A Câmara de Caminha aprovou ontem, por unanimidade, as contas relativas a 2025, que registam um resultado líquido positivo de 991 mil euros e uma execução da receita de 25,9 milhões de euros.
O documento contou com os votos favoráveis dos quatro membros da maioria liderada pela Coligação O Concelho em Primeiro (OCP) que assumiu a gestão do município de Caminha após as eleições autárquicas de outubro de 2025, bem como dos três eleitos pelo PS.
Segundo o relatório, a autarquia encerrou o ano de 2025 com uma execução da despesa de 24,8 milhões de euros e uma dívida total de 14,6 milhões de euros.
A taxa de execução da receita corrente foi de 92,27%, enquanto a despesa corrente atingiu uma execução de 91,75%.

A presidente da Câmara, Liliana Silva, saudou o resultado líquido positivo de 991 mil euros, mas lamentou o que ficou por fazer durante a gestão socialista, que esteve 12 anos no poder.
A autarca frisou que estas não eram as suas contas e que o seu executivo só tinha dois meses de responsabilidade das mesmas.
Liliana Silva alertou para “um aumento muito grande, de mais de 230%”, em rubricas que visavam a área de comunicação e marketing.
No que toca a infraestruturas e equipamentos municipais, a edil considerou o investimento feito pelo anterior executivo demasiado baixo, e lembrou que os 69 mil euros de IVA relativos ao Centro de Exposições Transfronteiriço foi considerado não dedutível pela autoridade tributária.
Liliana Silva lamentou a perda de fundos comunitários e a necessidade de devolver as verbas de dois projetos: a Incubadora Verde de Argela e o projeto dos caminhos de São João d’Arga, totalizando cerca de 209 mil euros. A candidatura referente ao arranjo da avenida Manuel Xavier em Caminha é outra das que está em risco segundo referiu e edil.
A autarca censurou ainda a taxa de execução do programa 1.º Direito, de construção de habitação, por ter ficado “no limiar de 1%”, correspondendo a quatro milhões de euros, e considerou ter faltado investimento na área social por parte do executivo socialista.
A falta de investimento na área social e de apoio às famílias foi outro dos reparos deixado pela presidente da autarquia caminhense, que fez ainda questão de salientar no relatório a falta de pagamento da dívida à Caminhaequi, que ascende aos 2,5 milhões de euros.
A presidente da Câmara, Liliana Silva, saudou o resultado líquido positivo de 991 mil euros, mas lamentou o que ficou por fazer durante a gestão socialista, que esteve 12 anos no poder.
Liliana Silva terminou a sua intervenção reforçando que estas não são as suas contas, mas sim um relato de gestão e demonstrações financeiras com base nos dados aferidos na contabilidade municipal no ano de 2025.

Documento reflete uma saúde financeira positiva da Câmara – Rui Lages
Rui Lages, vereador eleito pelo PS que entre 2022 e as eleições de 2025 presidiu à autarquia, justificou ter votado “favoravelmente pela sua exposição técnica, não pela sua exposição política”.
Segundo o líder da oposição, o documento reflete uma saúde financeira positiva da Câmara ao contrário do que aconteceu em 2013, quando o PS chegou à Câmara. “Encontrámos um resultado líquido negativo de 918 mil euros”, observou. Para o socialista, “os números são inequívocos”.
Quanto à Caminhaequi, Rui Lages fez questão de clarificar a dívida.
“Entregámos este município com resultado líquido positivo. Esta liquidez é fruto de gestão com execução de 97% de receita corrente. Deixámos candidaturas aprovadas em valor superior a 10 milhões de euros, acrescentou o vereador socialista.
Rui Lages aproveitou para realçar as conclusões positivas dos revisores oficiais de contas e afirmou ter entregue o município com contas certas, lucro e liquidez imediata”. O vereador disse ainda que “os números não têm partido político” e aconselhou o atual executivo a focar-se mais no futuro e menos nas críticas ao passado.
Rui Lages terminou a sua intervenção questionando a presidente da Câmara sobre qual era o valor da dívida total da Câmara de Caminha a 31 de dezembro de 2025. Uma pergunta que nem à terceira vez obteve resposta por parte da presidente da Câmara.
Consultado o relatório de contas, o valor da dívida ascende neste momento a 14.601 euros, um valor que desde 2022 tem vindo a descer como se pode verificar através do quadro da evolução da divida total apresentado no documento.




