Primeiro, Caminha

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Ninguém corta o que está naturalmente cortado. Ou seja, está vedada a qualquer município, entidade ou pessoa a possibilidade de interferir na linha editorial da comunicação social em troca de compra de publicidade. A liberdade de imprensa está garantida pela Lei e pela Constituição, abrange o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura. Não podem as entidades usar o investimento publicitário, ainda mais pago com dinheiro público e obrigadas que estão a regras legais para essa contratualização, para discriminar órgãos de comunicação social. Como se de um castigo se tratasse. Para premiar assim o seguidismo fanático às suas ideias com o único objectivo de limitar a pluralidade de opiniões.

O reconhecimento do interesse público da liberdade de imprensa e o respeito pelo direito universal de qualquer ser humano à liberdade de expressão, são valores que definem a grandeza de uma sociedade moderna. Dão voz, testemunho e memória à vida em democracia. Promovem o diálogo.

A denúncia cobarde sem critério, o anonimato e as ameaças não podem ser instrumentos de perseguição, encostados na Lei, para calar os incómodos e os que querem mais para a sua terra. Não há maior prisão que a de espírito, aquela que apenas serve os propósitos das clientelas sem mérito ou qualquer valor, que afinal defende em nome do “interesse público” um emprego ou lugar ao sol para si próprio. A comunicação social como empresa, tem os mesmos problemas e desafios que os outros negócios instalados em Caminha. Sem mais. A mediocridade da discussão política local afecta o futuro de Caminha. Não tem solução para os problemas estruturais. É uma discussão vazia que não procura o caminho que interessa e que muitos municípios do distrito já encontraram, dos Arcos de Valdevez até Vila Nova de Cerveira, apesar das muitas e comuns dificuldades dos tempos de hoje. É e foi incapaz de gerar riqueza, atrair investimento, trazer indústria, criar política para turismo e cultura, em suma criar emprego e fixar população. Mal gasta o pouco dinheiro que tem na promoção em monólogo dos que apenas se servem do município da foz minho, “terra muito linda”, para sair o mais rapidamente possível destas paragens da província. É urgente pensar Caminha. É estratégico valorizar os que empreendem na nossa terra e não querem de maneira nenhuma que a câmara municipal seja a única porta de emprego no município, com toda a promiscuidade que isto só por si traz. Terão os caminhenses que chamar a si a sua terra. Exigir que Caminha seja agenda única dos que nos governam. Terão que aprender a escolher políticos para quem Caminha esteja primeiro.

Desejamos a todos um Natal em paz de espírito, um 2016 em liberdade de expressão, sempre que possível na companhia leve e constante da música da Rádio Caminha.

Elsa Guerreiro Cepa

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