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Quarta-feira, 21 Outubro, 2020
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Solar inaugura “Terra” no dia 8 de Julho

Entre 8 de julho e 17 de setembro, a Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, apresenta “Terra”, uma exposição colectiva da nova geração de autores portugueses: Gabriel Abrantes (em colaboração com Ben Rivers), Priscila Fernandes, Pedro Neves Marques, Joana Pimenta, Lúcia Prancha, Francisco Queimadela e Mariana Caló.

A decorrer em simultâneo à 25ª edição do Curtas Vila do Conde, a exposição inaugura no primeiro dia do festival, a 8 de julho, às 17:00, com a presença de alguns dos artistas

“Terra” integra seis instalações site-specific, desenvolvidas a partir de filmes, mas que não passam obrigatoriamente pela sua projeção. Cada obra reflete sobre o lugar: primeiro o da sua terra de origem, onde foi imaginada, filmada e construída, e, depois, a terra para onde viaja e onde para, pelo menos por breves meses, habitando um espaço com marcas, ora de uma história passada, ora da ocupação recente do historial de exposições. Neste sentido, as instalações partem de pontos específicos do planeta, muitas vezes longínquos, que trazem a um local específico onde se consumam num todo que forma a TERRA, contribuindo para uma ideia complexa formada a partir de elementos simples, por vezes dispersos, mas que se agregam para formar um novo espaço de significação.

O tema sob o qual se agrega o conjunto de instalações, para além da óbvia conotação com questões ambientais, refere-se sobretudo à imersão local, na “nossa terra”, das imagens do mundo sobre as quais estes artistas e realizadores se debruçam. Transparece, conceptualmente, uma transposição de escala, de lugar e de tempo, tal como a vontade de trabalhar, quer o espaço da sala de cinema, quer o da galeria de arte.

Esta será uma oportunidade para evidenciar a qualidade da obra de uma nova geração que, para além do reconhecimento nacional, alcança já alguma notoriedade internacional, tanto no panorama do cinema como no das artes plásticas. São autores que, de alguma forma, já estabeleceram uma relação com a Curtas Metragens CRL, quer seja de forma direta, pelo apoio dado à produção de obras originais, quer pela participação no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema ou, até, em exposições anteriores da Solar – Galeria de Arte Cinemática.

A partir do conto O Corcunda das Mil e Uma Noites, Gabriel Abrantes e Ben Rivers criaram uma distopia futurista, um filme que nesta exposição é apresentado em formato de instalação vídeo, onde uma empresa omnipotente força os seus empregados a participar em programas de reintegração emocional, simulando outras épocas e géneros cinematográficos.

Por sua vez, Priscila Fernandes apresenta uma peça sonora inédita, produzida para a Solar, baseada na utopia medieval do País da Cocanha, um lugar de comida abundante, tempo ameno e onde o trabalho é desnecessário. A artista transporta esse imaginário para a atualidade, num parque numa cidade, de noite, e uma multidão de gente que circula em seu redor sem nunca encontrar a entrada.

Pedro Neves Marques expõe uma instalação vídeo produzida muito recentemente a partir de imagens rodadas na paisagem transformada pela agricultura de monocultura do Rio Grande do Sul, no Brasil, e de questões retiradas de um diário do realizador: que espécie de vida são estas sementes transgénicas? E o que significa aprender a viver com o inimigo?

Joana Pimenta parte do seu filme Um Campo de Aviação para uma instalação vídeo: “Um campo de aviação num subúrbio desconhecido. O lago debaixo da cidade queima as ruas. As montanhas atiram rocha para os jardins. Na cratera de um vulcão, uma cidade modelo é levantada e se dissolve. Duas pessoas encontram-se neste lugar, separadas por cinquenta anos”.

Lúcia Prancha participa nesta exposição com uma instalação dividida três partes: cartazes para o filme The True Sentimental Bitch, uma série de esculturas e um vídeo, intitulado de SleepWorkers.

Por último, Mariana Caló e Francisco Queimadela, atraídos pelo imaginário coletivo em torno da figura do lince ibérico, viajaram pelas imediações da Serra da Malcata, por terras que assistiram ao seu desaparecimento nas últimas décadas. O resultado é Efeito Orla, uma instalação composta por duas projeções síncronas e justapostas, que procuraram estabelecer uma relação constante entre a verticalidade e a gravidade, o céu e a terra, entre micro e macro escalas, induzindo estados que oscilam entre a vontade de contemplação e um estado de alerta – um sentimento de emergência que associaram ao desaparecimento do lince.

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