O vereador do partido socialista, Rui Lages, manifestou na reunião de Câmara realizada ontem à tarde no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a sua “profunda preocupação face a ausência de uma visão estratégica para o rio Minho”, tendo em conta as conclusões da última Cimeira Luso-Espanhola.
Para o vereador da oposição, o rio Minho não é apenas e só uma fronteira, mas é também um ecossistema que é a espinha dorsal da nossa identidade e economia. Face à importância deste curso de água, Rui Lages considera que basta de os Governos centrais continuarem a ignorar as feridas abertas na gestão do rio Minho.

A intervenção do vereador do Partido Socialista surgiu na sequência de um comunicado emitido ontem, quarta-feira, pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho (AECT Rio Minho), no qual, entre outros, aquele organismo lamenta que os problemas prioritários do rio Minho não tivessem sido considerados na declaração final do encontro bilateral entre Portugal e Espanha.
Na reunião do executivo de ontem, Rui Lages chamou a atenção para o facto do assoreamento do rio Minho “não ser apenas um problema estético ou de navegabilidade”, mas também “um estrangulamento da nossa capacidade de afirmação”, acrescentou.
O vereador socialista aproveitou para elogiar o trabalho e atuação do AECT Rio Minho, entidade que na sua opinião que, com a sua atuação, tem colocado o Rio Minho no centro do debate político.

Em resposta à intervenção do líder da oposição, a presidente da Câmara não escondeu a sua estupefação relativamente ao comunicado emitido pelo AECT – Rio Minho e acusou aquele organismo de não ter integrado a Câmara de Caminha na tomada de posição. A autarca fez votos para que o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho não esteja a ser utilizado para fins “políticos”.
Liliana Silva saiu em defesa do Governo liderado por Luís Montenegro (PSD) lembrando que no dia 6 de março tinha sido assinado em Huelva um acordo entre os governos de Portugal e Espanha, para garantir a segurança da navegação no troço internacional do rio Minho. “Aquilo que é importante para o rio Minho já foi assinado nesse acordo”, afirmou.
Liliana Silva lembrou ainda a Cimeira realizada em Viana do Castelo em que era primeiro ministro António Costa (PS), na qual o rio Minho nem sequer foi incluído na agenda da reunião entre os dois países.
Relativamente à questão do desassoreamento do rio Minho, Liliana Silva lembrou que já está acautelado e os procedimentos já estão a avançar.
Rui Lages voltou a intervir sobre este assunto para dizer que no seu entender não havia problema nenhum em o AECT tomar posições políticas, aliás disse mesmo que esperava bem que tivesse fins políticos.
Relativamente ao acordo de Huelva mencionado por Liliana Silva, Rui Lages disse que efetivamente ele existiu, mas serviu apenas para refazer um regulamento comum aos dois estados, e não para tomar posições acerca dos problemas do rio Minho, nomeadamente a limpeza das infestantes e o desassoreamento desde a sua foz.
Quanto ao acordo que vai ser assinado entre o município de Caminha e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Rui Lages congratulou-se com a sua existência, mas lamentou que o mesmo não tivesse sido submetido à apreciação em reunião de Câmara para que fosse do conhecimento de todos.
Liliana Silva não deixou cair o assunto sem antes referir que se por um lado o AECT até pode ter fins políticos, o que não pode é ter fins partidários.
Quanto à acusação proferida por Rui Lages de que o Governo está a condenar o rio Minho à irrelevância, Liliana Silva considerou a acusação grave e afirmou que é precisamente o contrário. “Há uma preocupação imensa”, garantiu.
Liliana Silva a demarcar-se das afirmações do AECT Rio Minho e a afirmar que o Governo está muito atento e interessado na resolução dos problemas do rio Minho.



