Resultados eleitorais em Caminha – Uma Leitura Fora da Ilha

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Grafico eleições autárquicas caminha 2025

Dos resultados eleitorais de Domingo, com a recontagem pedida pelo PS, vale a pena analisar em mais detalhe e factualmente, porque os números não mentem, algumas opções dos partidos concorrentes, e como os votos lhes corresponderam ou não.

  1. O voto útil: mais na esquerda, mas também na direita

Os votantes CDU, BE e Chega fizeram claramente Voto Útil ao Centro para a Câmara Municipal. Tiveram para a Assembleia Municipal muito mais votos do que nos seus candidatos para a Câmara, CDU-123, BE-67, Chega-82.

Rui Lages teve para a Câmara 4.549 votos mas o PS para a Assembleia Municipal teve 4.343 votos, ou seja 206 votos a mais na Câmara. Os 190 da CDU+BE são a grande fatia.

Liliana Silva teve para a Câmara 4.579 votos e a coligação PSD/CDS teve na Assembleia Municipal 4.495 votos, ou seja 84 votos a mais na Câmara. Os 82 do Chega aí estão.

Medalha de cortiça para Celestino Ribeiro e Abílio Cerqueira, com metade dos seus eleitores a engolirem sapos e a abandonar os seus barcos a afundar. Lição para Eduardo Gonçalves a futuro, sem as freguesias não se conquistam votos na Câmara.

  1. O PSD/CDS apresenta candidata a Presidente da Câmara de Vila Praia de Âncora e o Candidato a Vereador Carlos Castro, “caudilho” da mesma freguesia.

A lista de Luís Matias para a Junta teve 1. 889 votos e a lista de Liliana Silva e Carlos Castro para a Câmara, teve 1.661 votos, uma diferença de -228 votos.

Ou seja, a diferença nos votos para a Junta e para a Câmara, em relação a 2021, só diminuiu 38 votos.

228 votantes de V.P. de Âncora quiseram a Junta PSD/CDS mas não quiseram a Câmara PSD/CDS. O efeito arrastamento não aconteceu e por isso a disputa final, foi tão renhida.

  1. PS manteve o faz de conta em Riba d´Âncora, reproduzindo a ideia em Vila Praia de Âncora, com o mesmo candidato das pedreiras.

O PS perdeu 57 votos em Vila Praia de Âncora, num contexto de mais votantes e menos abstenção. Forasteiros e faz de conta, no governo das freguesias, não funcionam.

  1. PSD/CDS faz forte aposta em Lanhelas (com candidata a vereadora dessa freguesia) e vários eventos da campanha, até com deputados europeus.

Pois bem, se para a Junta de Lanhelas a coligação PSD/CDS ainda cresceu 17 votos, para a Câmara até diminuiu 1. É o pior resultado de todo o Concelho.

Lanhelas é a única freguesia na qual o PS cresce de modo significativo nestas eleições, num contexto de perda ou manutenção. O PS cresce em Lanhelas 56 votos para a Câmara (+18%) e tem mais 49 votos para a Junta de Freguesia.

Há a Lanhelas abaixo da Rua de Liberdade e a Lanhelas para cima da Rua da Liberdade, a Lanhelas para a esquerda da Igreja e a Lanhelas para a direita da Igreja. É preciso conhecer as quatro e a coligação PSD/CDS não conhece.

  1. PSD/CDS aposta em candidatos fortes para conquistar várias juntas de freguesia antes presididas por PS ou até CDU.

Aparentemente este objetivo foi conseguido com a coligação PSD/CDS a passar de 3 Juntas de Freguesia para 6. Além de Âncora, Vila Praia de Âncora e Vile, ganharam mais Argela, Venade+Azevedo e Vilar de Mouros.

Porém, a coligação PSD/CDS só ganha na votação para a Câmara, nas 3 freguesias nas quais já tinha a presidência da Junta e, perde na votação para a Câmara mesmo em freguesias nas quais cresce e conquista a Junta.

  1. O PS perde a Câmara em Vila Praia de Âncora, mas não só

O PS perde a Câmara porque numas eleições nas quais votaram mais 607 eleitores, apenas cresceu com significado em Lanhelas, e muito modestamente em Caminha e Dem. Perdeu 210 votos que eram seus, nas outras freguesias e não conquistou votos que se vissem, nesses 607 novos votantes.

  1. PSD/CDS ganha a Câmara porque cresce mesmo onde perde

A coligação PSD/CDS teve em 2025 mais 460 votos do que em 2021.

Dos 460 votos conquistados a mais, Vila Praia de Âncora contribuiu com 163 votos e o resto das freguesias mais pequenas, com 297 Votos.

Apenas o crescimento em Vila Praia de Âncora não chegaria para a coligação PSD/CDS ganhar a Câmara. 2/3 desse crescimento foi nas outras freguesias.

  1. A inflamação do Chega com a votação das últimas legislativas

Há poucos meses, o Chega teve em Caminha mais de 2.100 votos nas eleições legislativas. Daí à euforia, foi um passo.

Neste contexto autárquico, sem equipas nem listas nas freguesias e, com um candidato autarca ex-PS, portanto conotado à esquerda, ter 742 votos, é certamente animador para o Chega e preocupante para os outros partidos.

  1. A CDU agora PCP-PEV, tem em Caminha, como no país, a síndrome da geringonça

O PCP-PEV andou anos e anos a viver na geringonça com o PS, na Assembleia Municipal e na Junta de Freguesia do Festival, como no país.

O povo é sábio e sabe bem que, os atuais dirigentes comunistas nunca pegaram numa foice ou num martelo, nunca trabalharam numa fábrica, são todos da esquerda, mas só da intelectual, para conservar os seus privilégios de funcionários públicos ou no sindicato. E para isso, mais vale votar PS que sempre pode ganhar.

Nota de rodapé: O Bloco de Esquerda

O Bloco das frases feitas e da linguagem pretensiosa, o bloco da presunçosa e falsa superioridade moral, foi relegado para o contexto da flotilha inútil: até para os votos em branco perde, já só competindo, ironia de linguagem, com os votos nulos.

*quando referimos Junta de Freguesia ou junta, por facilidade de linguagem, entenda-se formalmente Assembleia de Freguesia.

Carlos Novais de Araújo
17 de Outubro de 2025

Carlos Araújo
Carlos Araújo
Economista

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