Comunidade piscatória exige soluções para problemas persistentes no Porto de Mar de Vila Praia de Âncora

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A Associação de Pescadores Profissionais e Desportivos de Vila Praia de Âncora e a Junta de Freguesia local tornaram público um comunicado conjunto onde alertam para a degradação e problemas estruturais no Porto de Mar de Vila Praia de Âncora, no concelho de Caminha.

O documento surge após semanas marcadas por “inúmeras questões, reclamações e pedidos de esclarecimento” por parte de pescadores, armadores, comerciantes do setor e população em geral, refletindo um crescente sentimento de preocupação e frustração quanto às condições da infraestrutura portuária.

Entre os principais problemas identificados estão a degradação das infraestruturas em terra, falhas nas estruturas do espelho de água, insuficiência na limpeza dos espaços, falta de manutenção de equipamentos e a deterioração visível de áreas sob gestão de entidades externas ao concelho.

As entidades sublinham que, sendo as mais próximas da população, têm sido o principal alvo de críticas e pedidos de intervenção, apesar de muitas das situações não dependerem das suas competências legais ou capacidade de decisão. “É junto de nós que chegam as reclamações, os alertas e, por vezes, críticas duras de quem está cansado de esperar por soluções”, referem.

O comunicado procura também dar visibilidade ao trabalho desenvolvido “nos bastidores”, incluindo reuniões institucionais, envio de ofícios, elaboração de relatórios técnicos, visitas ao terreno e contactos permanentes com entidades responsáveis. Nos últimos anos — e com particular intensidade entre 2025 e 2026 — foram promovidos encontros com o Secretário de Estado das Pescas, a administração da Docapesca, a Câmara Municipal de Caminha e outras entidades relevantes.

Entre as diligências realizadas destacam-se o acompanhamento de intervenções de manutenção, limpeza, drenagem, iluminação e segurança, a identificação de necessidades em infraestruturas de apoio à pesca, bem como o acompanhamento de questões críticas como o assoreamento do porto, as dragagens e as condições de navegabilidade.

As entidades referem ainda a participação em processos de reorganização funcional do espaço portuário, procurando melhorar a articulação entre a pesca profissional e a náutica de recreio, além da apresentação de propostas para reforço da segurança operacional e valorização das condições de trabalho dos profissionais do setor.

No esclarecimento prestado à população, é explicado que o porto se encontra dividido em várias áreas com diferentes responsabilidades. O Porto Norte — que inclui a lota, o mercado de segunda venda de pescado, passadiços e outras infraestruturas de apoio à pesca — está sob gestão da Docapesca. Já o Porto Sul, associado à náutica de recreio, encontra-se também sob tutela da mesma entidade, embora esteja em curso um processo para transferência parcial de competências para o município.

O comunicado reforça que muitos dos problemas atualmente apontados não são recentes, tendo sido “sucessivamente comunicados, documentados e acompanhados ao longo da última década”, existindo um histórico significativo de intervenções, relatórios e reuniões sobre as mesmas preocupações.

Apesar disso, a Associação de Pescadores, a Junta de Freguesia e o Município de Caminha garantem que continuarão a desempenhar um papel ativo na defesa da comunidade piscatória, insistindo junto das entidades competentes para a resolução dos problemas.

“As populações não precisam apenas de diagnósticos, precisam de soluções”, sublinham, acrescentando que o futuro do porto depende não só de projetos a longo prazo, mas também da capacidade de resolver os problemas imediatos e garantir condições dignas, seguras e funcionais para quem trabalha diariamente no mar.

O comunicado termina com um apelo à clarificação de responsabilidades e à melhoria urgente das condições do Porto de Mar de Vila Praia de Âncora, considerado fundamental para a economia local e para a identidade da comunidade.

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