
Discurso proferido, a convite da Dra. Teresa Bernardo, na homenagem aos 80 anos da Dra. Joana Moura, Diretora do Serviço de Pediatria (1981-2006), e aos 25 anos da nova Unidade de Cuidados intensivos Neonatais da ULSAM, em 30 de maio de 2026.
Exma. Sra. Dra. Joana Moura,
Exmo. Sr. Representante, da Câmara Municipal Viana do Castelo, Dr. Ricardo Rego,
Exmo. Sr. Representante, do Conselho de Administração da ULSAM, Dr. Nelson Rodrigues,
Exmo. Sr. Diretor, de Serviço de Pediatria, Dr. Hugo Rodrigues,
Caros colegas, atuais e antigos, do Serviço de Pediatria,
Exmos. Srs. Convidados,
Fazer um resumo que enquadre simultaneamente os 25 anos da UCIN da ULSAM e assinale os 80 anos da Dra. Joana Moura não é simples, nem tem de o ser. A vida de alguém que se confunde com Instituições ou serviços como este não pode gerar raciocínios simplistas. Queria, por isso, fugir ao lugar-comum de enumerar cronologicamente etapas ultrapassadas, seguramente em tempos mais difíceis, e de cujo árduo trabalho houve muitos beneficiários, entre os quais me encontro.
Foram, no entanto, os mais novos – os pequeninos recém-nascidos – os primeiros e maiores beneficiários. E é isso que importa no final: o bem que se faz, sem que tal tenha que figurar nos currículos profissionais, mas que figura seguramente no currículo de vida da Dra. Joana Moura.
A verdade é que, sendo esse mérito da Dra. Joana Moura incontornável e fundamental na criação da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, há nomes que, também nesse processo, pelo seu mérito, esforço e iniciativa, não podemos esquecer. Refiro, desde logo, o Dr. Armando Laranjeira, o Dr. Sérgio Mendanha e o Dr. Fernando Branco, mas também o Dr. Lourenço Labandeiro, o Dr. Rui Cerqueira e o Dr. Rei Amorim, elementos do primeiro corpo clínicoda Neonatologia do Hospital Santa Luzia, a partir de 1988.
Serve-me isto para dizer aos colegas da atual equipa da UCIN, que desde 2001 funciona nesta ala do Piso 7, e entre os quais me incluo como coordenador nos últimos 10 anos: saibamos merecer. Porque foram, de facto, muitas as vontades, muitas as vidas desgastadas e muitos os recursos empregues para aqui chegarmos.
A Dra. Joana Moura soube, desde o primeiro dia, que o intervencionismo neonatal era a minha preferência e creio também que percebeu que eu não me desviaria desse objetivo, apoiando-me, por isso, na pós-graduação na UCIN do Hospital de Santo António com o Prof. Otávio Cunha e, posteriormente, no estágio em Lausanne, na Suíça.
Soube ver que os mais discretos nem sempre são os menos eficientes; pelo contrário. E até nos concursos de fotografia, que com ela tiveram alguma tradição nas Jornadas do nosso Serviço, me apoiou.
Em resumo, sem todo esse apoio visionário da Dra. Joana Moura, não estaríamos aqui hoje.
Por isso, estes 25 anos da UCIN nesta ala do Piso 7 servem também para provar que há certas convicções e aventuras de juventude que têm conteúdo, valor e futuro. Foi o caso desta jovem equipa que referi, sempre apoiada pela Dra. Joana Moura.
Claro que, ao longo destes percursos – de qualquer percurso – há erros e correções, desvios e acertos, altos e baixos. Chama-se a isso História. No entanto, quantas vezes, na hora da festa, há esquecimentos? Daí o meu respeito pela lembrança do seu trabalho e empenho em prol deste Serviço durante 25 anos.
Queria ainda deixar um espaço para ser grato a todas as administrações da ULSAM, incluindo a atual, aqui representada, que sempre responderam positivamente aos exigentes e dispendiosos requisitos técnicos necessários para que a UCIN acompanhasse o passo do futuro.
Hoje é dia de festa, repito, mas não podemos esquecer que vivemos tempos do que chamo “os poderosos transitórios, de ocasião”, muitos sem estrutura para exercer funções de chefia, mas que as ocupam. A esses respeita-se, muitas vezes, a hierarquia, embora sem verdadeira consideração pessoal. E, por isso, não deixam nem deixarão legados como o da Dra. Joana Moura; deixam apenas derivas da ideia absolutamente errada da sua própria importância.
Deixou a Sra. Dra. Joana Moura um legado estruturado, forte e hoje continuado, assente na sua convicção, mas também na assunção da responsabilidade inerente às suas funções. E isso fez – e continua a fazer – toda a diferença em qualquer instituição.
Um diretor de serviço erra, como todos nós. Gere um local de trabalho, mas também expectativas, sonhos e, inevitavelmente colisões. Gere vidas profissionais que, cada vez mais, transportam anseios pessoais. A gestão equilibrada e funcional desse processo, sabemos todos, nunca foi fácil.
Pessoalmente, prefiro sempre guardar o que de bom as pessoas me deram. E, de uma forma ou de outra, a Sra. Dra. Joana Moura ajudou-me a realizar-me profissionalmente, tendo eu encontrado na Unidade Cuidados Intensivos Neonatais um canto a que chamo a minha trincheira de humanidade, lembrando frequentemente a mim aquilo que tantas vezes repito: faz por merecer.
Por isso, nesta hora de alegria pelos seus 80 anos e também numa hora de balanço para mim, estou certo de que, em nome dos meus colegas de Serviço e da Unidade, ao oferecer-lhe a constatação de uma UCIN com excelentes indicadores e uma equipa equilibrada e competente a Dra. Joana Moura ficará feliz.
Porque, sem dúvida, valeu a pena.
Da minha parte, fiz o meu melhor. E isso foi uma honra.
Muito obrigado.
Arnaldo Botão Rego
Pediatra – Neonatologista



