Com a chegada do Verão, o Julho é de Jazz volta a ocupar o pátio exterior do gnration e o Theatro Circo. Entre 1 e 11 de julho, a décima segunda edição reúne em Braga nomes essenciais e talentos em ascensão do jazz e da música improvisada. No gnration, há concerto de أحمد [Ahmed], quarteto encabeçado por Pat Thomas, Carlos Bica & AZUL com a celebração dos 30 anos do disco Azul (1996), o trio de Sakina Abdou, Toma Gouband e Marta Warelis e a estreia de C.O.R., jovem formação de Gonçalo Cravinho Lopes com Lucas Oliveira e João Rocha. Já no Theatro Circo, há o regresso a solo de Mário Laginha, o septeto de Patricia Brennan, trio de Maria João, Carlos Bica e André Mehmari e Omniae Large Ensemble de Pedro Melo Alves. O programa de cinema, no Theatro Crico, conta com dois documentários: O Menino D’Olho d’Água e Jazz on a Summer’s Day.
O programa de concertos da edição de 2026 do Julho é de Jazz arranca no gnration, a 2 de julho, comuma das formações mais intensas e urgentes do jazz atual. أحمد [Ahmed] é o quarteto encabeçado pelo pianista britânico Pat Thomas, com Seymour Wright (saxofone), Antonin Gerbal (bateria) e Joel Grip (contrabaixo), que faz música a partir do legado de Ahmed Abdul-Malik. Contrabaixista, compositor e interprete de oud, Abdul-Malik trouxe a herança musical da Ásia Ocidental e da África Oriental para o cânone jazz norte-americano. حمد [Ahmed] surge como um gesto de homenagem e reivindicação para reinscrever este nome na história. O quarteto escava, reinterpreta e reativa a visão de Abdul-Malik para criar música energética, contagiante e dançável.
No dia seguinte, 3 de julho, é a vez do Omniae Large Ensemble, dirigido pelo baterista e compositor Pedro Melo Alves, subir ao palco do Theatro Circo para estrear uma nova formação. Criado originalmente como um septeto, o ensemble é um exemplo maior do cruzamento entre composição contemporânea e música jazz em Portugal. Em 2020, o projeto expandiu-se e passou a apresentar-se em orquestra, reunindo alguns dos músicos mais relevantes da nova geração. O concerto no Julho é de Jazz marca mais um passo em frente para o projeto que reúne uma nova formação com músicos ativos em diversas cidades europeias e provenientes de diferentes circuitos artísticos, do jazz e da música improvisada à música contemporânea, experimental e eletrónica.
Na tarde de sábado, 6 de julho, as atenções voltam-se para a estreia de um novo trio. C.O.R. é encabeçado por Gonçalo Cravinho Lopes, jovem contrabaixista natural de Braga, membro fundador de OCENPSIEA e Fourward. A formação completa-se com outros dois jovens músicos, Lucas Oliveira no saxofone e João Rocha na bateria. No pátio exterior, o trio apresenta Oxor, o seu primeiro disco, gravado com o apoio do gnration.
Na noite do mesmo dia, o Theatro Circo promove o encontro inédito de três figuras cimeiras e já muito experientes do jazz: a cantora Maria João, o pianista André Mehmari e o contrabaixista Carlos Bica. Com 40 anos de carreira, Maria João é uma referência na música improvisada e a única portuguesa nomeada para o European Jazz Prize. André Mehmari é expoente da música criativa brasileira com nomeações aos Grammys Latinos e uma discografia de mais de 55 álbuns que cruzam o jazz com a música orquestral. Já Carlos Bica é um pilar do jazz europeu e líder do aclamado trio AZUL – que também faz uma aparição no programa do Julho é de Jazz.
A segunda semana de Julho é de Jazz arranca a 9 de julho, no gnration, com o trio de Sakina Abdou (saxofone), Toma Gouband (percussão)e Marta Warelis (piano). Abdou é uma estrela em ascensão na música improvisada europeia, reconhecida como membro da Red Desert Orchestra, de Eve Risser, do Ensemble Nist-Nah, de Will Guthrie, do Dedalus Ensemble (coletivo dedicado à reinterpretação de obras minimalistas) e da Lotus Flowers, com Angelika Niescier, e Bruno Angelini. Depois da estreia a solo em 2022, juntou-se ao percussionista francês e à pianista polaca para lançar Hammer, Roll and Leaf (2024). Gravado ao longo de vários dias numa sessão de improvisação, este disco cose a percussão certeira de Gouband, ampliada por pedras e ramos, com o toque ancestral de Warelis e o saxofone inquieto de Abdou.
Um dia depois (10 de julho), Mário Laginha regressa ao Theatro Circo, a solo, para apresentar Retorno. Lançado em fevereiro, este novo disco aparece dezanove anos depois de Canções e Fugas (2006) e assinala o regresso do pianista português aos trabalhos a solo, depois de vários anos a colaborar em diversos projetos e vários nomes, onde se destaca a poderosa união com Camané.
Já lá vão trinta anos desde que Carlos Bica lançou Azul. Na tarde de 11 de julho, no gnration,o contrabaixista portuguêse o seu trio AZUL celebram os 30 anos deste disco, um marco indiscutível da história do jazz nacional. Lançado em 1996, Azul foi o primeiro lançamento de Bica como líder de banda, acompanhado pelo alemão Frank Möbus, na guitarra, e pelo norte-americano Jim Black, na bateria.
Na mesma noite, o último dia do Julho é de Jazz, encerra com o septeto de Patricia Brennan na sala principal do Theatro Circo. Reunindo alguns dos improvisadores mais criativos da atualidade, o grupo expande o seu quarteto original, More Touch – composto por Kim Cass (baixo), Marcus Gilmore (bateria) e Mauricio Herrera (percussão) – ao integrar três sopros: Adam O’Farrill (trompete e eletrónica), Jon Irabagon (saxofones alto e sopranino) e Mark Shim (saxofone tenor). Ao Julho é de Jazz, o septeto vem apresentar o disco Breaking Stretch (2024), no qual são exploradas camadas rítmicas densas inspiradas na herança de grandes ensembles de salsa e rock dos anos 70, como a Fania All-Stars ou os Chicago.
A décima segunda edição do Julho é de Jazz volta a ter um programa de cinema, com dois documentários fundamentais para todos os apreciadores do género. A 1 de julho, faz-se uma viagem pela vida e obra do eterno Hermeto Pascoal. Conhecido como “o Bruxo”, o músico brasileiro falecido em 2025, ano em que tinha passagem marcada no Theatro Circo, é o precursor da chamada “Música Universal”. Em estreia nacional, é apresentado na mesma sala o filme O Menino d’Olho d’Água(2024). Realizado por Carolina Sá e Lírio Ferreira, é um retrato sensorial e biográfico do músico e uma celebração da sua visão única.
Na semana seguinte, a 8 de julho, é exibido o documentário Jazz on a Summer’s Day (1959), de Aram Avakian e Bert Stern. Gravado duranta a edição de 1958 do Newport Jazz Festival, este filme combina performances de nomes como Thelonious Monk, Anita O’Day, Louis Armstrong, Gerry Mulligan ou Dinah Washington com imagens de público do festival, fazendo um retrato histórico e preciso da cena da época, desde a música à moda.
Foto dos Ahmed – créditos Lisa Grip



