O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Rui Teixeira, disse em entrevista ao Jornal C – O Caminhense que a vitória reforçada nas últimas eleições autárquicas de 2025 traduz o reconhecimento do trabalho realizado nos últimos quatro anos, destacando a renovação do património, criação de espaços e eficiência financeira. Para os próximos quatro anos, o autarca tem como objetivo consolidar projetos voltados para a inovação, mais oportunidades para os jovens, ampliação de vagas em creches e ATLs, fortalecimento da cultura e habitação.
O orçamento para 2026, com um aumento de 12,6%, engloba várias candidaturas no âmbito do PRR, nomeadamente habitação social, reabilitação do Centro de Saúde, mercado municipal, redes de água e saneamento, além de requalificação do ensino profissional e património cultural. O Palco das Artes, inaugurado em 2024, é elogiado pela acústica e programação diversificada, enquanto a Bienal de Cerveira celebra a sua 24ª edição com exposições, música e cinema, contando com apoio da Direção-Geral das Artes e financiamentos externos.
Sobre o Castelo de Vila Nova de Cerveira, o presidente aguarda a reposição da legalidade para ali desenvolver um projeto comunitário com financiamento europeu.
Quanto ao Rio Minho, destaca a importância do desassoreamento, mas enfatiza maior preocupação com a poluição e espécies invasoras. A cooperação transfronteiriça na Eurocidade segue com projetos no âmbito da juventude, cultura, ambiente e área empresarial.
Por fim, o presidente ressaltou a importância da estabilidade democrática em Portugal, desejando um presidente da República que promova equilíbrio social e político.

Jornal C – O Caminhense(JC) – Presidente Rui Teixeira, nas últimas eleições autárquicas não só venceu, como reforçou a sua votação em relação a 2021. Como é que interpreta este resultado?
Rui Teixeira (RT) – Efetivamente em 2021 conseguimos com o lema Cerveira Viva, vencer as eleições a um executivo que já estava na Câmara Municipal e ia para o seu último mandato. Porquê Cerveira Viva? Porque entendíamos que Cerveira precisava de uma mudança, precisava de mais força, projetos com mais dinâmica, com mais projeção. E seguimos esse caminho, definimos esta estratégia, este plano de ação. Conseguimos, de facto, renovar muito do que é o nosso património, criar novos espaços, criar novas agendas, vencer prémios pelo nosso desempenho não só de políticas económicas e sociais, mas também por aquilo que é a eficiência da própria Câmara Municipal em termos financeiros.
A Bienal, por exemplo, esteve representada fora, tem hoje em dia um reconhecimento que há muito que não tinha, temos uma proximidade muito grande com as empresas e com as pessoas, e portanto este sufrágio em 2025 acabou por ser o reconhecimento do trabalho que temos vindo a fazer ao longo de 4 anos, e claro, é satisfatório saber que as pessoas ao fim desse tempo não só nos deram a vitória como também reforçaram essa mesma vitória e vencemos de facto de uma forma mais folgada, o que denota que a população está connosco, confia no nosso trabalho e acredita no que estamos a fazer.
JC – Este reforço também é, ao mesmo tempo, uma responsabilidade acrescida.
RT – Sim, claro. Qualquer vitória, qualquer trabalho, cria sempre responsabilidades, porque, no fundo,
estamos a gerir o município, a gerir a vida de todos os cidadãos, neste caso de Vila Nova de Cerveira,
e é sempre uma responsabilidade e um desafio. Mas também é por isso que nos candidatámos e é para isso que estou cá, para assumir essa responsabilidade e ir de encontro aos desafios e tentar fazer o melhor por Cerveira.
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JC – E como é que é que antevê os próximos quatro anos?
