A intervenção feita pela Câmara de Caminha no paredão de Moledo que ruiu devido ao mau tempo e que foi alvo de críticas na rede social Facebook por parte do vereador Rui Lages (PS), originou uma acesa discussão entre o vice-presidente da Câmara Carlos Castro e o vereador da oposição, no período antes da ordem do dia da reunião do executivo que teve lugar ontem à tarde no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Nessa mesma publicação, a propósito da intervenção levada a cabo pela Câmara no paredão, Rui Lages acusa o executivo de ter feito “demasiado show, pouco pensamento e planeamento e fraca execução”, acrescentando que para este tipo de problemas, “urgem medidas tecnicamente viáveis para a contenção de todo o amuralhado do paredão de Moledo”.

O vice-presidente da Câmara não gostou das afirmações proferidas pelo vereador socialista na sua página do Facebook, e pediu a palavra para dar os parabéns ao vereador por ter conseguido, “nos últimos 3 meses em que ficou desempregado, tirar um curso de engenharia”. Carlos Castro acusou o vereador Rui Lages de na sua publicação ter dado uma roda de incompetentes não só ao executivo, mas também aos funcionários da Câmara, à APA e restantes entidades que estiveram no local a avaliar os estragos.

Forte da Ínsua não escapou à fúria do mar
Mas segundo Carlos Castro o problema não se fica pelo paredão da Praia de Moledo, as muralhas do Forte da Ínsua também estão a ruir, pelo que pediu a Rui Lages “que agora tem o curso de engenharia tirado nos últimos 3 meses em que esteve desempregado e tem experiência como técnico nesta área”, para arranjar uma solução para este imóvel que está também em risco.

Relacionado com os estragos provocados pelo mau tempo, nomeadamente a forte agitação marítima, Liliana Silva fez o ponto da situação das intervenções que estão ou vão ser levadas a cabo pela Câmara. Quanto à intervenção no paredão de Moledo feita pela Câmara e que foi alvo de críticas pelo vereador Rui Lages, Liliana Silva considerou que ainda bem que foi feita senão a segunda derrocada do paredão teria sido muito pior.

Rui Lages iniciou a sua intervenção lamentando que a presidente da Câmara não se tivesse distanciado das palavras proferidas pelo seu vice-presidente. O líder da oposição disse não receber “moralismos” do vice-presidente da Câmara que considerou ser “um excelente canalizador, mas um péssimo vice-presidente de Câmara, sem competência política para exercer aquela função”.
Relativamente ao Forte da Ínsua, Rui Lages disponibilizou-se para informar quais são as entidades que tutelam aquele imóvel, entidades essas que considerou que a Câmara já devia ter contactado logo que detetou a existência de problemas na muralha.
No que diz respeito à questão do paredão de Moledo, Rui Lages considera que o mesmo não pode ser tratado como um “episódio isolado”, nem como uma “fatalidade”. Depois de colher informações com engenheiros e técnicos em estruturas, o vereador apontou o que na sua opinião deve ser feito para solucionar o problema causado pela forte agitação marítima que fez colapsar parte do paredão da praia.
Politicamente, o vereador também fez questão de apontar 3 pontos, nomeadamente responsabilidade técnica e legal, intervenção global e não cosmética, e por fim salvaguarda da época balnear e Bandeira Azul.
Em resposta à intervenção de Rui Lages, a presidente da Câmara começou por esclarecer que não se distanciava das palavras do vice-presidente porque as pessoas eram livres de exprimir as suas opiniões. Liliana Silva aproveitou para enaltecer e agradecer o trabalho do vereador Carlos Castro, “um homem experiente que está sempre disponível a qualquer hora para dar o melhor pela causa pública”, disse.
Relativamente às sugestões deixadas por Rui Lages sobre a forma como a Câmara deve agir em relação ao problema do paredão de Moledo, Liliana Silva disse que as mesmas já vinham com atraso e lamentou que os técnicos consultados pelo vereador Rui Lages não tivessem ido ao local para ajudar com a sua sabedoria. Quanto às críticas da oposição relacionadas com a intervenção feita pela Câmara no Paredão, a chefe do executivo considerou que as mesmas eram “de mau tom” e sublinhou a seriedade do trabalho feito em parceria com as diversas entidades.
Liliana Silva garante que nunca enganou ninguém e que disse sempre que aquela primeira intervenção era um “penso rápido” e não uma solução definitiva.
Logo que o tempo melhore e o mar estabilize, a Câmara vai avançar com o projeto para a reposição da praia de moledo e neste momento já estão a ser contactadas empresas para o efeito. Na próxima semana deverá ser assinado o protocolo com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente para que esta possa transferir para a Câmara as verbas necessárias para intervir no paredão e também nos geotubos de contenção da duna que estão neste momento a descoberto.
Relativamente à Bandeira Azul na Praia de Moledo, Liliana Silva não garante que ela esteja a salvo uma vez que este tipo de estragos como o que aconteceu agora em Moledo, pode levar a que a mesma fique em risco. Mas isso é algo a que a Câmara é alheia, disse.
Presidente da Câmara de Caminha a garantir que vai avançar com a contratação de uma empresa que elabore o projeto de reposição do paredão da praia de Moledo assim que o tempo o permita.



