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Sábado, 19 Setembro, 2020
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Utensílios arqueológicos com mais de 200 mil anos descobertos em Monção

Equipa de investigadores portugueses e espanhóis, coordenada pelo professor João Pedro Cunha Ribeiro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, acredita estar perante uma das mais relevantes estações do paleolítico a norte do rio Douro. Utensílios descobertos (machados de mão, bifaces e lascas) serão objeto de inventariação e divulgação. Resultado dos trabalhos arqueológicos serão publicados em revistas nacionais e internacionais.

No âmbito do projeto transfronteiriço “Os primeiros habitantes do baixo Minho. Estudo das ocupações pleistocénicas da região”, iniciaram-se, no passado dia 27 de junho, trabalhos de arqueologia no Lugar da Bemposta, em Valadares, com a presença de investigadores portugueses e espanhóis e oito estudantes do curso de arqueologia da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Na presença do autarca monçanense, Augusto de Oliveira Domingues, a equipa envolvida nos trabalhos fez um primeiro balanço e apresentou diversos utensílios arqueológicos com mais de 200 mil anos descobertos no decorrer da prospeção: machados de mão, bifaces e lascas.

Estes utensílios, que constituem testemunhos interessantes e inéditos sobre a ocupação primitiva do baixo Minho, são entendidos pelos especialistas como emblemáticos e representativos da presença do homem do paleolítico inferior nesta região. Por outras palavras, testemunham a chegada do homem a estas paragens há mais de 200 mil anos.

Maravilhado com a descoberta, o coordenador do projeto, Prof. João Pedro Cunha Ribeiro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, acredita estar perante uma das mais relevantes estações do paleolítico a norte do rio Douro que, adiantou, merece um trabalho de continuidade porque pode revelar um conjunto de dados valiosos sobre as primeiras ocupações de humanos no baixo Minho.

Os utensílios descobertos nesta pesquisa arqueológica serão agora objeto de inventariação, apresentação aos responsáveis do património nacional e divulgação pública. Os resultados dos trabalhos arqueológicos serão publicados em revistas nacionais e internacionais.

Presente no local, o autarca monçanense, Augusto de Oliveira Domingues, agradado com a lição de pré-história, realçou a importância desta pesquisa arqueológica, afirmando-se surpreendido e orgulhoso com o resultado: “Estou impressionado com o que vejo e extremamente satisfeito por saber que a nossa comunidade existe há mais de 200 mil anos”.

Disponível para a valorização deste espólio arqueológico através da criação de itinerários intermunicipais, Augusto de Oliveira Domingues, revelou também que gostaria muito de ver as peças no futuro museu municipal. “Em tempos, apresentamos uma candidatura que não foi aprovada. Voltaremos a tentar. Porque estamos apostados em garantir a preservação da nossa história”.

Refira-se que o presente projeto, que decorrerá nos vários municípios portugueses e espanhóis do troço internacional do rio Minho, focaliza-se no estudo da presença do homem paleolítico no curso final do rio Minho, entre a confluência com o rio Trancoso, na sua margem esquerda, e a foz, 75 quilómetros a jusante.

 

 

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