RT – Os próximos quatro anos vão ser de consolidação daquilo que são os projetos que temos vindo já a desenvolver, quer com as empresas através da inovação, quer através de uma maior aposta naquilo que são as oportunidades para os jovens. Estamos a desenvolver um projeto que vai permitir que os nossos jovens possam conhecer o tecido empresarial de Vila Nova de Cerveira, que possam ter oportunidades de estágio nessas mesmas empresas, de conhecer aquilo que pode ser o seu futuro. Que possam, aqueles que assim o quiserem, escolher porventura fazer um curso de formação para, no final do 12º ano, em vez de enveredarem pela parte universitária, poderem começar já a trabalhar. Também conhecerem aquilo que é a vida política e social de Vila Nova de Cerveira, através de experiências na Câmara Municipal, experiências na rádio, no jornal, na Bienal, em instituições públicas. É um projeto que já iniciamos no ano passado, nas férias de verão, e este ano pretendemos robustecer e dar outra componente mais direcionada também para aquilo que é a questão política, cívica e empresarial. Isto é um dos projetos que temos, de facto, como aposta forte. Depois também queremos apostar naquilo que são as necessidades dos jovens casais, nomeadamente alargar o número de vagas nas creches, alargar o número de vagas nos ATLs, nas férias escolares, no fundo também ir ao encontro daquilo que são as necessidades da população jovem, daqueles que se querem fixar em Vila Nova de Cerveira. Repare, a estratégia inicia, e eu disse-o em 2021, não era para 4 anos mas para 8. Conseguimos numa primeira fase estabilizar a Câmara Municipal em termos organizativos. Depois a Bienal de Cerveira, conseguimos dar outra força à arte e à cultura. Conseguimos também atrair investimento na área da inovação e desenvolvimento, atrair investimento na área da habitação, melhorar as condições das nossas escolas e depois fixar as pessoas. Tendo já este desenvolvimento a decorrer na área da educação, da habitação, da economia, conseguimos dar as condições para que os jovens casais possam ter aquilo que necessitam, por um lado, e que possam também pensar em ter filhos, porque é importante apostar na natalidade. A juntar ao emprego, habitação, condições para os filhos, achamos que é importante poderem
também usufruir da arte e da cultura. É nisso que vamos continuar a apostar.
JC – Vamos falar agora do plano de atividades e orçamento para 2026 que este ano registou um aumento de 12,6%. Estamos a falar em mais de 29 milhões de euros inscritos. Que projetos estão previstos para este ano?
RT – São vários. A maioria são projetos no âmbito do PRR, por isso é que temos este crescimento grande em termos de volume. São candidaturas já iniciadas em 2025, mas que vão decorrer em maior volume em 2026, nomeadamente o bairro social na freguesia de Loivo, o Centro de Saúde de Vila Nova de Cerveira, o Mercado Municipal e redes de água e saneamento em três freguesias. Também pretendemos fazer obras na área da habitação, para criar apartamentos para jovens e depois avançar com a requalificação de algum património que nós temos. Também pretendemos melhorar as condições do ensino profissional, alargar os cursos e as vagas existentes e cuidar de tudo o que é o nosso património cultural. No setor das artes queremos dar mais estabilidade e mais dinâmica ao palco das artes, que já a tem, mas pretendemos reforçar essa dinâmica no que toca à sua oferta, desde o cinema, ao teatro, passando pela música e dança. Também pretendemos avançar com requalificações nas várias freguesias, e vamos obviamente continuar a apostar na proximidade com as juntas e fazer investimentos nas freguesias.
JC – Que tipo de investimentos?
RT – Na rede viária e acessibilidades, parques infantis ou parques de lazer ou alguma reestruturação de alguma escola primária eventualmente para o associativismo ou para habitação, estamos em conversações com as freguesias para isso.
JC – Cerveira tem apresentado excelentes resultados económicos tendo sido considerado o município com melhor desempenho financeiro do Alto Minho. Como se chega a este patamar?
RT – A verdade é que nós não trabalhamos para isso, não trabalhamos para os indicadores, embora haja quem o faça. O que posso dizer é que isso é fruto basicamente de uma estratégia de execução daquilo que é a receita e a despesa, ou seja, aquilo que são os nossos projetos em termos de investimento, mas também aquilo que é a arrecadação da nossa despesa. Tentar pagar sempre a tempo e horas e fazer uma gestão responsável, sem gastar mais do que temos, mas executando o orçamento que está previsto de uma forma responsável. Não é mais do que, no fundo, ser responsável e ser eficiente na gestão dos recursos que temos. Deu esse resultado, mas a verdade é que não andamos atrás dessa medalha nem isso é nada que me preocupe. Claro que atingindo é sempre saudável, sabe sempre bem, evidentemente, mas para mim o principal é conseguirmos de facto executar os projetos que temos em mente e que temos programados para Vila Nova de Cerveira. Se com isso também conseguimos algum prémio, melhor.
JC – Vamos mudar agora um pouco de assunto. Um dos marcos culturais de Vila Nova de Cerveira é sem dúvida a sua Bienal que este ano celebra a XXIV edição. O que se pode esperar deste importante evento cultural?
RT – Este ano a Bienal vai ser um evento bastante ambicioso. Vamos manter a proximidade com as freguesias.
