Falta de Alunos – Um Sintoma, Resultado da Incompetência

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Escola vilar de mouros carlos araujo

Na última semana, saíram na comunicação social notícias várias, do apelo das famílias de Vilar de Mouros, para a inscrição de pelo menos mais 3 alunos no pré-escolar, sob pena da Escola de Vilar de Vilar de Mouros encerrar.

Estamos a falar de uma escola com excelentes condições – para as obras houve dinheiro – na freguesia supostamente mais conhecida a nível nacional e internacional do Concelho de Caminha, com excelentes ligações rodoviárias à sede do Concelho, a 15 minutos de Viana do Castelo e a 45 minutos do aeroporto do Porto.

Estamos também a falar do último reduto do poder local comunista a norte do Rio Mondego terminado em Outubro, mas as semelhanças com o Alentejo não se ficam por aqui.

Vilar de Mouros, como muitas freguesias do Alentejo, viu a sua população envelhecer, viu as residências de fim de semana e férias a crescer-por lá são os montes- viu os meses das colheitas, das desfolhadas e das vindimas, serem substituídos por meses de visitas e festivais. São meros palcos para festas usados durante o verão, abandonados no Inverno.

Depois, chega setembro e a escola não tem sequer 20 alunos. Numa população residente de 725 habitantes, nem 3% são crianças com menos de 10 anos.

Isto não é um sintoma, isto é o resultado de políticas erradas de décadas. Nas explicações dos pais para o problema, entre elas o facto de muitos pais levarem as suas crianças para escolas perto dos seus locais de trabalho, a Câmara Municipal encontra a desculpa.

Se a escola tivesse horários de estudo acompanhado e tempos livres flexíveis, mais crianças poderiam ficar na escola da freguesia. Sim, mas quantas mais, durante quantos anos? Isto é querer tratar uma doença grave com um Benuron. É criar custos estruturais para apenas adiar o problema. Quando o problema é que é estrutural.

A freguesia de Vilar de Mouros é o espelho de Caminha como Concelho. A Câmara Municipal de Caminha errou durante 50 anos e continua a errar. Não tem Visão, não tem Planeamento, Não Tem Futuro.

A população residente diminuiu e envelheceu e continuará a diminuir e envelhecer enquanto a Câmara Municipal despender Recursos Financeiros e Recursos Humanos apenas focada no dia a dia, nos eventos, no verão, nos visitantes, nas fotografias do Facebook e na conversa da melhor praia de Portugal, da praia das crianças (sem bandeira azul), do melhor Festival de Música do Mundo, enfim.

Que indústrias, empresas de serviços ou tecnologias, criadoras de emprego estável e anual, pagadoras de impostos, nasceram em Caminha nos últimos 25 anos? Quantas pessoas empregam?

A única entidade empregadora que cresce em Caminha é o Município, pois somadas a Câmara e as Juntas duplicaram nos últimos 25 anos o número de funcionários, pagos pelos impostos de todos, que cada vez são menos e mais velhos.

Se a marca Vilar de Mouros não serve sequer para que a Freguesia tenha 5 crianças a nascer todos os anos, então não serve para nada, talvez exceto para o negócio e o proveito de forasteiros organizadores, cuja sede social até é nas instalações do município; e para os expectadores, visitantes e proprietários de casas de férias disfarçadas de alojamentos locais.

Se vale tanto essa marca, experimente a Câmara não dar 300 mil euros, nem 150 mil, nem nada, aos organizadores o próximo ano, e faz a prova dos 9!

Poupe esses 300 mil euros anuais, junto outros tantos do que gasta em outros festivais, eventos e inventos. Invista 1 Milhão de Euros por ano reduzindo o IRS para a taxa zero, colocando as derramas a zero, fazendo uma zona tecnológica e industrial com rendas grátis durante 25 anos, para as empresas que criem e mantenham emprego.

Só há crianças para as escolas se houver pais a residir e trabalhar no concelho. Só há pais a trabalhar no concelho se houver empresas, só há empresas se for rentável e atrativo fixarem-se e, os pais só residem no concelho se houver impostos baixos e oferta de habitação.

São escolhas, Vila Nova de Cerveira tem empresas, tem indústria, viu a sua população crescer. Valença, Monção, Ponte de Lima. Têm residentes que trabalham noutros concelhos, têm empresas que empregam residentes locais e doutros concelhos.

Caminha não tem uma coisa nem outra, porquê Caminha, mas porquê é que a diferença é tão gritante?

Será que o deslumbramento das paisagens turva assim tanto as vistas dos seus governantes que os leva a viver numa realidade paralela? Ou será o complexo provinciano de ser reconhecido pelos visitantes com mais ou menos notoriedade?

Ficam para este verão, algumas sugestões de livros, talvez ajudem a perceber o fenómeno:

A Feira das Vaidades” (Vanity Fair), William Thackeray
A Cidade e as Serras” e “A Ilustre Casa de Ramires“, Eça de Queirós
Babbitt“, Sinclair Lewis

E filmes, leves e divertidos, acessíveis até no Youtube:

Bienvenido Mister Marshall” (1953), Luis García Berlanga
Amarcord” (1973), Federico Fellini
Waiting for Guffman” (1996), Christopher Guest
Local Hero” (1983), Bill Forsyth

Carlos Novais de Araújo
10 de Julho 2026

Carlos Araújo
Carlos Araújo
Economista

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