A procura pelo Caminho Português da Costa para Santiago de Compostela continua a crescer de forma sustentada, consolidando-se como o segundo Caminho de Santiago mais percorrido em todo o mundo, logo após o Caminho Francês. De 2024 para 2025, registou um aumento de 20% no número de turistas e peregrinos que escolheram este percurso, e a tendência é de crescimento permanente.
A segurança mantém-se como uma prioridade das autoridades portuguesas e espanholas, “porque o Caminho não conhece fronteiras”. Durante a apresentação da operação “Bom Caminho 2026”, esta sexta-feira, em Vila Nova de Cerveira, o comandante do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, o Coronel Maciel da Silva, garantiu que “é um caminho totalmente seguro, e assim vai continuar a ser, com a aplicação dos recursos e meios da GNR e da Guardia Civil. Há mais meios e a GNR tem procurado ajustar o dispositivo à realidade”.


A apresentação do dispositivo distrital da GNR no âmbito da operação “Bom Caminho 2026” contou com a presença do Comandante Operacional da Guarda Nacional Republicana (GNR), o Tenente-General Pedro Emílio da Silva Oliveira, o Presidente da Câmara Municipal, Rui Teixeira, o Comandante do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, o Coronel António Maciel da Silva, a Presidente da Federação Portuguesa dos Caminhos de Santiago, Ana Rita Dias, e representantes de várias entidades concelhias e distritais.
Entre as principais novidades da operação para este ano destacam-se a distribuição de uma pulseira com o número nacional de Emergência, o carimbo oficial da GNR destinado aos peregrinos e uma maior utilização de drones no terreno para reforço da vigilância e apoio operacional, combatendo alguns episódios de exibicionismo de cariz sexual. De resto, mantém-se o patrulhamento de militares a cavalo, apeados, a ciclo, rodoviário, ambiental e com drones, conforme demonstração de meios in loco. Entre os conselhos gerais deixados pela GNR constam o de não viajar sozinho, proteger os bens, atenção ao trânsito e a terceiros.
Manifestamente satisfeito com esta apresentação em Cerveira, ‘Vila de Caminhos’, o Presidente da Câmara Municipal, Rui Teixeira, avançou que, muito em breve, no início do Verão, o primeiro albergue de peregrinos com gestão municipal vai abrir portas, com capacidade para 32 pessoas. Localizado em Loivo, “este espaço tem caraterísticas únicas: uma paisagem deslumbrante, disponibilidade de bicicletas elétricas para deslocação ao centro histórico; colocação em braille e em áudio-guias, bem como a disponibilização de dois monitores tácteis, com toda a informação e sinalização do Caminho, a um preço simbólico de 10 euros por noite”. O futuro albergue vai “dar mais vida aos caminhos de santiago, potenciando o seu valor turístico, proporcionando experiências inolvidáveis aos peregrinos, que os convença a ficar mais tempo em Cerveira e lhes dê a vontade de regressar, incentivando a criação de alojamento específico e fomentando o desenvolvimento económico, social e ambiental do concelho”. O investimento total do albergue é de 383.644,00 euros, com um financiamento do Turismo de Portugal – Linha + Interior Turismo de 268.550,80 euros, tendo a Câmara Municipal que despender de 115.093,20 euros de capitais próprios.
Por sua vez, a Presidente da Federação Portuguesa dos Caminhos de Santiago corroborou o crescimento do Caminho Português – o Central e da Costa –, podendo vir a ultrapassar a afluência de peregrinos do Caminho Francês, dado ser “um caminho de referência, de tranquilidade, paisagem e património”. Não obstante, Ana Rita Dias alertou para a necessidade de se criar “uma plataforma comum de registo de peregrinos, obrigatória a todas as entidades gestoras dos caminhos certificados, de forma a acompanhá-los durante a passagem pelo território. Seria uma ferramenta de maior segurança para o peregrino”.

No terreno até 31 de outubro, a Operação “Bom Caminho 2026” assume particular relevância ao reforçar a prevenção, a proximidade e a articulação entre diferentes entidades portuguesas e espanholas. A iniciativa pretende também valorizar o trabalho desenvolvido no terreno pelas forças de segurança, contribuindo para que cada peregrino realize o seu caminho com maior tranquilidade e proteção.