JC – Através da descentralização artística nas diferentes freguesias?
RT – Sim, já é algo que iniciámos em 2022 e vamos continuar a executar. No fundo o objetivo é aproximar a população das freguesias daquilo que é a arte da Bienal de Cerveira e dos próprios artistas. Vamos manter também aquilo que são conferências internacionais, abrangendo e dando a conhecer Vila Nova de Cerveira fora do seu espaço. Teremos também várias exposições ao longo deste ano, além daquilo que é a própria Bienal e iremos abrir uma nova galeria. Para quê? Por um lado, para podemos potenciar o turismo, a cultura e a arte no nosso centro histórico, e por outro lado para permitir que a rua tenha mais vida e criar uma dinâmica à volta do centro histórico. Vamos manter as exposições em vários espaços como é o Convento de São Paio, a Biblioteca e claro no Fórum onde estarão as maiores exposições. Este ano também aumentamos aquilo que é o prémio do concurso internacional, pretendendo-se, com isso, obviamente, atrair artistas de outra dimensão. Estou muito curioso para ver quem vai concorrer e quais as obras que poderemos ter em exposição através desse concurso. Vamos ter também eventos relacionados com a música, e com o cinema. Em suma, teremos um programa bastante ambicioso, que só é possível graças ao apoio da Direção-Geral das Artes, já que este ano, neste programa 25-26, ficamos em primeiro lugar a nível nacional no apoio da Direção-Geral das Artes. Mas também através do fundo dos ARIS, do fundo das residências para estrangeiros, onde conseguimos obter financiamento externo, nomeadamente chinês, que nos permite, de facto, ser mais ambiciosos naquilo que é a programação para este ano de 2026.
JC – A inauguração do Palco das Artes em 2024 por altura das comemorações dos 50 anos de abril, veio dar a Cerveira um incremento ainda maior no panorama cultural da vila. Que balanço se pode fazer da atividade deste auditório?
RT – Gostava de salientar o facto de termos inaugurado o Palco das Artes numa data mítica, que foi o dia 24 de abril de 2024. A data não foi obviamente escolhida ao acaso já que coincidiu com a comemoração dos 50 anos da revolução de Abril. De facto estamos a falar de um edifício com uma qualidade excelente em termos acústicos, de conforto e de visibilidade que tem vindo a ser elogiada por todos aqueles que passam por Vila Nova Cerveira, nomeadamente artistas como o Pedro Abrunhosa, a Sara Correia, o Rui Macena, o próprio maestro da banda da GNR, que disse que seria este, seguramente, o espaço em Portugal com melhor acústica para a música, entre outros. Portanto, é sem dúvida um espaço fantástico. Já passaram por lá algumas orquestras, nomeadamente a Orquestra do Alto Minho aquando da inauguração do Palco das Artes. Temos realizado lá espetáculos com artistas vindos de vários locais, e neste momento, curiosamente, estamos a ser procurados por artistas que querem tocar, representar e experienciar o palco das artes de Vila Nova de Cerveira. Por isso é que também temos tido alguns projetos em que são esses artistas a assumir os custos através da própria bilheteira, porque efetivamente é um espaço único e é uma referência já a nível nacional a sua qualidade. O objetivo principal foi criar um espaço que permitisse o uso-fruto da cultura a toda a população e a quem nos visita. Ter uma agenda cultural mais prolongada e preenchida durante todo o ano e não só na época do verão. O Palco das Artes permite-nos ter uma agenda durante todo o ano, a começar logo em janeiro, com sessões de teatro, de música, de Stand Up Comedy, cinema, que é todas as semanas, dança, conferências ou eventos nomeadamente empresariais. É portanto um espaço que permite uma panóplia de atividades que dão uma enorme dinâmica a Vila Nova de Cerveira, e ao mesmo tempo proporciona uma oferta cultural muito grande à região. Outra das vantagens é o facto de podermos projetar cinema recente, numa sala com todo o conforto, que é uma coisa que nesta zona não existe. E temos até um festival de cinema que no ano passado teve a sua primeira edição, e este ano será a segunda, que também teve sucesso. Portanto, acho que estamos com uma dinâmica cultural bastante forte, uma oferta bastante forte e somos procurados, de facto, por muitas pessoas, muitos artistas e muitas empresas que querem vir aqui executar os seus projetos. Penso que Cerveira está no bom caminho em termos culturais.
JC – No ano passado Vila Nova de Cerveira inaugurou mais um Polo Industrial, na freguesia de Sapardos. Já estão instaladas algumas empresas? Já está a laborar?
