Distrito: Trabalhadores das Misericórdias do Alto Minho em luta por contrato coletivo

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“Esse contrato garante as diuturnidades que tinham há 10 anos e deixaram de ter, que é 21 euros de cinco em cinco anos. Garante os feriados pagos a 100%, quando agora ganham como num dia normal, e garante-lhes 25 dias de férias”, explicou Rosa Silva, coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).

Em declarações aos jornalistas, na Praça da República, em pleno centro histórico de Viana do Castelo, os trabalhadores, a maioria mulheres, gritaram palavras de ordem por salários justos e reposição de direitos perdidos, num apelo aos provedores das Misericórdias dos 10 concelhos da região para que oiçam a sua “revolta”.

Clarice Silva trabalha na Santa Casa da Misericórdia de Ponte da Barca há nove anos e saiu esta quarta-feira para a rua, vestida de preto, para “lutar pelos direitos” de todos os colegas. “Esperemos que os senhores provedores tenham mais respeito por nós, que nos ouçam, que tenham consciência do nosso trabalho que é muito duro, a nível físico e psicológico”, afirmou.

Carla Araújo, funcionária da Misericórdia de Viana do Castelo, falou do “sentimento de injustiça” que afeta os trabalhadores das Misericórdias por continuarem a ganhar o salário mínimo nacional, no seu caso, quase 20 anos depois de ter entrado para a instituição.

“Estamos em luta porque ninguém nos ouve, estamos fartas de batalhar no mesmo [aplicação do CTT da CNIS]. Se os provedores não revirem a situação, quando chegarmos à altura da reforma, vamos ganhar o ordenado mínimo, depois de uma vida inteira de trabalho”.

A sindicalista Rosa Silva alertou que estas “trabalhadoras são, no setor social, as mais mal pagas”, considerando que a “revolta” que expressaram no protesto “é mais do que legítima”.

Segundo a sindicalista, trabalham nas Misericórdias do distrito de Viana do Castelo, cerca de dois mil trabalhadores, muito aquém das necessidades das instituições.

“Os que me dizem os senhores provedores e a Segurança Social é que não têm quem queira trabalhar nestas instituições. Não têm porque ninguém quer trabalhar sábados, domingos, noites e ganhar o salário mínimo nacional. Preferem trabalhar numa fábrica, ganhar mais e não trabalhar, nem noites, nem fins de semana”, disse.

A jornada de luta, convocada pelo CESP, incluiu greve entre 00h00 e 23h59 e a concentração na Praça da República, que começou às 11h30 e terminou cerca das 13h00, com a aprovação de uma moção a enviar ao conselho nacional, secretariado nacional e executivo da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) .

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