Os primeiros 100 dias de Governo, como sinal transformador, foram inventados por Franklin Roosevelt com o New Deal em 1933. Em 100 dias lançou 46 reformas que tiraram os Estados Unidos da América da Grande Depressão, mas também criaram as bases para que não voltasse a ocorrer.
Esta é a fasquia que, a partir dessa data, tem todos aqueles que chegam ao poder. Tem 100 dias para mostrar o que valem e o que vão realmente fazer, de diferente ou, se vão apenas, deixar que tudo continue na mesma, apenas assumindo eles o poder.
Cumpriram-se, no dia dos namorados, os 100 dias da tomada de posse da Presidente Liliana Silva e seu executivo.
São 100 dias, de entusiasmo para os vencedores e apoiantes, de expectativa para os observadores, de cinismo dos críticos, de subserviência para os dependentes do pote do orçamento e, de cobrança dos apoios dos apaniguados.
Também, são os 100 dias que os adversários, usam para testar e medir como a nova Presidente se senta na cadeira do poder e, como lhe assenta o colar que em Caminha nem sequer parece existir.
O que observamos então nestes 100 dias da governança de Liliana Silva na Câmara de Caminha?
- Organização da equipe governativa: forte concentração de pelouros na Presidente da Câmara, com a desvalorização do papel dos vereadores;
- Apresentar um orçamento corrente que é mais do mesmo, sem cumprir promessas de redução de impostos e distribuindo mais 20% às freguesias, copiando o anterior executivo;
- Sem uma auditoria às contas, inscrever mais de 10 milhões de euros de investimento, alavancados por fundos do PRR que terão que ser utilizados até ao verão;
- Invenção da Camarilândia, 80 mil euros mais trabalhos não contabilizados, não orçamentados em 2025, para levar visitantes ao lamaçal no Camarido, sem sequer pararem em Caminha ou Âncora;
- Incremento dos custos com a festa de Fim de Ano, que ainda vão às despesas de 2025;
- Comprometimento orçamental e verbal com todos os patrocínios a eventos privados, herdados do anterior executivo;
- Nomeações por despacho, sem qualquer concurso interno, para funções críticas em decisões dos gastos municipais;
- Substituição do anterior jurista externo por um novo;
- Promessas de nova travessia para a Guarda já no verão;
- Pequenas obras, pinturas e reparações nos espaços do património municipal e nos espaços públicos, como se isso não fossem trabalhos correntes;
- Muitas reuniões supostamente para ouvir, ou para ser dar a conhecer;
- Substituição do publicador das redes sociais, para todo continuar na mesma, fotografias de trabalhos, de visitas, do carmival e lá virão as procissões, a seguir;
- Adjudicação de publicidade institucional do município ao meio de comunicação online com menos publicações, menos visitantes e menos divulgação, por um valor muito superior à proposta alternativa do meio com mais publicações, visitas, divulgação, comentários, citações e o único com arquivo digital;
- Continuação da informação desatualizada e atrasada no site do município;
- Contratação de compras de alimentos para os refeitórios escolares a empresas de fora do Concelho em detrimento das concelhias;
- Invenção de um espaço de co-working no município, umas cadeiras, umas mesas e uns computadores, sem regulamento, mentoria ou suporte estratégico;
- Falta de transparência, nomeadamente quando à prometida Auditoria Forense e ao dossier da superfície comercial no Camarido;
- Substitui nas suas propostas, os erros de ortografia que antes detetava nas propostas do executivo anterior, por erros jurídicos que o agora opositor, ex-presidente, deteta;
- Apresentar um projeto de regulamento do Conselho Municipal Económico Estratégico, sem objetivos claros, com definição de representações opacas, para nomeação ad-hominen, a gosto da Presidente;
- Incremento dos custos com as festas do Carnaval, sem qualquer avaliação do impacto positivo na economia e na vida dos Caminhenses;
Para os primeiros 100 dias e ao arrepio das promessas eleitorais, o que temos é mais do mesmo e, parece esquecer a senhora Presidente que, a fazer mais do mesmo, os socialistas são muito melhores que ela, não é por acaso que governaram o Concelho, 40 anos em 48.
As visitas e promessas dos atuais governantes da mesma cor partidária, todos eles grandes “amantes” de Caminha, mas nenhum tendo em Caminha a sua residência fiscal para contribuir com os seus impostos para o aumento das transferências do estado, geram expectativas de grandes obras, betão e melhorias.
O choque da realidade chegará com os processos de decisão, os concursos e candidaturas, as prioridades e pressões de outras regiões e concelhos.
A gestão do Rio Minho é liderada por Valença e Cerveira, do lado português. A Guarda tem outras preocupações com a erosão da sua costa provocada pelo assoreamento do lado português que tem vindo a reduzir a amplitude e calado da foz.
Veremos, logo no fecho das contas de 2025, se o que levou Liliana Silva a arrepiar caminho nas prometidas reformas, foi a voracidade do dia-a-dia, o deslumbramento do poder ou as amarras ao passado e àqueles que a acolitaram e agora lhe cobram a fatura.
Este não é um Novo Caminho para Caminha. Como poderá o resultado ser diferente, continuando a fazer tudo igual?
Carlos Novais de Araújo
22 de fevereiro de 2026




