéria, Liliana Silva garantiu que o executivo irá tomar medidas posteriores relativamente aos factos que serão apresentados.
Perante as afirmações da chefe do executivo, o líder da oposição mostrou-se preocupado pelo facto de Liliana Silva só ter tido conhecimento da entrada do recurso hierárquico na Câmara dias depois de isso ter acontecido. Relativamente à acusação de Liliana Silva de que a oposição transformou este processo numa arma de arremesso político, Rui Lages lembrou as afirmações feitas pela chefe do executivo num passado recente.
Liliana Silva a manifestar uma vez mais desconforto pelo facto do líder da oposição ter acesso a “informação privilegiada”, como referiu.
Segundo o Jornal C – O Caminhense conseguiu apurar, no final da reunião não foi entregue qualquer documentação aos vereadores da oposição nem foi avançada qualquer data para a realização da referida reunião extraordinária.



