Em 16 Março, 2017 Por Em Podcasts, Rubricas - Artigos, Terra, Rio e Mar

Jovem caminhense organiza “Moledo Bodyboard Fest”

 

 

Quem vai em direção ao sul, é uma das primeiras praias atlânticas. A beleza paisagística extraordinária, aliada às suas propriedades, como por exemplo o facto de ser rica em íodo, fazem desta praia uma das mais apreciadas e concorridas do norte de Portugal. Bem cuidada, de águas frias, ondulação constante e por vezes ventosa, a praia de Moledo é muito procurada para a prática de desportos náuticos, como por exemplo o surf, o bodyboard, o windsurf ou o kitesurf. Nos últimos anos tem registado um aumento de praticantes destas modalidades, e consta já de muitos surf guides como um spot obrigatório para os amantes destes desportos. Frequentada por muitos praticantes portugueses, a praia tem visto aumentar, nos últimos anos, o número de praticantes estrangeiros, nomeadamente espanhóis, alemães, entre outros, que fazem desta praia um ponto de encontro para a prática destes desportos. Seja verão ou inverno, faça sol ou chuva, é vê-los entrar mar a dentro, enfrentar a ondulação e proporcionar a quem está em terra, um espetáculo único com as sua performances. Diz quem por ali anda que a boa onda não é só no mar, mas também em terra.

E vem tudo isto a propósito de um evento que está a ser preparado por um jovem caminhense e que terá lugar na praia de Moledo no dia 17 de junho. Trata-se do Moledo Bodyboard Fest, uma ideia que partiu, como referimos, de um jovem caminhense finalista do curso de comunicação, marketing, relações públicas e publicidade da ETAP – Escola Profissional de Vila Nova de Cerveira. Segundo explica Miguel Alegria , de 19 anos, a ideia de realizar o evento surgiu por ser praticante da modalidade, e pelo facto de ter que apresentar um projeto de final de curso.

“Desde muito pequeno que me lembro de levar a minha prancha para a praia de Moledo e ali passar muitas horas a brincar na água. Há cerca de cinco anos comecei a praticar Bodyboard mais a sério e então lembrei-me que podia desenvolver um projeto nesta área como trabalho de final de curso. Eu sabia que o trabalho tinha que incidir sobre um evento e então lembrei-me de organizar um que estivesse relacionado com algo que eu gostasse muito de fazer. Foi assim que surgiu a ideia do Moledo Bodyboard Fest”, explica.

A pouca divulgação da modalidade foi outra das razões que levou o jovem Miguel Alegria a avançar com a realização deste evento. “Sinto que esta modalidade ainda não está muito divulgada e por isso lembrei-me que ao realizar este evento podia contribuir para chamar a atenção para esta modalidade e ao mesmo tempo por uma nova geração na água”.

Quando pensou avançar com este projeto o jovem bodyboarder não estava à espera que o evento tomasse as dimensões que já tomou. “Desde o início que eu queria que o Moledo Bodyboard Fest fosse um grande evento mas sinceramente não estava à espera que tomasse estas proporções. Neste momento a responsabilidade já comear a ser grande e felizmente que tenho alguns amigos que me estão a ajudar”.

Para a realização deste evento o jovem caminhense conta com a ajuda de alguns amigos, da família e também da Câmara de Caminha. As empresas locais também estão a aderir e algumas já mostraram interesse em estar representadas no evento. “Outro dos objetivos deste evento passa também pela dinamização do comércio local e por isso vão ser disponibilizados alguns stands para que as empresas que se associem ao projeto também possam divulgar os seu negócios”, avança.

O evento vai contar com a presença de grandes nomes do bodyboard e do surf nacional a quem já foram dirigidos convites. “Já temos algumas confirmações mas faremos a divulgação das presenças mais lá para a frente”.

