Os pescadores de Caminha acusam a Câmara de estar a prejudicar a sua actividade com a limpeza que está a fazer à entrada do cais do ferry. O presidente da Associação dos Pescadores do Rio Minho e Mar, Paulo Silva, explicou à Rádio Caminha que a opção de limpar a entrada do cais passa por movimentar as areias e encaminhar os inertes que, com as correntes, vão para os locais onde os pescadores atracam os barcos, tornando aquelas zonas cada vez mais assoreadas e dificultando as operações de saída e atracagem.
Há muito que os pescadores pedem a dragagem do canal que dá acesso ao cais da Rua, mas agora também os outros embarcadouros estão a ficar assoreados.
A operação ideal, segundo os pescadores, teria sido a dragagem da areia com a sua remoção definitiva, e não a limpeza, que – afirmam – apenas tira os inertes de um local e deposita-os noutro.
São mais de 20 os barcos que em Caminha estão a ser afectados por esta intervenção da Câmara na entrada do cais do ferry. Os barcos já são obrigados a saírem mais cedo para conseguirem navegar.
Para piorar a situação, nos últimos dias os pescadores dizem que se registou a ruptura do tubo que ajuda a retirar a areia do cais do ferry, tendo sido direccionado para o embarcadouro localizado ali próximo, dificultando, assim, a vida aos pescadores que por lá atracam.
A autarquia parou os trabalhos na Sexta-feira, após aviso dos pescadores.
Um dos pescadores afectados é Paulo Passos. Em declarações à Rádio Caminha, revelou o cenário com que os pescadores se deparam sempre que querem trabalhar: areia e mais areia.
A Rádio Caminha procurou ouvir o presidente da Câmara para conhecer a posição da autarquia relativa a este problema, mas, apesar dos sucessivos contactos telefónicos, não conseguimos chegar à fala com Miguel Alves em tempo útil.