Será este o Caminho para Caminha?

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“Nunca esqueçamos esta verdade fundamental:
o Estado não tem fonte de dinheiro senão o dinheiro
que as pessoas ganham por si mesmas e para si mesmas…
Não há dinheiro público, há apenas dinheiro dos contribuintes.”
Margaret Thatcher

Quando a Assembleia Municipal de ontem, reunião de conjurados que terminou às 4 da madrugada, aprovou o Orçamento do Município e documentos conexos para 2026, decidiu que vai gastar mais de 2.300,00 Euros de cada Caminhense, num ano.

São quase 200 Euros por mês que a Câmara Municipal vai gastar de dinheiros de cada caminhense. Nenhum dos 35 representantes eleitos por esses caminhenses, perguntou à Assembleia ou se perguntou a si próprio, se os caminhenses que representa estão de acordo que os seus dinheiros sejam despendidos, como o vão ser.

Esta questão parece relevante quando o orçamento aprovado reflete um aumento na despesa de mais de 11 milhões de Euros suportado em duas premissas:

  1. Irão ser recebidos todos os fundos europeus das candidaturas aprovadas, algumas já no terreno, outras nem sequer iniciadas;
  2. As contas municipais apresentarão a 31 de Dezembro de 2025 saldos e almofadas financeiras que permitam tal nível de investimento;

Ora, estas duas premissas foram o presente envenenado da agora oposição socialista, à novel Presidente de Câmara: ninguém resiste a abrir uma caixa de bombons se a embalagem for atraente. Mas só quando se trincam, é que se percebe, se no interior tem conhaque ou, ao invés um qualquer licor beirão.

Para retribuir a cortesia natalícia, o novo executivo, ao apresentar este orçamento, tornou-se no maior aliado do anterior executivo socialista, quanto ao âmbito e extensão da prometida auditoria às contas municipais dos últimos anos.

Se a prometida – mas já adiada para 2026 – Auditoria, tiver um âmbito alargado e uma extensão temporal suficiente para detetar erros, falhas e até negligência, dolo ou fraude, que obriguem a rever o cálculo da dívida, do passivo contingente e das provisões, este orçamento ontem aprovado, será impossível de cumprir sem recorrer a empréstimos bancários volumosos, que o PS ontem fez questão de lembrar no passado.

Assim, a partir de ontem, os objetivos de Liliana Silva e de Rui Lages, no que uma auditoria respeita são comuns: que nada de relevante em termos financeiros seja detetado.

Ele, porque isso implicará uma validação independente da sua gestão. Ela, porque é o único resultado que lhe permitirá não ter de assumir um erro de julgamento, ao decidir investimentos avultados sem conhecer a real situação financeira do Municipio.

E é este o caminho que os 2.300,00 Euros de cada Caminhense seguirá, gerido pelo novo executivo, que o decidiu, sem informação fiável e “acreditando” que receberá todos os fundos de candidaturas que dependem duma execução até 30 de Junho de 2026.

Gerir não se pode basear em crenças, sobretudo quando os dinheiros que se gerem, são os dinheiros dos contribuintes.

Carlos Novais de Araújo
6 de Junho de 2025

Carlos Araújo
Carlos Araújo
Economista

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