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Sexta-feira, 14 Agosto, 2020
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Seis discos para ouvir em tempos de quarentena

São tempos de confinamento, de estar por casa e dedicar a actividades que por norma não conseguimos fazer tão relaxadamente como nos últimos dias. Neste inicio de semana ficam aqui seis propostas de discos editados em Portugal e na Galiza nos últimos meses.

 


João Mortágua – MAZAM

Existe um espaço próprio para o saxofonista nortenho, cada vez mais afirmado no panorama do jazz nacional, João Mortágua, juntou mais três amigos: Carlos Azevedo no piano, Miguel Ângelo no contrabaixo e Mário Costa na bateria. Deste juntar de energias profícuas, saiu uma série de temas que deram origem a este disco de originais lançado no passado dia 4 de Março na FEUP no Porto.
Já em 2019 quando fez uma apresentação dos temas ao público na folha de sala apresentou o projecto assim: “No seu mais recente projecto de originais, João Mortágua explora as características do quarteto com piano, juntando-se a uma emblemática secção rítmica, em prol de um produto fresco e apurado. Sem filtros, chora-se a mágoa da beira-mar e ri-se face à alegria na montanha. De tudo e nada é feito este espaço. Não é, MAZAM.”
MAZAM é um meio caminho entre o free jazz com freak jazz, muito bem elaborado e com uma boa dose de psicadelismo, muito próprio, que confere a este disco aquele rótulo ambíguo entre o jazz e experimental.

https://joaomortagua.bandcamp.com/album/land

João Guimarães Grupo – UM

O Novo Disco de João Guimarães tem o título de “UM”. Este disco em sexteto, sendo a reunião dos músicos com quem o músico quis trabalhar a sua música actual. “UM” é o segundo disco de João Guimarães, sendo o primeiro “ZERO”, para octeto, que foi lançado em 2013 pela TOAP em colaboração com o Festival de Jazz de Guimarães.
O sexteto do João Guimarães é, na sua essência, uma reunião de amigos que não vivem tão perto uns dos outros e que é muito frutuosa musicalmente. Segundo o próprio João diz que: “É uma oportunidade para celebrar as distâncias com uso da linguagem universal. Gravámos depois de uma grande tour tuga que se realizou em Abril de 2019”.
O disco gravado no final dessa tournée conta com o João Guimarães no saxofone e composições, Hermon Mehari no trompete, Eduardo Cardinho no vibrafone, Travis Reuter na guitarra, Francisco Brito no contrabaixo e Marcos Cavaleiro na bateria contando ainda com a participação especial de Óscar Marcelino da Graça no piano e no sintetizador.
João Guimarães elevou em muito a fasquia do jazz e do jazz do Porto. Este disco apesar de contar com dois músicos dos Estados Unidos, é um clara lufada de ‘ar fresco’ do jazz nacional. Onde existe um espaço próprio dentro do disco, para os solos de cada um dos elementos. De notar uma excelente mistura dos temas, e isso é de valorizar, já que facilita muito o processo de audição de um disco. João Guimarães com este disco, confirma que é mais um nome a acompanhar no jazz nacional.

https://joaoguimaraesf.bandcamp.com/album/um-joao-guimaraes-grupo

João Barradas – Portrait

Quando o virtuosismo do acordeão cruza o jazz, só recorremos a um nome João Barradas. Desta feita um novo disco “Portrait”, um disco com várias colaborações, que conta com Mark Turner no Saxofone, Simon Moullier no Vibrafone, Luca Allemano no Contrabaixo e Naíma Acuña na Bateria.
João Barradas tem merecido justo aplauso genericamente pela crítica e pelo público. A ele se deve a introdução no Jazz um instrumento que não é muito comum, o acordeão, revelando-se um excelente improvisador. Neste disco onde a fusão do jazz com o acordeão tem um lado místico muito próprio. Nem sempre fácil, mas do jovem Barradas podemos esperar sempre, uma música muito fresca e fluida, conseguindo superar o excesso melodioso do instrumento. O disco vai decorrendo com flutuações e ambientes distintos, mas numa viagem a um jazz contemporâneo fluido e com uma energia muito própria.
Com composições próprias (exepto a faixa 9, que é uma composição de Wayne Shorter). João Barradas tem vindo a apresentar-se desde 2018 com o seu grupo “Portrait” nos mais variados palcos. E dessa experiencia resulta este disco para ouvir a qualquer momento, já que existem momentos para todos os gostos dentro da quase uma hora de música.