RT – Sim, já. É uma área empresarial na Freguesia de Sapardos com 12 lotes que foram todos vendidos no ano passado. Neste momento já está a ser lá instalada uma empresa, e entretanto também já deram entrada na Câmara outros projetos para poderem executar a obra e penso que em breve já teremos as primeiras empresas a entrarem em atividade na área empresarial de Sapardos. É um polo industrial que vai dar ao interior do nosso concelho, uma vida diferente, mais dinâmica com mais emprego, o que é importante para que o interior também seja valorizado.
JC – Presidente, tem alguma novidade em relação ao Castelo de Vila Nova de Cerveira?
RT – Como é do conhecimento geral estamos a falar de um processo que já dura há bastante tempo. Como sabe aquele espaço foi concessionado a um privado em 2019, um privado que, no meu entender, nunca teve intenções de ali executar qualquer projeto, até porque foi uma empresa criada na hora que só deu início de atividade no ano seguinte. Estamos a falar de uma empresa que neste momento tem capitais próprios negativos de 150 mil euros e que nunca executou nada, nem sequer um estudo arqueológico. Mas nós, independentemente disso tudo, encetámos os contactos necessários desde a primeira hora com o Turismo de Portugal e com a Secretaria de Estado do Turismo. Desenvolvemos um projeto internacional que é o ARCHETICS, que terminou agora recentemente e no qual elaboramos uma estratégia e um plano de ação para quando o Estado entender repor a legalidade daquela concessão e entregar ao município o Castelo, já temos de facto um projeto para desenvolver, com financiamento comunitário que visa essencialmente dar corpo e dar vida ao interior do castelo, ser um prolongamento do próprio terreiro, ter atividades na área do comércio, da hotelaria, da educação e atividades culturais. É um projeto que foi desenvolvido com vários parceiros internacionais, mas também envolvendo a comunidade local, as escolas, profissionais de Vila Nova de Cerveira e de fora, bem como instituições nacionais. Foi um trabalho consistente que fomos desenvolvendo e agora o que esperamos é que o Estado, e uma vez que o prazo de execução da obra termina em março deste ano, portanto, faltam dois meses, não volte a cometer a irresponsabilidade, para não dizer ilegalidade, de renovar a concessão, uma vez que, como é visível, o concessionário não zelou pelo património, não iniciou sequer as escavações arqueológicas que são prévias ao início da própria construção e, portanto, não tem intenções objetivamente de fazer nada. Inclusive recentemente cometeu a ilegalidade, que já foi entretanto reconhecida, de ceder um espaço para um partido político lá instalar a sua sede de campanha, o que não está previsto no próprio contrato. Brevemente terei uma reunião onde vou expôr todas estas situações, e espero que depois se possa devolver definitivamente o Castelo aos cerveirenses, porque ele é nosso.
JC – Uma vez que o concessionário nada tem feito, pergunto como está aquele património em termos de conservação?
RT – A Câmara, apesar de tudo, tem mantido limpo aquele que é o espaço público do Castelo, por assim dizer, os arruamentos. Temos lá dentro a Capela de Diocese que teve uma obra de requalificação e de restauro, a Igreja da Misericórdia que atualmente está a ser utilizada porque a Igreja Matriz está em
obras. Essa Igreja também vai ser alvo de um projeto de recuperação que se pretende candidatar. Portanto, é de facto preocupante o estado de degradação do património que foi concessionado.

JC – O Governo garantiu recentemente uma verba para avançar com o desassoreamento do Rio Minho, bem como a preparação de um projeto de execução e apresentação do estudo de impacto ambiental para o seu desassoreamento, que irão ser discutidos na próxima Cimeira Ibérica. O objetivo é avançar para uma solução definitiva que proteja a região e otimize o uso sustentável do rio, assegurando a preservação do ecossistema, segurança e a melhoria da navegabilidade. Enquanto autarca de um município que é banhado por este rio, como recebeu este anúncio do Governo?
RT – Sim, sem dúvida que é importante que olhem para o rio Minho porque isso é algo que nós temos vindo a alertar desde que sou presidente, sempre que há reuniões, nomeadamente internacionais, para o problema do rio. Inclusive temos agora um projeto com o Aquamuseu do Rio Minho, de um estudo sobre o Rio Minho, não só por causa da questão do assoreamento, mas também da poluição e das espécies invasoras. Eu penso que é sempre louvável e gratificante sentir que estão a olhar para o Rio Minho, mas da nossa parte, enquanto Presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, a nossa maior preocupação não passa pelo assoreamento, mas sim pela poluição e espécies invasoras, não só de peixes, mas também das algas que se instalam nos nossos rios. A navegabilidade também é importante claro.
