Obras do mercado de Viana do Castelo interrompidas por escavações arqueológicas

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O presidente da Câmara de Viana do Castelo disse hoje que as obras de construção do mercado municipal no local onde existiu o prédio Coutinho foram interrompidas por ter aumentado a área de escavações depois de descobertos achados arqueológicos.

Luís Nobre respondia a uma interpelação do vereador da Aliança Democrática (AD) Paulo de Morais que, durante a reunião ordinária do executivo municipal, pediu um ponto de situação da obra.

O autarca socialista explicou que a área de escavações “foi alargada a pedido da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N)”.

À agência Lusa, Luís Nobre disse que os “trabalhos foram interrompidos pelo tempo necessário para a realização das escavações”.

“Vai depender do que se encontrar”, acrescentou.

A empreitada de construção do novo mercado, avaliada em 13,37 milhões de euros, começou em 29 de setembro e tinha como prazo de conclusão 18 meses, sendo que a descoberta de achados arqueológicos já fez derrapar a obra em três meses.

No final da reunião camarária, em declarações aos jornalistas, Luís Nobre disse que, face ao alargamento da área de escavações, a autarquia lançou concurso público, entretanto fechado e em fase de avaliação de propostas, para a aquisição de serviços de arqueologia de acompanhamento da construção do novo mercado e requalificação da envolvente.

“Decidimos que não fazia sentido o empreiteiro estar a fazer tarefas muito simples, muito pouco expressivas, podendo até pôr em perigo a área que é preciso escavar e concentramo-nos agora apenas nas escavações arqueológicas”, referiu.

Luís Nobre explicou que “o que for encontrado irá determinar a rapidez, ou não, das próprias escavações”.

“Não consigo, neste momento, dizer quando é que esta fase vai terminar, mas estamos a trabalhar para que seja o mais rápido possível para podermos retomar a empreitada”, observou.

Vestígios do antigo convento de São Bento foram encontrados em outubro de 2025, durante as escavações no parque de estacionamento à superfície que existia nas traseiras do prédio Coutinho, desconstruído em 2022 para instalação do novo mercado municipal.

“Estamos numa zona sensível, um dos primeiros povoamentos da cidade. A primeira matriz foi a capela das Almas que está mesmo ao lado [do local onde vai ser construído o novo mercado]. Não estamos num espaço qualquer, embora tenham surgido no passado, sem estas preocupações, o primeiro mercado da cidade e do edifício Jardim [prédio Coutinho]”, disse.

Luís Nobre garantiu que o novo mercado vai ser construído, mas “poderá implicar um registo mais profundo e rigoroso, ou não, do que for encontrado”.

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