O caminhense António Calçada de Sá considera que o continente africano pode tornar-se um dos maiores motores de crescimento económico para as empresas europeias, desde que o investimento privilegie a criação de valor local.
África reúne condições para se afirmar como um dos principais motores das exportações e do investimento europeu nas próximas décadas, mas esse crescimento exige uma mudança de paradigma na forma como as empresas encaram o continente. A convicção foi expressa por António Calçada de Sá, presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa, durante o EurAfrican Forum, onde apelou a uma maior cooperação económica entre Europa e África.
“África pode ser um motor de exportação extraordinário e a Europa tem de estar presente, fazendo coisas que gerem valor localmente”, defendeu o responsável, sublinhando que o futuro da relação entre os dois continentes passa pela industrialização, pela transferência de conhecimento e pelo desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis.
Para António Calçada de Sá, o desafio já não está na definição de novas estratégias, mas sim na sua concretização. “Não é preciso mais inspiração, é preciso mais transpiração”, afirmou, defendendo que empresas portuguesas e africanas devem estabelecer alianças para desenvolver projetos conjuntos em áreas como as infraestruturas, digitalização, saúde, educação e energia.
O presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa considera que a complementaridade entre a experiência tecnológica europeia e o dinamismo dos mercados africanos representa uma oportunidade para criar riqueza em ambos os continentes, promovendo emprego qualificado e desenvolvimento económico local.
A crescente procura por novos mercados e a reorganização das cadeias globais de abastecimento reforçam, segundo os participantes no fórum, a importância estratégica de África para a economia europeia. Neste contexto, Portugal surge numa posição privilegiada para reforçar a sua presença, beneficiando das ligações históricas, culturais e empresariais que mantém com vários países africanos, em particular os de língua portuguesa.
O EurAfrican Forum voltou, assim, a defender uma parceria baseada na cooperação, inovação e investimento sustentável, procurando transformar o potencial económico africano em oportunidades concretas para empresas, investidores e comunidades locais.