O “Moledo Bodyboard Fest” é um evento desportivo e cultural, com um cariz social que tem como principais objetivos divulgar o bodyboard e proporcionar uma grande festa a todo o público presente. O programa do Moledo Bodyboard Fest inclui uma palestra, uma aula de bodyboard para os jovens de duas instituições de acolhimento de crianças e jovens em risco, a Casa dos Rapazes e o Centro de Acolhimento Benjamim, bandas ao vivo, uma “tow” out session, uma sessão de autógrafos com os atletas nacionais convidados e uma sunset party a finalizar esta grande festa Bodyboard em Moledo. O evento tem início às 14:00 e encerramento previsto para as 24:00.

 

O bodyboard surgiu a partir do surf e pratica-se com uma prancha com o tamanho de meio corpo, utilizando a fora das ondas do mar que empurram os praticantes para a praia. É precisamente quando as ondas do mar rebentam que os praticantes de bodyboard executam as acrobacias. A modalidade, que teve a sua origem no Hawaii, vai estar em destaque na praia de Moledo em junho, onde são esperados muitos aficionados deste desporto.

BODYBOARD – UM DESPORTO COM HISTÓRIA

O Bodyboard apareceu no Hawaii em 1971. O seu criador foi Tom Morey que criou também a primeira prancha, a Morey Boogie. Ele é tão importante para o desporto, que até hoje existem pessoas que chamam ao bodyboard, morey boogie. Evidentemente que Tom Morey não é responsável pela invenção desta arte, desporto, ou estilo de deslizar pelas ondas deitado sobre pequenas pranchas. Existem relatos datados do século XV que falam de polinésios a surfar deitados. Essas pequenas tábuas rudimentares eram consideradas as pranchas do povo, já que apenas à realeza era permitido surfar em pé. Esta tradição conferia realmente ao surf o status do desporto dos reis mas, por outro lado, comprova que há mais de quinhentos anos que o bodyboard é a maneira mais divertida de aproveitar uma onda.

Durante muito tempo, Tom Morey tentou imaginar uma prancha que pudesse ser surfada de uma maneira diferente da habitual. O resultado foi melhor do que o esperado: é que, pela primeira vez, ele pode sentir a onda através da prancha. No dia 9 de Julho de 1971, o Bodyboard apareceu oficialmente pela mão de Tom Morey. Depois de ter introduzido várias inovações em pranchas de surf e de ter apresentado previsões futuristas sobre pranchas em várias revistas da especialidade, desenhou algo totalmente diferente: a primeira prancha de Bodyboard. Estas pranchas tiveram de imediato um número de vendas estrondoso nos EUA e rapidamente se espalharam pelo Mundo. Tom Morey deu um contributo importante para o desenvolvimento dos desportos aquáticos, criando uma nova modalidade. Coube-lhe o mérito de transformar uma brincadeira de praia num desporto ultra-radical com centenas de milhares de praticantes por todo o mundo e uma indústria que movimenta muito dinheiro em equipamentos, campeonatos, media, etc.

O Bodyboard é considerado a modalidade mais recente e com maior explosão de praticantes no mundo inteiro. Os primeiros praticantes de Bodyboard em Portugal surgiram em 1980. Hoje em dia, esta é uma das mais desenvolvidas modalidades radicais de mar. Visto ser uma modalidade ainda recente, o Bodyboard tem milhares de praticantes com média de idades oscilando entre os 12 e os 25 anos. Trata-se de uma modalidade inserida na Federação Portuguesa de Surf e que regista já várias centenas de praticantes federados e todos os anos realiza campeonatos nacionais e internacionais para os vários escalões.

Na Europa, Portugal é o país com mais nível e melhores resultados obtidos até à data e conta já com dois campeões mundiais e um vencedor do WQT e vários campeões europeus. Aliás, Portugal a seguir ao Brasil e Japão é o 3º país do mundo com mais praticantes femininas. Foi também pelos feitos de Dora Gomes (Campeã Mundial (ISA) e Europeia), condecorada pelo Presidente da República e membro do Conselho Superior de Desporto, que o Bodyboard se expressou como modalidade. Dora Gomes deu um grande contributo ao Bodyboard Português, nomeadamente ao feminino e ao Boogie Chicks, que agora querem seguir os seus passos.

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