JC – Relativamente à Eurocidade Cerveira-Tomiño sei que existe bastante dinamismo de ambas as margens. Há projetos novos para consolidar ainda mais este intercâmbio?
RT – Sim, no nosso caso acaba por ser uma continuidade, na medida em que no ano passado foi aprovado o nosso projeto de financiamento POCTEP, Programa Interreg España-Portugal que promove projetos de cooperação transfronteiriça com o apoio da União Europeia, com cerca de 800 mil euros. Nesse sentido temos vários projetos em conjunto, que são a continuidade daquilo que temos vindo a fazer na área da juventude, nomeadamente, e da cultura, mas também preocupados com a questão ambiental, através da limpeza dos riachos, que são afluentes que depois vão desaguar no Rio Minho, que é um rio, neste caso, dos dois lados, e, portanto, essa é, de facto, uma preocupação. A questão laboral transfronteiriça, de quem trabalha de um lado e de outro, e também da igualdade de género, são outras preocupações. Recentemente também vimos aprovado um projeto na área empresarial que envolve três instituições: Cerveira, Tomiño e a Universidade de Vigo, e onde do lado espanhol se vai estudar a questão da instalação de uma área empresarial, e do nosso lado, porque já temos essa componente, será mais direcionado para o centro de inovação, para estudar aquilo que é o nosso tecido empresarial e onde podemos melhorar e também potenciar a própria inovação e desenvolvimento.
JC – Para quando a inauguração do Albergue de Peregrinos que está em construção na freguesia de Loivo?
RT – A obra já está praticamente concluída e resultou da recuperação de uma antiga escola na freguesia de Loivo. É um espaço que terá 32 camas e já estamos em fase de conclusão da obra e de equipamento do próprio albergue através do seu mobiliário. Estamos a trabalhar para que seja inaugurado este ano.
JC – Presidente, relativamente à saída de Vila Nova de Cerveira da empresa ADAM houve algum desenvolvimento, ou depois do Tribunal não dar provimento à queixa a Câmara desistiu?
RT – A Câmara não desiste nada, o Tribunal é que não deu provimento à nossa queixa. O facto é que ou os municípios se uniam todos, ou era impossível isso acontecer, exceto, obviamente, quando se cumprir o prazo, que são 10 anos desde o início. Aí é permitido aos municípios, de facto, tomar uma posição, não é? Claro que quando chegar essa altura, 10 anos depois, terá de se avaliar o custo para que isso possa acontecer. Só avaliando na altura, penso que é 2028 ou 2029. Há que esperar até lá.
JC – Presidente Rui Teixeira, para terminar, o Natal em Vila Nova de Cerveira é sempre um momento muito esperado não só pelos cerveirenses mas também por muitos visitantes que fazem questão de vir a esta vila por essa altura. Como é que correu este ano?
RT – Sim, sem dúvida o Mercado de Natal já é uma referência. Aliás, em Espanha é muito publicitado não só o mercado, mas também toda a programação natalícia. Estamos a falar de um Mercado que no meu entender é muito bem conseguido, acolhedor, que as pessoas gostam de visitar. Tem uma oferta variada, não só de atividades, mas também daquilo que são os seus marcadores, os stands instalados e que este ano tivemos para 50 vagas, mais de 170 pedidos. Portanto, para nós é uma marca importante porque o próprio comércio, e este ano também tivemos essa novidade que nos deixou satisfeitos, participou na decoração de Natal, e fizeram aquelas caixas decorativas que tiveram patentes nas nossas ruas. Portanto o próprio comércio envolveu-se com o nosso mercado natal, o que prova que estão satisfeitos e nós também. Acho que Cerveira está de parabéns nesse aspeto porque é uma marca já reconhecida e que dá muita visibilidade à vila. A passagem de ano que é um momento mais para o usufruto dos jovens e menos jovens, também correu muito bem.
JC – Presidente chegamos ao fim da nossa entrevista, não sei se quer acrescentar mais alguma coisa.
RT – Olhe, para mim o importante neste momento é que se consiga estabilizar a democracia portuguesa e, para isso, é necessário um presidente da República capaz de nos dar essa esperança e esse equilíbrio em termos sociais e políticos.



