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Terça-feira, 9 Agosto, 2022
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Um semestre que mudou a Europa e o Mundo, O Outono que nos espera

A diferença
entre os humanos e os animais
é que estes, nunca permitem
que um estúpido lidere
a manada”.

Winston Churchill

Quando cheios de orgulho no Almirante das vacinas declaramos a Pandemia encerrada, ainda que continuando a ter dezenas de mortes diárias por Covid-19, 25% dos portugueses, 42% dos votantes, quiseram acreditar nos cenários macroeconómicos maravilhosos que com quase 6 meses de intervalo o Governo de António Costa nos propôs.

Se em Outubro de 2021 um orçamento de estado com um cenário de juros zero e inflação de 4% para 2022 não podia ser contestado por ninguém, cenário semelhante ligeiramente revisto em Abril, com a guerra e a escalada de preços da energia, só demonstrou falta de adesão à realidade ou a confirmação duma tendência para a manipulação, via cativações.

A Receita Fiscal aumentou 21% de Janeiro a Maio comparado com 2021, mais 3.000 Milhões de Euros. Se isto não é um “aumento brutal de impostos” via Inflação, o que é?

Enquanto outros governos tomam medidas várias para mitigar este assalto ao bolso dos contribuintes, em Portugal dão-se umas bolsas alimentares de 60 € aos mais necessitados e fez-se uma redução do ISP que os Portugueses nem sentiram.

E na sua magnanimidade, o Governo fez questão de publicar e publicitar como se fosse uma dádiva, o mísero aumento nas reformas que se traduz em 1%, mas que pago com retroativos e juntando o subsídio de férias até parece muito. Em Agosto é 1%, nada mais.

Ilusão vã, para aqueles que se deixam iludir. Este aumento anual de pensões representa um custo anual para o estado de menos de 300 milhões de Euros, portanto menos de 10% da receita fiscal acrescida que o Governo teve, só até Maio e que, mais que duplicará até Dezembro.

Fechou o semestre com uma Inflação de 8,7%, as taxas de Juro a subir, que todos vão sentir na prestação da casa já a partir de Julho, a guerra na Ucrânia que continua e a União Europeia a sentir o ricochete das “sanções económicas”.

Chegaram agora ao extremo de se proporem financiar a retoma de produção de eletricidade nas centrais a carvão, que o ex-Ministro do Ambiente, agora a trabalhar numa firma de Advogados, enfaticamente encerrou. É esta a coerência climática e ecológica dos que lideram as manadas, a portuguesa como a europeia.

As empresas que sobreviveram nos últimos 2 anos com as moratórias e os períodos de carência das linhas de financiamento COVID, começaram já a pedir novas moratórias, porque a inflação na Indústria e, a necessidade de maior imobilização de capital em Inventários que a crise também logística provocou, já está a desequilibrar de novo as suas periclitantes tesourarias.

Os fundos do PRR, no qual a propaganda mais uma vez substitui a realidade, tem uma taxa de execução real que é uma gota de água quando comparada com os anúncios de verbas quase diários, como se repetir muitas vezes um valor, o fizesse crescer.

E os Bancos esses, já suavemente vem falando que, se houver crédito malparado, quem sabe uma nova ajudazita de estado seja necessária. Como se os portugueses não tivessem ainda presente, além dos bancos, banqueiros e empresários “maus”, os desmandos do suposto Banco Bom, na (di)gestão dos créditos malparados que as ajudas de estado sempre cobrem, com o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças a assobiar para o lado, como veio agora relatar em detalhe o Tribunal de Contas.

Entrados assim na silly season, lá nos vão as inefáveis autarquias, entretendo com festivais e concertos, festas e festanças, que o calor não está para ficar em casa. Com tanta música e as luzes da ribalta mediática até nos esquecemos que são os nossos impostos, esses que tiveram um Aumento Brutal este ano, que as pagam.

Passamos pelas vagas de calor e incêndios, abnegados como se fossem o nosso fado. Já não nos indignamos nem pedimos responsabilidades, este povo está sedado. Lá vem à baila uns planos não cumpridos, umas comissões que nada fizeram, e como na saúde, deita-se dinheiro para cima do problema, o que só o faz crescer.

Governantes, deputados e autarcas todos liderados pelo PR do Facebook e o PM do Twitter, gerem as intervenções publicas e mediáticas como se as notícias e os repórteres fossem o país, numa realidade virtual de avatares que não sabem sequer quanto é que aumentou o pão, porque não o vão comprar, ou porque nada representa no seu orçamento familiar.

Aproveitemos o sol e o iodo para sintetizar vitamina D e melhorar o sistema imunitário, porque vamos precisar de estar fortes no Outono e mais ainda quando chegar o general Inverno que derrotou Napoleão e os Nazis. Os que tiverem lareira em casa abasteçam-se de lenha e aproveitam, limpam o Camarido e as serras.

Quanto à guerra, a escalada bélica de apoio à Ucrânia-cada vez mais endividada e dividida- liderada pela indústria armamentista americana e pelo finalmente demitido Boris Jonhson, tendo como fito a médio-longo prazo as obras de reconstrução; a par com os verdadeiros tiros nos próprios pés, que são as ditas sanções económicas da EU, não parecem de nenhuma forma acalmar as ânsias de Putin.

As linhas da frente não estão ainda nas margens de todo o rio Dnipro, como apontei em artigo de Março mas, o Inverno vai trazer para Putin os argumentos que lhe faltam para que um qualquer acordo de paz seja promovido e o território da Ucrânia dividido. O problema é o tempo e os custos em vidas humanas que tal vai implicar.

A Europa vai ter um Inverno como não vive desde a última grande guerra, restrições na energia, preços em aumento contínuo, problemas logísticos de abastecimento até de bens essenciais. A Alemanha, perante a ameaça da crise interna, esquece a EU. A França sem Inglaterra para lhe manter a rédea curta, deixou de ser fiável.

A Itália, único país com o verdadeiro estadista como primeiro-ministro, tem um parlamento que lhe bloqueia o trabalho. E os Burocratas de Bruxelas, que ninguém elegeu, governam de acordo com a restrita manada que os escolheu por “unanimidade”, critério só antes conhecido nos sistemas comunistas e social-fascistas.

Por cá, virá mais um orçamento de estado cheio de frases redondas e promessas vãs, centrado na imaginação em como contornar os invetivais aumentos das pensões diretamente relacionados com a Inflação, cuja fórmula só convinha enquanto esta era baixa.

Com um IPC que poderá ser em Novembro de 7% ou 8%, os senhorios vão aumentar assim as rendas e o Governo terá que aumentar assim as pensões. E também as empresas privadas serão pressionadas na concertação social para seguir essa linha.

As empresas e cidadãos endividados, com os custos dos empréstimos e amortizações de dividas mais caros, que resultarão em crédito malparado nos Bancos, uma divida pública que cresce só pelo efeito das taxas de juro, a economia a desacelerar depois de crescer via consumo/turismo, são um caldo de cultura no qual os Governos socia(popu)listas não se costumam dar bem. E tendem a empurrar com a barriga para a frente.

O problema é que o sistema político português só tem um fusível: o Presidente da República e, com o atual Hiper-Ativo-Interventivo Presidente que se deixa enredar nas decisões do PS e de Costa, de fusível passou a bobine ou condensador, atenua ou amplia a tensão, mas será ele capaz de cortar a corrente do desnorte e da demagogia?

Leiria, 16 de Julho de 2022

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