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A Escada de Munster ou A Fé iluminada pela Arte!

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Escada de munster

Há pouco mais de um ano, em visita por motivos familiares e musicais a Munster, na Alemanha, na Igreja Católica de S. Lambertine estava exposta uma instalação conceptual da artista plástica contemporânea vienense Billi Thanner.

Consistia numa escada iluminada nos seus degraus, com 48 metros de altura, fixada na parte exterior da torre principal da Igreja, proporcionando um belo espetáculo a quem estivesse perto, mas principalmente longe, pelo seu simbolismo óbvio e pelo enquadramento abrangente em relação a toda a cidade, à noite.

O efeito pretendido, segundo a tradução dos folhetos alusivos, lindíssimos aliás, na explicação da intenção da artista, seria menos a exaltação da dificuldade que é a subida íngreme no “acesso ao Céu” para a Igreja Católica, mas antes expor a beleza que pode ter a Arte moderna, se imanar de cérebros verdadeiramente inteligentes e… sensíveis. E a suposta agressividade da frase nem sequer expõe a estranheza que também me invade na observação e contemplação de muita da arte atual que visito e tento compreender e valorizar.

É simplista, para não dizer ignorante, a abordagem segundo a qual o dom magnífico que as obras de Miguel Ângelo ou Leonardo da Vinci por exemplo, trazem e demonstram, inexiste na arte moderna (finais séc. XIX – até 1960) ou na arte contemporânea (1960 até aos nossos dias), em face da incapacidade interpretativa que tenho ao observá-las. No entanto, interessa-me cada vez menos a arte incompreensível que se esconde nos confins das mais profundas e insondáveis teorias e intenções de certos inacessíveis artistas, modernos ou contemporâneos.

Esse viés de romper limites e barreiras do próprio conceito de arte, existiu e existe em qualquer época e área da arte: música, pintura, literatura, cinema, teatro, dança, arquitetura, literatura, ou até na recente arte digital, mas atinge o seu expoente máximo na escultura, na sua variante de instalações e a sua diversidade de materiais, onde o objetivo não parece ser apenas questionar o conceito de arte. Antes derrubá-lo.

Tudo isto para dizer que me interessa o talento. A ideia genial é obviamente importante, fantástica e ao alcance de poucos, mas só sublimada se o talento a acompanhar; o mesmo que dizer que a ideia genial fica pobre se o dom de a exprimir for medíocre.

É por esta via que a excecionalidade na arte se torna rara, qualquer que seja a área.

O artista superior é o que decora a ideia genial com um dom superlativo, quase único! Daí compreendermos cada vez melhor quando, no extremo, se vê tanta produção de medíocres com sucesso, fruto da sua inteligência… artificial.

Construir a ideologia artística numa obra que muitas vezes não carrega talento ou qualquer dom na sua elaboração e travestir isso nos “insondáveis mistérios” dos incompreendidos artistas, é ficção. A arte é também a capacidade de transmitir, aproximar, impressionar. Se apenas choca ou gera incompreensão, está incompleta.

Mas não. Não é o caso da Escada Iluminada de S. Lamberti. A Fé iluminada pela Arte.

Lá está arte contemporânea inteligente, comunicativa, disruptiva, reflexiva, estética. Porque a ideia genial veio com o dom simples da beleza expositiva como resultado. E isso é raro na arte, só ao alcance dos sobredotados. Clássicos ou atuais. E os sobredotados de qualquer arte não pedem ajuda à inteligência artificial. A começar por quem escreve para outros lerem.

Arnaldo Botao Rego
Arnaldo Botao Rego
Neonatologista

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