A dança contemporânea regressa ao Teatro Diogo Bernardes

Data:

Na próxima sexta-feira, 17 de janeiro, pelas 22h00, o Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, acolhe a  Companhia de Dança de Almada que irá apresentar “Inverno”, a sua mais recente produção, com criação de Bruno Duarte, criada em residência artística no Teatro Municipal de Bragança e estreada em finais de Novembro na mesma cidade.

Um espectáculo que faz a simbiose entre a ancestralidade e o vanguardismo, o sagrado e o profano em terras de Trás-os-Montes, no qual podemos beber imensas semelhanças com o viver do nosso Alto Minho e compreendermos as mudanças e adaptações a que muitas das nossas tradições são obrigadas, devido à nossa contemporaneidade.

Podemos mesmo afirmar que se trata de um espectáculo obrigatório para todos aqueles que se dedicam ao folclore e à etnografia, bem como, todas as pessoas que se encontrem ligadas a associações de lazer e cultura, numa altura em que se prevê para breve o arranque da execução de uma candidatura no âmbito do Aviso Cultura Para todos.

O criador, Bruno Duarte, sobre o presente espectáculo, afirmou o seguinte:
“Desde criança tenho muito presentes as imagens a que, fascinado, assistia na televisão e que me davam a conhecer um pouco do que são os costumes de inverno transmontanos – caretos, chocalheiros, diabos, figuras que sempre exerceram sobre mim um magnetismo especial. Vi na criação deste espectáculo, uma oportunidade para explorar cenicamente o cruzamento da sacralidade ritual destas celebrações ancestrais, com uma linguagem de dança contemporânea. Situado entre o sagrado e pagão, ancestral e contemporâneo, humano e sobrenatural, “Inverno” procura transmitir a magia que se vive por estes lugares na altura do solstício de inverno, retratando o pulsar da terra, a emancipação dos jovens, as arruadas, a postura de transgressão – mas tão regrada por práticas fixas – e o forte misticismo cultural. Este é um trabalho sobre o que está vivo, mas também sobre a memória. Sobre aquilo e aqueles que já viveram os locais que hoje experimentamos.”
Bruno Duarte

Segundo Amadeu Ferreira, in “O Diabo e as Cinzas” (2013):
“Estes são rituais de juventude, cheios de vida e de futuro, por onde perpassam todas as actividades dos povos (…), rituais que a cada ano renovam a confiança na continuidade da vida, bem simbolizada no fogo e outros deuses pagãos.
Nunca realçaremos suficientemente o papel que os rituais (…) tiveram na evolução das nossas sociedades e lhes transmitiram um carácter de sanidade ética que consegue manter a dignidade no meio da maior pobreza e de dificuldades sem fim.”

Criação: Bruno Duarte | Cocriação e Interpretação: Bruno Duarte, Carlota Sela, Francisco Ferreira, Joana Puntel, Luís Malaquias, Mariana Romão e Raquel Tavares | Coprodução do Teatro Municipal de Bragança e Companhia de Dança de Almada

Partilhar Artigo:

spot_img
spot_imgspot_img

Populares

Outros Artigos
Relacionados

Seis feridos em colisão na AP-9: Presidente da Câmara de Valença sofreu apenas ferimentos ligeiros

Seis pessoas ficaram feridas na sequência de uma colisão...

Regulamento do Alojamento Local de Viana do Castelo entra em vigor no sábado

O regulamento municipal do Alojamento Local (AL) de Viana...

Monção: GNR recupera material furtado

O Comando Territorial de Viana do Castelo, através do...