Hugo Soares diz que Governo está a fazer “mudança tranquila” e “despida de ideologia”

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O líder parlamentar do PSD defendeu hoje que o Governo está a fazer há dois anos “uma mudança tranquila”, com a “adesão dos portugueses”, e que disse ser “despida de ideologia”, nem de esquerda nem de direita.

Hugo Soares falava na abertura das jornadas parlamentares do PSD, que decorrem até quarta-feira em Caminha (Viana do Castelo), a que assistiu o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, antigo deputado por este círculo.

O dirigente do PSD recordou que hoje, 10 de março, passam dois anos da primeira vitória que levou o partido de volta à liderança do Governo, considerando que, desde essa altura, se iniciou “uma mudança tranquila” no país em áreas como a saúde, educação, habitação.

Numa altura em que se têm sucedido intervenções críticas do antigo primeiro-ministro do PSD Pedro Passos Coelho a pedir mais reformas ao Governo, Hugo Soares defendeu que as mudanças feitas pelo atual executivo “têm a adesão dos portugueses”.

“As mudanças que nós estamos a fazer, muitas delas oferecem resistência, muitas delas encontram, nos do costume, os seus obstáculos, os seus bloqueios até, mas estamos a fazê-las com quem verdadeiramente interessa, estamos a fazê-las com o povo”, defendeu.

Por outro lado, o dirigente do PSD considerou que o atual executivo liderado por Luís Montenegro tem feito “uma mudança despida de ideologia”.

“Não é uma mudança nem de esquerda nem de direita. Se me quiserem chamar um perigoso esquerdista porque aumentámos três vezes o complemento solidário para idosos, eu não me importo nada. E se me quiserem chamar um populista de direita porque regulamos a imigração, eu também não me importo nada”, resumiu.

Aos que pedem reformas estruturais, o líder parlamentar social-democrata respondeu com o que considerou ser “uma reforma comportamental”, com a aprovação de medidas como a restrição do uso de telemóveis em ambiente escolar ou a proposta do PSD de limitar o uso de redes sociais a menores.

“Se não formos orgulhosos do que fizemos até agora, há uma coisa que eu vos quero dizer, ninguém vai ser por nós, e eu tenho mesmo muito, mas muito orgulho do que nós fizemos até agora”, afirmou,

Hugo Soares assegurou que o Governo vai “continuar neste centro moderado, no meio de dois blocos”, referindo-se a PS e ao Chega.

Como exemplo desta “mudança tranquila”, o líder parlamentar do PSD apontou a extinção de centenas de cargos nas Unidades Locais de Saúde, quando acabou com os conselhos fiscais nestas instituições, que disse estarem “bem vestidos de rosa”, numa alusão ao PS.

“Não foi preciso alardear muito. Não foi preciso propagandear. Se calhar devíamos propagandear mais”, admitiu.

A descida dos impostos, a alteração da fiscalidade na habitação – em especial para os mais jovens – ou a extinção e fusão de muitos institutos foram outros exemplos apontados desta “mudança tranquila” no país, com uma palavra particular sobre o aumento dos pensionistas, grupo especialmente visado durante o anterior executivo PSD/CDS-PP, no tempo da ‘troika’.

“Nós estamos a fazê-lo por uma questão de justiça social, mas estamos a fazê-lo porque nós queremos mesmo incutir uma mudança tranquila também comportamental. Nós queremos que os portugueses saibam que com o nosso Governo nós valorizamos as suas vidas”, vincou.

No início do seu discurso de abertura das jornadas, dedicadas ao tema “Portugal resiliência e ambição”, o líder parlamentar e secretário-geral do PSD pediu um forte aplauso do grupo parlamentar para o antigo dirigente Nuno Morais Sarmento, que morreu no sábado, e a cujo funeral os deputados não puderam assistir, uma vez que as jornadas decorrem em Caminha (distrito de Viana do Castelo).

Antes, o líder da distrital de Viana do Castelo do PSD e presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, Olegário Gonçalves, deixou um recado que pareceu ser dirigido ao ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que fez nas últimas semanas várias intervenções críticas em relação ao Governo.

“Temos que continuar a governar e não termos medo daqueles que, volta e meia, lembram-se de dizer alguma coisa para a comunicação social, sem fundamento, sem qualquer tipo de razão. Portanto, vamos estar novamente a apoiar o Luís Montenegro no próximo Congresso que ele merece e o Governo merece e podem contar com o Alto Minho que vai estar presente”, afirmou.

O primeiro Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro tomou posse a 02 de abril de 2024 e demitiu-se a 11 de março do ano seguinte, devido à rejeição pelo parlamento de uma moção de confiança apresentada pelo executivo, após semanas de dúvidas sobre a vida patrimonial e pessoal do primeiro-ministro e a empresa Spinumviva. 

O anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou legislativas antecipadas, que a coligação AD (PSD/CDS-PP) voltou a vencer a 18 de maio do ano passado, aumentando o número de deputados que suportam o Governo de 80 para 91. As eleições resultaram na subida do Chega a segunda força parlamentar, ultrapassando o PS.

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