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Sexta-feira, 23 Outubro, 2020
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Miguel Ângelo em concertos pelo Minho

Miguel Ângelo, Contrabaixista do Porto, vai andar por terras nortenhas nos próximos tempos. Vai abrir o ciclo de jazz “Jazz ao Largo” em Barcelos, no Theatro Gil Vicente já na próxima sexta-feira às 21h30, no dia 24 também deste mês de Março, no auditório do CILV em Valença também às 21h30 a fechar o ciclo de jazz de Valença e em Abril no dia 14 no PELLE em Braga com inicio previsto para as 23h. Todos os concertos são de entrada gratuita.

Jornal C – Existe um diferença grande entre a formação de musical actual em Portugal e aquela existente quando começou a estudar jazz, como vê o seu percurso e a escolha de deixar as matemáticas e dedicar-se à musica a tempo inteiro?
Miguel Ângelo – Sim, claro que existe e é a diferença de não existir “escola” formal, para uma formação escolástica que pode ir do 5º ano ao Ensino Superior. Comecei na música como autodidacta e, quando decidi recorrer a uma escola, havia apenas duas em Portugal não ligadas ao Ensino da Música Clássica: A Escola de Jazz do Porto (EJP) e o HotClub em Lisboa. No caso da EJP, de Escola tinha apenas o nome, já que não se organizava como tal, mas tinham a enorme vantagem de ter os músicos activos da altura como professores, o que para nós alunos, era o que melhor se poderia desejar… Claro que a forma de ensinar era também ela muito diferente, até porque quem ensinava, na sua grande maioria, também não tinha frequentado escola alguma, como tal, o ensino era muito pouco sistematizado e menos “formatado”, o que se apresenta, simultaneamente, como uma desvantagem e uma vantagem, porque demorávamos mais tempo para obter informação/formação básica, mas menos para desenvolvermos uma linguagem mais personalizada. Hoje, acho que se passa exactamente o contrário!
A matemática, que é mais Informática e Matemáticas Aplicadas, foi na altura a melhor saída. Da música não se vivia e sempre tive fascínio pela programação, que é uma outra forma de criação “artística”. Se juntarmos a isso a pressão dos meus Pais, para tirar um curso superior, a escolha foi inevitável. Decidi na altura fazer o curso superior de Informática e Matemática Aplicada, nunca perdendo de vista a música e com a ideia que mais tarde as coisas iriam mudar e poderia, nessa altura, retomar o plano inicial. Ainda hoje não me dedico à música a tempo inteiro, primeiro porque é economicamente instável, sobretudo para quem tem família, filhos, compromissos financeiros, etc.. Por outro lado, também gosto muito de manter com a música uma relação meramente “amorosa”, sem depender dela financeiramente, dá-me outras liberdades.

Jornal C – Como é ser músico a tempo inteiro em Portugal?
Miguel Ângelo – Todos os músicos, no sentido não formal/profissional, são músicos a tempo inteiro e é exatamente igual aqui ou em qualquer outro sítio. No sentido formal/profisisonal, como expliquei anteriormente, não sou músico a tempo inteiro. Alias, acho que em Portugal, nesta área da música (jazz e música improvisada), são muito pouco os músicos que o fazem a tempo inteiro. A grande maioria acaba por dar aulas, ou desempenhar outras funções associadas, porque é realmente muito difícil viver apenas com o dinheiro resultante de concertos e da venda de discos… Pode ser verdade no pop, no rock, ou mesmo na música clássica, existem várias orquestras clássicas que pagam salários condignos aos músicos. No jazz, como diz alguém que conheço, continuamos a lutar pela “camisolinha de lã”. E triste, mas é verdade.

Jornal C – Ser líder num projecto envolve algum compromisso de colectivo.
Miguel Ângelo – Completamente. Os músicos, por norma, são pessoas com personalidades próprias e vincadas e, mais do que em outras profissões, nem sempre é fácil gerir essas características num contexto de criação artística conjunta, sobretudo, quando juntamos a isso conceitos, estéticas, gostos, etc, diferentes, portanto o compromisso coletivo é fundamental, não há líder que se aguente sem esse compromisso.

Jornal C – Como se afirma o meu quarteto no panorama nacional?
Miguel Ângelo – Não sei, acho que se afirma bem, fazemos música honesta e descomprometida desde o primeiro disco “BRANCO”. Acho que o grupo e a música que faz tem crescido e seguido caminhos interessantes. A julgar pela recetividade de “A VIDA DE X”, acho que estamos bem classificados!

Jornal C – O mais recente trabalho foi a solo, sentiu necessidade de um certo isolamento para criar?
Miguel Ângelo – Tenho a sorte de viver num sítio relativamente isolado e de ter um estúdio em casa, que me garante boas condições e sossego. Acho que o termo não é isolamento, mas sim sossego, tenho de estar disponível para a música. No caso do meu disco a Solo, esse sossego foi fundamental. Resultou das condições explicadas anteriormente e do facto de não ter muitos concertos na altura. Isto deu-me tempo, disponibilidade e sossego suficiente para que o pudesse fazer.

Jornal C – “A Vida de X” vai abrir o jazz ao largo em Barcelos e fechar o ciclo de jazz de Valença e ainda uma passagem pelo PELLE em Braga. Alguma novidade para estes concertos pelo Minho?
Miguel Ângelo – Sim, começa logo por levar um baterista diferente. O Marcos Cavaleiro anda em digressão pela América e tive a sorte de ter o Mário Costa disponível. Só este facto é garantia de novidade… É o que esta música tem de melhor, por norma, nunca se repete, ainda mais se mudarmos os protagonistas. Música nova, ainda não, mas teremos abordagens novas de músicas antigas…

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