A deputada Paula Aldeia eleita pelo Partido Socialista (PS) voltou a exigir à presidente da Câmara de Caminha Liliana Silva, na última Assembleia Municipal de Caminha (AM) realizada no passado dia 29 de abril, “explicações claras sobre o desaparecimento de dois processos judiciais” da lista que é submetida àquele órgão. Liliana Silva disse estar ali para responder aos problemas do concelho e não para fazer da AM um tribunal. Por fim, sugeriu à deputada que se tivesse dúvidas, seguisse para tribunal.
Recorde-se que esta não foi a primeira vez que aquela deputada da oposição pediu explicações ao executivo sobre dois processos em concreto, já o tinha feito em Dezembro de 2025 e em Fevereiro deste ano, no entanto até ao momento a eleita garante só ter obtido “silêncio, fuga e sucessivas tentativas de contornar o essencial”.

Perante aquilo que apelidou de uma atitude reiterada por parte da presidente da autarquia, Paula Aldeia diz ter sido obrigada a recorrer aos tribunais para que lhe fosse dada uma resposta. Mas a verdade, refere a deputada é que nem mesmo por ordem do Tribunal as respostas ao que por ela foi solicitado foram prestadas por parte da Câmara, uma atitude “reiterada” que Paula Aldeia classifica de “manobras dilatórias”.
De seguida, a deputada socialista leu a comunicação do gabinete jurídico da Câmara que diz assentar em declarações falsas graves.
Os documentos abaixo foram distribuídos aos membros da AM pela deputada socialista.
Insatisfeita com a resposta que lhe foi dada pelo gabinete jurídico da Câmara, Paula Aldeia diz ter feito ela própria uma consulta na plataforma Citius para verificar a informação. O que encontrou, garante, foram “registos claros de atos processuais relevantes e notificações para pagamento de custas devidas ao Município de Caminha”.
Perante aquilo que considerou serem “evidências”, Paula Aldeia diz que “só existem duas hipóteses e nenhuma delas é aceitável”. A deputada deixou claro que irá até às últimas consequências para esclarecer o que se passou com estes dois processos e exigiu uma explicação cabal.

Em resposta à intervenção da deputada do Partido Socialista, a presidente da Câmara de Caminha disse que estava ali para responder aos problemas do concelho e não para fazer do órgão AM um Tribunal.
Quanto à certeza deixada pela vereadora socialista de que irá até às últimas consequências para esclarecer este assunto relacionado com os processos, a chefe do executivo caminhense considerou que a deputada fazia muito bem. Liliana Silva disse que Paula Aldeia passava o dia todo a pensar nela (presidente) e que estava a fazer dela um alvo, “mas eu cá estou para dar o corpo às balas”, acrescentou.
Liliana Silva disse não ter tempo para andar a responder às dúvidas da deputada e que da sua parte as respostas estavam dadas. “Se não são suficientes, recorra ao Tribunal”, acrescentou.
Mas o assunto não morreu aqui, a deputada Paula Aldeia voltou a pedir a palavra para esclarecer que não passava o dia a pensar na presidente, mas sim no concelho de Caminha e nos seus munícipes e lamentou que Liliana Silva, enquanto presidente de Câmara e responsável máxima pelo município não queira saber de processos.
Mas afinal que processos são estes?

Como referimos, esta não foi a primeira vez que a deputada socialista pediu esclarecimentos sobre o processo 403/22 e 711/22. Segundo referiu na AM de 29 de Dezembro de 2025, tratam-se de dois processos relativos a uma alegada dívida no valor de 6 mil euros do ex-deputado e líder de bancada da OCP Jorge Nande, processos esses que segundo a eleita socialista desapareceram da listagem que é fornecida pela Câmara aos membros da assembleia, desconhecendo-se portanto se a dívida foi liquidada ou não.
Recorde aqui o que foi dito nessa AM de Dezembro do ano passado.
Recorde-se que esta dívida de 6 mil euros diz respeito a cópias relacionadas com pedidos de informação dirigidos à Câmara por parte do então deputado Jorge Nande sobre vários assuntos. Na altura o deputado exigiu que a informação lhe fosse entregue em papel e não em formato digital, o que originou uma fatura de mais de 5 mil euros.



