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Viana do Castelo: “Ter a quem pedir ajuda” foi “uma força” para migrante do Bangladesh

Sem casa ou emprego, Sofia (nome fictício), do Bangladesh, encontrou no projeto Meeru, de apoio a refugiados e migrantes, “uma força” para quem “não tem ninguém”, com voluntárias a quem “ligar e pedir ajuda”.

“Precisava de ter confiança. Para escolher casa, encontrar trabalho… Não tinha nada, estava assustada. Para quem não tem família, nem ninguém, o mais importante – mais do que casa ou dinheiro – é ter a quem pedir ajuda. Com a Helena e a Sónia [voluntárias do Meeru], tive confiança, senti-me mais segura. Fiquei mais descansada e pronta para avançar. Foi como uma força”, descreveu à Lusa.

Promover “relações significativas e duradouras” de migrantes e refugiados com a comunidade local, quando as instituições de acolhimento saem de cena, é um dos objetivos do projeto Meeru – Aproxima, que desde 2020 já apoiou 32 famílias.

Cerca de dois anos após os oito meses de apoio do projeto, Sofia, com 38 anos, tem casa e emprego em Viana do Castelo, as duas filhas integradas na escola e continua a reservar “um dia por semana” para o encontro com as voluntárias que a acompanharam na entrega de currículos, lhe mostraram a cidade, a levaram à praia ou lhe ficaram com as crianças quando se sentiu mal e teve de ir ao hospital.

Ainda lhe explicaram como apanhar o comboio e com elas foi ao Porto e a Braga “pela primeira vez”.

“Do que gosto mais é da praia. É muito bonita em Vila Praia de Âncora. As minhas filhas adoram a Helena e a Sónia. Foram elas que nos levaram. E também levaram ao Porto e a Braga. Há um ano, eu não falava. Não gostava de falar, não gostava de pessoas. Agora estou melhor. Estou a tentar”, relata Sofia.

A relação com as voluntárias é “cada vez mais forte” e um dos momentos mais importantes da relação foi ter participado numa refeição para celebrar o aniversário de uma delas e respetiva família.

“Não estou com a minha família há sete anos. Foi muito importante viver aquele espírito de família”, explicou.

A trabalhar desde maio de 2022 numa associação de apoio a pessoas com paralisia cerebral, Sofia chegou a Portugal há cerca de oito anos.

Nunca tinha trabalhado, a não ser no negócio da família do marido, de quem se divorciou com a ajuda de associações de apoio à vítima de violência doméstica.

“Fiquei noutro país, onde não conhecia ninguém, não falava português nenhum e estava sozinha com duas filhas. Trabalho, procurei muito, mas não era portuguesa, não falava português e era muito difícil encontrar um horário fixo que coincidisse em o da escola [das crianças]”, recorda.

Sofia relembra que, antes de conhecer as voluntárias do Meeru, “não tinha certezas, não tinha um plano, nada”.

“Estava à procura de casa, estava muito preocupada porque não conhecia nada. Precisava deste apoio”, resume.

Lusa

 

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