Em 12 Junho, 2019 Por Em Cultura

Albatre no Liceo Mutante a 4 de Julho

O Liceo Mutante em Pontevedra, recebe no próximo dia 4 de Julho pelas 20h, o concerto de Albatre.

Albatre são um power trio germano-português, radicado em Roterdão, nos Países Baixos, formado por Gonçalo Almeida, no baixo eléctrico, Hugo Costa, no saxofone alto, e Philipp Ernsting, na bateria. Este trio situa-se na intersecção do free jazz e do rock, ancorado numa postura punk e metal, explorando com arte a distorção magmática, mas também proporcionando um lugar para a nuance e o detalhe, tudo envolto em imagens ao vivo pelo quarto membro desta unidade, o artista de vídeo 5upleft.

Estivemos à conversa com o Gonçalo Almeida para nos explicar um pouco mais da sua experiência e do concerto de Pontevedra.

Jornal Caminhense – Pode explicar um pouco do processo como músico até chegar à Holanda e o porquê da escolha do instrumento (contrabaixo).

Gonçalo Almeida  – Os meus primeiros passos  de formação musical foram na escola do Hot Club de Portugal em Lisboa.Foi aí que me iniciei no estudo do contrabaixo, seguindo-se anos de estudo da linguagem jazz a par de música clássica, indo depois estudar para o departamento de jazz do conservatório de Roterdão em 2002/03. Essa acabou por ser a razão que me levou a viver na Holanda.

Jornal Caminhense – É mais fácil viver só da música e como músico na Holanda?

Gonçalo Almeida – Não creio que seja fácil viver da música em nenhum lugar do mundo. Mas a música é uma actividade de constante procura, que exige uma grande dedicação e até certos tipos de sacrifícios e escolhas. Existem contudo aspectos na cultura e educação na Holanda que permitem um espaço mais alargado para as artes na sociedade, existindo mais apoios estatais e organizações para reforçar a importância da cultura.

Jornal Caminhense – A time-out no ano passado considerava-o um dos “dez contrabaixista de jazz portugueses que precisa de ouvir”, como reagiu a essa distinção?

Gonçalo Almeida – Fiquei bastante surpreendido e claro bastante orgulhoso de ver o meu nome numa lista de tão bons contrabaixistas, alguns deles músicos que me inspiraram a tocar o contrabaixo (Bica e Barreto). A lista era de 10 mas podia ser de 100. Temos muitos e muito bons contrabaixistas em Portugal.

Jornal Caminhense – Faz parte de um vasto conjunto de projectos musicais, mas é mais no freejazz e na improvisação que se afirma. Essa actividade nas franjas mais exploratórias do jazz é um gosto ou uma afirmação na forma de fazer música?

Gonçalo Almeida – Na verdade creio ser ambas. Toco somente música que aprecio e que me preenche de alguma forma e sinto sem dúvida uma identificação particular com o freejazz e a improvisação. Considero o experimentalismo essencial no processo de criar e estar na música.

Jornal Caminhense – O que podemos esperar do concerto em Pontevedra no Liceo Mutante com o projecto “Albatre”?

Gonçalo Almeida – ALBATRE é um dos meus projectos mais viscerais, com uma veia noise rock progressivo, com bastante peso. O que se pode esperar é um concerto compacto com música do ultimo disco lançado na editora portuguesa Shhpuma “The Fall of the Damned”  e com a participação ao vivo do quarto elemento do grupo, o artista de video 5upleft. Será um concerto de som e imagem de descida aos infernos imaginários de um  Hieronymus Bosch ou Rubens.

 

 

 

 

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Miguel Estima