https://joaobarradas.bandcamp.com/album/portrait

Margarida Mariño – Cello & Electronics

Disco a solo da violoncelista nascida em Vigo, teve uma pré-estreia no Vitruvia (Vigo) no passado mês de Janeiro, depois de ter apresentado o projecto no WOS festival (Santiago de Compostela) e na Noite Branca de Vigo em 2019.
A exploração dos limites estéticos e sonoros do violoncelo, levou-a a experimentar estilos musicais onde seu instrumento não é tão comum. Apesar de ter uma formação mais clássica primeiro no Conservatorio Profesional de Música de Vigo e mais tarde a licenciatura no Conservatori Superior Liceu em Barcelona. A busca por novas sonoridades leva-a a frequentar o Seminário Permanente de Jazz de Pontevedra. Faz parte de grupos de música espontânea e de improvisação livre, sendo uma presença habitual nas sessións H.A.L.O. em Vigo. A proposta a solo, apresenta um repertório original para violoncelo e pedais de efeitos, com os quais ela consegue criar texturas únicas em orquestrações complexas que dão origem a um estilo muito pessoal, no qual linguagens aparentemente tão divergentes quanto postrock, triphop ou música clássica se misturam neste disco de originais lançado agora em Março.
Nesta linguagem única e própria o disco da Margarida Mariño é um bom exemplo da exploração do instrumento, neste caso o violoncelo, a juntar efeitos e voz. Daqueles discos que nos faz bem ouvir, tanto pela doçura, como pela grande sensibilidade que transmite, a cada um dos oito temas que integram o disco.

https://margaridamarino.bandcamp.com/releases

Xan Campos – Realismo

Já é conhecido o lado de criador profícuo do Xan. Pianista reconhecido dos dois lados da fronteira, participa em formações de jazz do Porto, assim como de vários projectos na Galiza. Editado no passado 28 de Março, este novo disco pianista galego, regressa ao formato trio, e experimenta vários ambientes, desde um jazz mais clássico, até a uma fusão de jazz com electrónica. Sendo que o próprio se refere como “uma proposta de jazz contemporâneo difícil de etiquetar e em continua ebulição.” Uma viagem que comparte com Horacio García no contrabaixo e Iago Fernández na bateria.
“Realismo” está dividido em oito momentos, também são oito temas, onde a fusão dos três elementos do trio se misturam de uma forma orgânica. Lógico que temos um piano mais forte em alguns temas como logo no inicio com “palinestesia”, que significa uma recuperação rápida depois de anestesia geral, o turbilhão de sons culmina em “vontades”, onde a cadencia da bateria dá o mote mais energético ao tema. “Fame Noir”, ou um sombrio mundo que nos sugere o terceiro tema do disco. “Amoria”, porventura um dos temas que me chamou mais atenção. Talvez pela tradução seja amor, e a temática normalmente é abordada de uma forma mais harmoniosa e mais fácil de seduzir ao ouvido. “Mochi”, é onde o jazz se junta ao “bacalhau”, a electrónica mais rudimentar dos anos 90, em Espanha tinha essa designação. Mas o piano combina tão bem e resulta numa calmaria a uma batida incessante e densa. “1991” é um dos temas mais longos do disco e aquele que dá espaço aos solos de cada um dos elementos do trio. Com uma mistura sublime este espaço que cada um tem é uma mais-valia na criação de um tema e combina muito bem no disco. “Teorias”, é mais um tema curto, existem dois no disco, sendo quase uma introdução para “Espello de auga”, tema que dá por terminado o disco.
Não é um disco para ser entendido à primeira audição. Precisa de uma audição atenta e com tempo. É daqueles discos que temos de ouvir com um volume razoável, para não nos escapar nenhum detalhe.

https://xancampos.bandcamp.com/album/realismo

Alfonso Calvo – Monday Mood

Este disco, o segundo do Alfonso Calvo em formato septeto onde junta no estúdio Pablo Castaño no saxofone alto, Diego Alonso no saxofone tenor, Xabier Pereiro na trompete, Luís Miranda no trombone, Iago Mouriño no piano e Miguel Cabana na bateria.
Seis temas deste disco, com este ensamble, cinco deles originais e um tema arranjado de Wayne Shorter. Sendo que, mais uma vez se destaca pelo brilho, que o contrabaixista compostelano dá aos temas do disco. Desde Again Never com um princípio muito calmo e sombrio a terminar com o apoio especial das palmas de Moisés Fernández, Isaías Salazar, que tão um toque mais animado. Passamos ao seguinte tema Dilemma’s Walk como se estivéssemos a vaguear nas ruas de uma cidade deserta. E passamos ao terceiro tema num toque mais de dança com Mary-Go-Round onde a presença do convidado Ton Risco realça ainda mais pelo vibrafone e a entrada da pandeireta de Paola Kianda. Chegamos ao tema que dá o título ao disco Monday Mood, dedicado à mãe, o tema mais longo e onde o piano do Iago dá um toque de sobriedade. Contando depois com dois temas Bird Crossing, num ritmo mais ligeiro e com mais beat. Terminando como tema Infant Eyes, arranjado pelo Alfonso Calvo.
Um disco de um ensamble de jazz, já por si tem um “corpo” próprio tornando-o, mais fácil de ser escutado. E pela excelente mistura sonora dos temas, muito bem balanceado e equilibrado, sem um destaque especial, conseguimos facilmente nos envolver pela sonoridade que se vai perpetuando e deixar ecoar de uma forma simpática ao nosso ouvido. Uma experiência para ver apreciada em casa, ou de preferência ao vivo.

https://alfonsocalvo.bandcamp.com/album/monday-mood

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